Mostrando postagens com marcador unção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador unção. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

UNGINDO COM ÓLEO... DE PEROBA

Uma “vergonha gospel” que me lembro ter assistido foi o vídeo postado, já há algum tempo, no Youtube, aonde um pastor, ajoelhado, é “ungido” com aproximadamente doze litros de “óleo ungido”. Outros vídeos e fotos mostram "pastores" derramando uma garrafa inteira de óleo sobre suas próprias cabeças. Até uma famosa cantora gospel aderiu à nova onda, ungindo CDs e DVDs, músicos de sua banda etc... A verdade é que o azeite da unção, que o próprio Deus determinou que fosse feito e deu a fórmula para o seu feitio (Ex 30:22-33) virou um produto qualquer, que nas mãos de pessoas descompromissadas com os princípios dispostos nas Escrituras é usado para transmitir credibilidade aos “líderes pseudopentecostais” e como coadjuvante em suas cenas de teatro para iludir os espectadores.



Nosso objetivo não é desmoralizar pregadores. Isto é coisa que eles já fazem muito bem! Buscamos, sim, restaurar o verdadeiro culto da Igreja e ensinar o padrão das Escrituras. Assim sendo, permitam-me analisar a questão.
A VISÃO BÍBLICA
Em primeiro lugar, é importante compreendermos que a Igreja do Senhor Jesus é regida pela Nova Aliança, e não pela Antiga. A unção de pessoas e até mesmo de alguns objetos não é referendada no Novo Testamento, de sorte que as únicas previsões bíblicas na Nova Aliança para o uso do azeite para unção eram [1] as finalidades médicas (Lc 10:34) e [2] a unção de enfermos, que deveria ser feita pelos presbíteros (Tg 5:14), e não por qualquer pessoa. Além disto, a unção dos enfermos conforme é tratada por Tiago, irmão do Senhor, não concede a prerrogativa da cura ao azeite, e sim à oração da fé (Tg 5:15), o que nos leva a concluir que não há no azeite qualquer poder curativo ou capacidade de conceder autoridade espiritual.
A Igreja precisa compreender de uma vez por todas que a antiga aliança é SOMBRA das coisas futuras, que seriam concretizadas em Cristo Jesus e na Nova Aliança por Ele instaurada (Hb 10:1; Hb 8:5; Cl 2:16-17). Quando víamos no AT um rei sendo ungido, era um sinal visível da descida do Espírito Santo sobre ele (1 Sm 10:1-12; 1 Sm 16:13) e uma “sombra” daquilo que ocorreria na Nova Aliança do Messias. Esta “sombra” se concretizou no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu sobre toda a Igreja (At 2). Enquanto no AT poucas pessoas tinham o Espírito Santo, no NT todos os crentes nascidos de novo têm o Espírito Santo, desde o momento de sua conversão a Jesus Cristo. Logo, não é mais necessária a unção de pessoas para que recebam o Espírito, ou qualquer tipo de poder especial.
Jesus, em todo o seu ministério, parece não ter utilizado azeite, ou pelo menos a Bíblia não descreve que Ele usou. Não ungiu os doze apóstolos, mas apenas os designou e deu autoridade (Mc 3:13-19), e nem ungiu enfermos, mas impunha-lhes as mãos (Mc 5:23). Os apóstolos por sua vez ungiam, sob as ordens de Jesus,  apenas os enfermos (Mc 6:13). Tiago deixa claro que são os presbíteros quem têm autoridade para ungir os enfermos (Tg 5:14), e não qualquer pessoa. Quando analisamos a separação de obreiros no NT, vemos que o azeite não é usado em nenhum momento, mas sim a simples imposição de mãos (At 13:1-3; 1 Tm 4:14, 5:22). O uso de azeite na Nova Aliança ficou, portanto, restrita à unção dos enfermos ministrada pelos presbíteros.
O ÓLEO
O uso de azeite para a unção dos corpos era prática comum em Israel. O azeite era usado para preparar os corpos para o sepultamento, e era usado na rotina da higiene pessoal das pessoas. Na Bíblia vemos pessoas se ungindo com azeite, usando-o como perfume (Rt 3:3; 2 Sm12:20). Não derramando sobre a cabeça, mas aplicando no corpo todo, inclusive na cabeça, numa forma de limpeza e hidratação corporal, além de ser um tipo de gel para pentear cabelos. Jesus critica os fariseus que quando jejuava não se ungiam, numa forma de demonstrar que estavam jejuando, e nos orienta: “tu, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto” (Mt 6:17), agindo de forma de discreta, não demonstrando estar jejuando. Em tempo: o texto não é base para, em dias de jejum, o crente pegar azeite e se ungir, mas para se higienizar normalmente (banho, escovação dentária, uso de perfume etc).
Quando Deus, no Antigo Testamento, ordenava para um profeta proceder a unção de alguém, a coisa era diferente. A unção se dava com o derramar de azeite sobre a cabeça, simbolizando a escolha de Deus e a descida do Espírito Santo sobre a pessoa.
Este azeite da unção divina não era qualquer óleo! Não é azeite comum, comprado em supermercados, e nem azeite “santo” comprado em Israel. A lei determinava sua fórmula (Ex 30:23-25), seu uso (Ex 30:26-30) e suas restrições de uso (Ex 30:31-33), as quais descrevemos:
E falarás aos filhos de Israel, dizendo: Este me será o azeite da santa unção, nas vossas gerações. Não se ungirá com ele a carne do homem, nem fareis outro semelhante, conforme à sua composição: santo é, e será santo para vós. O homem que compuser tal perfume como este, ou que, dele, puser sobre um estranho, será extirpado dos seus povos
Pode-se ver na descrição bíblica que não se tratava de um azeite comum, mas de algo especial e sagrado, que não poderia ser usado sem critérios, como vemos no uso dos “azeites gospels” nos dias de hoje. É até lamentável que as igrejas distribuam frascos de azeite entre o povo, ou que eles o comprem em lojas gospel, pois o seu uso é restrito desde os tempos do AT, por determinação do próprio Senhor, e permanece restrito nos dias de hoje, de acordo com as Escrituras.
A unção do citado pastor, que ele mesmo denomina no vídeo como “a unção de Aarão” em uma alusão ao Salmo 133, é no mínimo uma falta de conhecimento bíblico. O texto menciona o nome de Aarão exatamente porque trata da unção de sacerdotes, e não de seu uso comum e corriqueiro. O azeite da unção foi criado para ungir os objetos do Tabernáculo da Antiga Aliança e os seus sacerdotes, que é o caso específico do Salmo em questão. Jamais para ungir sacerdotes ou quaisquer outras pessoas ou objetos na Nova Aliança.
Ademais, aonde encontramos na Bíblia relatos de alguém UNGINDO A SI MESMO ou ordenando que outras pessoas o unjam?  A unção veterotestamentária se dava sempre pela iniciativa de Deus, o Dono do Azeite. Observe-se que Samuel NÃO QUERIA ungir um substituto para Saul, e até tentou pôr obstáculos para isso (1 Sm 16:1-2), o que nos mostra que quem manda ungir é Deus, e nunca é o profeta que decide a quem, quando e como vai ungir alguém!
SEU USO NAS UNÇÔES DOS REIS
Poucos reis em Israel têm em suas biografias relatos de unção: Saul (1 Sm 10), Davi (1 Sm 16) e Jeú (1 Rs 19:16) são alguns deles. Se analisadas as unções criteriosamente, veremos que a unção de Saul e Davi se deu em função da transição entre o ministério de Samuel e a implantação do reino (inclua-se aí a rejeição de Saul e a eleição de Davi), e a de Jeú como quebra de uma dinastia em Israel e a aniquilação da casa de Acabe. Na maioria dos reis não encontramos relatos de unção com azeite.
A FÉ ANIMISTA DO NEOPENTECOSTALISMO
O que acontece na maioria das igrejas neopentecostais é que está-se estabelecendo uma fé animista. O animismo consiste em tornar alguns objetos como canalizadores de poder, de sorte que o crente tenha algo que veja e toque, que o “ajude” a ter fé. São, na verdade, objetos que emanam poder. É prática do paganismo.
Este animismo é uma porta escancarada para a idolatria. Faz parte da natureza do homem querer “ver Deus” e "tocar no sagrado". Neste afã ele faz ídolos, símbolos religiosos e atribui aos elementos da sua fé um poder sobrenatural. Entretanto, desde o AT o Senhor proíbe a fabricação de ídolos (Ex 20:4-5), deixa claro que não cabe ao homem especular acerca da Sua fisionomia (Dt 4:12-19) e deixa os objetos de culto e liturgia (inclusive o azeite da unção!) sob a exclusiva competência dos sacerdotes e levitas, exatamente para evitar que o homem, começando pelo animismo pagão, desemboque na franca idolatria. Quando Israel entrou na terra prometida, a própria Bíblia afirma que "naqueles dias não havia rei em Israel; cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos" (Jz 17:6), e foi quando os ídolos e as práticas contrárias a lei foram estabelecidas. Quando não há uma liderança que defina o caminho a seguir, o povo se corrompe, e quando esta liderança não se baseia na Palavra de Deus, ocorre o mesmo! É exatamente assim que funciona o princípio neopentecostal: não precisa de Bíblia para "limitar Deus"; então podemos fazer o que bem entendermos! Portanto, vamos inserir elementos animistas para aumentar a fé do povo! Entretanto, este animismo não aumenta a fé de ninguém, antes a diminui, pois a canaliza para as coisas erradas. Ao invés da fé simples e eficaz em Cristo e em Sua obra redentora, crê-se em qualquer coisa, desde inocentes rosas ungidas, até os "higienicamente incorretos" lenços suados, e se esta "fé de muletas" der resultado, é a prova definitiva que é o certo... Deixemos, pois, a Bíblia! Ela só pode estar errada e ultrapassada!

Foi assim também que começou a apostasia na igreja primitiva: primeiro, com as relíquias dos santos, passando pelas gravuras sob a alegação de que serviriam para os crentes analfabetos entenderem as passagens bíblicas, e finalmente culminou com a fabricação das imagens dos mesmos, que perduram até hoje no catolicismo. Tudo começou com um inocente animismo, e desembocou na franca idolatria!

E o pior: muitos elementos do animismo pagão têm entrado na igreja evangélica como Pilatos entrou no credo! Hoje encontramos elementos até da umbanda e candomblé nas igrejas chamadas “neopentecostais”, como sal grosso, galhos de arruda, vestes ritualísticas etc, num sincretismo anti-bíblico que não tem qualquer justificativa à luz das Escrituras! Literalmente, há fogo estranho no altar e ninguém enxerga! ou não quer enxergar, enquanto este fogo estranho atrai dinheiro...
Entendemos que realmente algumas pessoas precisam de algo “palpável” para pôr sua fé em prática. São os chamados na Bíblia de “meninos na fé”. São pessoas que ainda não amadureceram o suficiente para entender a suficiência de Cristo e de Sua obra, e discernir o bem e o mal (Hb 5:12-14). No livro de Atos vemos exemplo de pessoas se aproveitando deste animismo: a sombra de Pedro passou a ser concorrida pelos enfermos e endemoninhados que buscavam a libertação de seus males, mas tal prática não é descrita no Texto Sagrado como o método bíblico para se alcançar curas e libertações, mas como uma demonstração da intensidade do poder de Deus presente na vida do apóstolo (At 5:15-16). Vemos também alguns objetos que eram tocados por Paulo serem usados também para cura e libertação (At 19:12), mas a Escritura também apenas relata o fato, mas não PRESCREVE como prática da Igreja, e nem afirma que estas coisas eram feitas com o consentimento dos apóstolos. Tanto no caso de Pedro quanto no de Paulo eram coisas que ocorriam FORA DA IGREJA, nas ruas, o que nos indica que não era prática interna da Igreja.
Paulo em dado momento afirma: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (1 Co 13:11). Isso se aplica perfeitamente ao animismo gospel. É coisa de menino, e não é isso que Deus deseja para Seu povo! Mas infelizmente é a prática de muitos pastores da atualidade, que desejam manter os crentes presos a eles, dependentes deles, evitando ao máximo a sua independência espiritual, a prática saudável do sacerdócio que Cristo concedeu a cada crente na Nova Aliança.
Deus anseia que o crente tenha plena comunhão com Ele, e exerça a fé sem a necessidade de amuletos e patuás. Não precisamos de rosas ungidas, azeites, sal grosso, terra de Israel ou água do rio Jordão. Precisamos da fé em Cristo, do poder que Ele mesmo nos outorgou. Precisamos crescer, e deixar de ser meninos na fé (1 Co 3:1-2; Hb 5:12-14). Jesus Cristo e Sua obra no Calvário são suficientes! Ou o Cristo dos pseudopentecostais é tão fraco que precisa de algo para operar o milagre? Ou os seus “ungidos” são tão medíocres que precisam de um barril de óleo para mostrar ao mundo e aos seus seguidores que têm unção?

quinta-feira, 29 de março de 2012

SOBRE PROFETAS, SACERDOTES E REIS

(NÃO TOQUEIS NOS MEUS UNGIDOS, PARTE 2)

No afã de se tornarem imunes a qualquer questionamento ou crítica, muitos “homens de Deus” dos nossos dias abrem suas bocas de forma presunçosa e antibíblica para reivindicar seus direitos de intocabilidade, admoestando seus opositores a que “não toquem nos ungidos do Senhor!” e vociferando pragas e maldições contra quem se atreve a desobedecer à orientação “bíblica”. Aqui em João Pessoa, aonde moro, a mais recente ocorrência foi a de um pastor que, segundo divulgado e corrido à boca miúda, abandonou a esposa e “casou-se” com uma jovem de 16 anos. Como está todo mundo “caindo em cima”, há poucos dias ele subiu ao púlpito de sua igreja para defender o indefensável e exigir o respeito e a imunidade de ungido que acredita possuir. 

Estes “neoungidos” são muito engraçados! Eles se enxergam como ungidos do Senhor, nos moldes da unção ministrada aos primeiros reis de Israel, e graças a esta suposta unção e ao fato de se acharem igualmente reis e sacerdotes da Igreja, julgam-se superiores aos profetas e intocáveis em tudo. Acham que podem pisar na Bíblia, deturpar a sã doutrina e fazer o que bem lhes der na telha. Além de tudo isso, ainda se recusam a ser admoestados ou questionados, como se uma unção do alto lhe concedesse esta prerrogativa de intocabilidade. Será??

Cada macaco no seu galho, certo? Então, é necessário conhecer as três funções ministeriais, que iniciaram no Antigo Testamento e perduram até os dias de hoje do ministério da Igreja na Nova Aliança: profetas, sacerdotes e reis.

OS PROFETAS ― O primeiro ministério criado por Deus em Seu reino foi o ministério profético. Muito antes do estabelecimento da Antiga Aliança Deus já tratava Abraão como profeta, divulgando isto entre as nações (Gn 20:7). Aliás, o texto “não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis os meus profetas” trata exatamente dos patriarcas, que necessitavam da proteção de Deus para a sua sobrevivência e para a formação de um povo. Quando Deus fala a Moisés que ele, Moisés, seria diante de Faraó como Deus e Arão como seu profeta (Ex 7:1) mostra que o profeta é uma espécie de porta-voz de Deus. O porta-voz jamais fala suas próprias palavras, e sim repete as palavras de Deus em linguagem compreensível ao povo, muito diferente de muitos “profetas” de hoje, que falam coisas arrogantes, coisas que Deus não mandou falar e que contrariam frontalmente os princípios da Palavra de Deus. Some-se a isto os controversos "atos proféticos", onde o homem profetiza o que bem quer, segundo a sua própria vontade, como se a profecia fosse um ato humano sobre as quais Deus tem que concordar, e não um mero repetir das palavras ditas por Deus!

Na igreja, o ministério profético perdura como um dom do Espírito Santo (1 Co 12:8-11; 12:29) ou como um ministério de chamada da Igreja à observância da Palavra (Ef 4:11). Seu ministério se revela no âmbito espiritual, através da revelação do Espírito Santo acerca de coisas futuras (At 11:28; At 21:10-11), ou no âmbito ministerial, no aspecto de corrigir erros e distorções em relação às Escrituras (Gl 2:11; At 8:18-24). Há outros aspectos, mas que não trataremos neste artigo.

Se observarmos que os profetas do AT geralmente profetizavam o arrependimento do povo, sua volta à prática daquilo que Deus determinou em Sua Palavra com regra de vida, conduta e prática, podemos considerar que tal ministério na Igreja não perdeu a característica apologética. Assim, aqueles a quem Deus concedeu o conhecimento das Escrituras e a intrepidez para defender a sã doutrina é um profeta de Deus na defesa da Palavra.

OS SACERDOTES ― O ministério sacerdotal foi criado com o advento da Antiga Aliança. Arão e seus descendentes foram escolhidos por Deus para ministrarem todos os ofícios de mediação entre os homens e Deus. Com o advento de Jesus Cristo, que embora não fizesse parte do ministério levítico tornou-se sacerdote e mediador da Nova Aliança, Ele se tornou o ÚNICO mediador entre Deus e o homem (1 Tm 2:5), de sorte que nenhum sacerdócio, por melhor ou mais privilegiado que seja, pode exigir a prerrogativa que pertence unicamente ao Filho de Deus. Quando Deus, pelos méritos da Nova Aliança em Cristo Jesus, nos constituiu sacerdotes (Ap 1:6; 5:10), eliminou a necessidade de sacerdotes no meio da Igreja. Os pastores não são sacerdotes no sentido de mediação; são apenas guias do rebanho, aqueles que Deus designou para cuidar das ovelhas dEle e procurar desenvolver em cada uma delas o ministério sacerdotal que Deus deu a todos.

OS REIS ― O ministério real se aplica a pessoas especiais, escolhidas e ungidas por Deus para governar o Seu povo. Seria, a grosso modo, o pastor da Igreja, que é posto diante do povo para administrar, conduzir e ensinar o povo como devem viver, aos moldes da Palavra de Deus. É a pessoa que Deus colocou para zelar pela observância das Escrituras. Se observarmos a vida de muitos reis, vemos que Deus os ungiu e colocou em evidência para que pudessem preservar a observação da Palavra de Deus. Saul foi rejeitado após desobedecer à Palavra, mesmo que com a melhor das intenções (1 Sm 15:12-31). Logo, é fácil compreender o dito popular que afirma que “de boas intenções o inferno está cheio”. Não foi dado ao rei o direito de ter boas intenções, e sim o dever de zelar pelo cumprimento da Palavra do Senhor. Eis o grande problema. Nem todos querem se submeter aos reais propósitos ministeriais de ungido...

ENTENDENDO AS COISAS ― Com o advento da Nova Aliança, as coisas mudaram! A Escritura afirma que Deus constituiu os crentes como reis e sacerdotes (Ap 1:6; 5:10), e a alguns como profetas (Ef 4:11; 1 Co 12:28-31).

Num sentido mais contextualizado das coisas, comparando estes três ministérios aos poderes da República, Deus é o poder legislativo (o único que pode ditar leis e normas, e que já o fez através das Escrituras), o rei seria o presidente (poder executivo), os sacerdotes e os profetas seriam o poder legislativo no sentido de fiscalização dos atos do executivo, e nunca no âmbito de criar novas leis e normas para o povo de Deus. Só Ele tem esta prerrogativa!

Se analisarmos as funções no Antigo Testamento, vemos que cada ministério tem a sua abrangência, e se completam entre si. Além do mais, um não pode ministrar as obras dos outros, e ao mesmo tempo um depende dos outros, e aos outros deve estar submisso 

Vejamos: o rei Saul foi reprovado por ter apresentado sacrifícios a Deus, que era da exclusiva competência de Samuel, juiz (precursor dos reis), profeta e sacerdote naquele conturbado período de transição entre o ministério dos juízes e a implantação da monarquia (1 Sm 13:8-14). O rei Urias foi severamente repreendido porque queria fazer a ministração sacerdotal, e por causa desta desobediência foi ferido com lepra (2 Cr 26:16-21). 

É interessante observar que NENHUM rei em Judá ou Israel, exceto Saul (1 Sm 10), Davi (1 Sm 16) e Jeú (1 Rs 19:16), foram ungidos. Estes três e suas unções são razão de um outro artigo, mas posso adiantar que a unção de Saul e Davi se deu em função da transição entre o ministério de Samuel e a implantação do reino (inclua-se aí a rejeição de Saul e a eleição de Davi), e a de Jeú como quebra de uma dinastia em Israel e a aniquilação da casa de Acabe.

Também é bom entender que não é somente o rei que é ungido do Senhor. Tanto os profetas quanto os sacerdotes também detêm a mesma unção divina, e jamais podem ser considerados inferiores aos primeiros. Ou seja: reis, vocês não podem se considerar os únicos ungidos do pedaço! O primeiro passo para que a unção real seja aceita em vocês, é o reconhecimento da unção existente nos profetas e sacerdotes!

Analisando o ministério real em comparação com os ministérios sacerdotal e profético, vemos que o rei está sempre sujeito à repreensão destes dois representantes de Deus. Ele não é mais “ungido” que o profeta ou que o sacerdote, e nem a sua unção lhe concede qualquer prerrogativa de intocabilidade ou infalibilidade.

Vejamos a relação entre os reis e os profetas: Saul, embora intocável, foi repreendido diversas vezes por Samuel, foi ameaçado de perda do reino. Davi, homem segundo o coração de Deus, foi duramente repreendido por Natã quando cometeu adultério e homicídio.

E a relação entre sacerdotes e reis? Não é diferente. O sacerdote Aquimeleque ergueu sua voz e questionou o rei Saul (1 Sm 22). O rei Uzias foi repreendido pelo sumo sacerdote Azarias, e com ele mais oitenta sacerdotes do Senhor (2 Cr 26:16ss), que o repreenderam pelo fato de, engrandecendo-se, querer suplantar a Palavra de Deus.

Ou seja: de onde foi que os "reis da cocada preta do Século XXI" tiraram a ideia que profetas e sacerdotes não podem questioná-los, repreendê-los, confrontá-los, SEMPRE à luz das Escrituras, como faziam os profetas e sacerdotes antigos?

Assim, é possível compreender e contextualizar para nossos dias as palavras de Jesus Cristo: "Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios (teólogos, ou defensores da sã doutrina apostólica) e escribas (blogueiros?); e, a uns deles, matareis e crucificareis; e a outros deles, açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis, de cidade em cidade" (Mt 23:34 - parênteses meus). Os "reis da igreja" continuam a fazer hoje o mesmo que já faziam seus ancestrais do tempo do Mestre!

Dá para compreender claramente que o pastor (ou o rei, como queiram!), embora ungido de Deus, nem é o único ungido da igreja, nem detém a melhor ou mais importante unção e nem esta unção o torna imune às críticas, sempre que a sua conduta se afastar dos princípios da Palavra do Senhor. Portanto, amado pastor, submeta-se ao ministério profético e sacerdotal existente na igreja, antes que, como fez a Saul, o Senhor rasgue de ti o reino que tu PENSAS que é teu!