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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

OS INTOCÁVEIS

Não, eu não me refiro ao filme hollywoodiano, que conta a saga do policial Elliot Ness contra o mafioso Al Capone... Refiro-me a um grupo muito especial existente na igreja evangélica moderna, que muitos afirmam ser intocáveis e inquestionáveis. Dizem que é a Palavra de Deus que assim determina, pois ela é categórica e incisiva quando Deus, no AT, ordena: “Não toqueis os meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas” (1 Cr 16:22; Sl 105:15). Estou falando dos pastores e dos profetas, os ungidos de Deus no meio da igreja nesses últimos dias. 

Segundo aquilo que eu chamo de “Teologia da Intocabilidade”, esta classe especial de ungidos não pode ser confrontada nem questionada, e muito menos podemos exercer-lhes qualquer forma de oposição, quer doutrinária, quer governamental. Afinal, são ungidos de Deus, que governam a igreja segundo a Sua vontade e sob a Sua orientação, por meio da Sua revelação direta! Para este fim, invoca-se firmemente a experiência de Davi quando era perseguido por Saul (1 Sm 24 e 26). Por duas vezes, a Escritura relata que Davi poupou a vida de Saul, pois o considerou ungido de Deus, o que de fato ele era. Mais tarde, o próprio Davi ordenou a morte de um soldado amalequita que alegou tê-lo matado (2 Sm 1:13-16), pois ele ousou matar o ungido do Senhor!


Há muito este movimento protecionista se fomentou em nosso meio. Pregações exaltadas invocam este direito aos pastores, bispos e apóstolos modernos e aos profetas do neopentecostalismo. Já presenciei algumas destas pregações, onde vociferam-se maldições e promessas de juízo divino àqueles que se oporem às idéias, diretrizes, doutrinas e revelações dos “ungidos”, numa clara tentativa de intimidação aos contrários ― na maioria das vezes bem sucedida, pois impõe medo aos ouvintes. Numa destas “pregações”, um famoso pastor norte-americano ― você deve ter um de seus best sellers em casa! ― lança uma série de maldições a seus opositores, maldições extensivas a seus filhos e netos, num claro desconhecimento escriturístico de que os descendentes não pagarão pelos pecados dos ancestrais, segundo Jr 31:29 e Ez 18. Assim, o púlpito da igreja, que deveria ser usado para ensino, conforto e exortação na sã doutrina, está sendo usado em causa própria, para invocar um pretenso direito de intocabilidade, para garantir uma imunidade (a meu ver, seria melhor se chamada “impunidade”) plena a obreiros que não desejam questionamentos de nenhuma espécie, já que dirigem a igreja por meio de revelações inquestionáveis.

Os defensores desta ideia rotulam seus opositores como “rebeldes” e “murmuradores”. Lançam mão das inúmeras passagens bíblicas que apontam para o fim trágico dos que assim agiram no passado (os episódios de Datã, Abirão, Core, Arão e Miriã contra Moisés, e Absalão e Seba contra Davi), e com isto conseguem, na maioria das vezes, abafar as tentativas internas de questionamento. E quando a oposição se origina de fora, dentre os não crentes, os “ungidos” primeiramente trabalham em prol da desmoralização das denúncias (e principalmente dos denunciantes), enquanto assumem a piedosa postura de “perseguidos por amor ao Evangelho”, e ponto final. Por exemplo, se o dirigente de uma igreja é flagrado pela fiscalização secular desviando dinheiro, por mais que haja evidências ou provas contra ele, sua pueril defesa se baseia na afirmação de que está sendo perseguido por incrédulos e infiéis (como se o status de não-crente fosse condição desqualificante!), pelo fato de estar servindo a Deus fielmente, inclusive dando frutos em seu ministério (confundem frutos com resultados... Em breve, postarei alguma coisa acerca disto)... E a maioria engole esta bucha, principalmente as suas “ovelhas”, que partem imediatamente em defesa de seu inocente e perseguido pastor.



Antes de tudo é necessário enxergarmos as diferenças entre oposição e rebelião, pois apesar de parecer se tratar da mesma coisa, são muito diferentes. A oposição é a discordância de um ou mais pontos de vista, sempre no campo das idéias e da conduta; a rebelião transcende as idéias, e passa a ter conotações pessoais, quando, com ou sem oposição, se usurpa uma posição, conspirando contra seu detentor para afastá-lo, destituí-lo ou reduzir-lhe a autoridade. Com a oposição, busca-se convencer alguém de alguma atitude errada, visando correção e mudança de atitude; com a rebelião, não se visa correção, mas sim a tomada do poder ou a derrubada de uma autoridade. A oposição é pública e aberta; a rebelião na ampla maioria das vezes é oculta e velada, planejada na calada da noite. Os opositores não se tornam inimigos, apenas adversários; os rebeldes assumem uma postura de inimizade e disputa ferrenha. É possível conviver pacificamente com opositores; o mesmo é impossível com os rebeldes. É possível se chegar a um acordo com os opositores, mas impossível com os rebeldes. É desnecessário dizer que condenamos veemente e ferozmente qualquer tentativa de rebelião no meio da igreja.


A totalidade dos textos bíblicos usados pelos defensores dos “ungidos” trata, na verdade, de clara rebelião, e não de oposição ou questionamento. Questionar com o intuito de corrigir jamais pode ser tratado como rebelião. Observe-se que os diáconos foram instituídos pelos Apóstolos após uma murmuração dos cristãos gregos contra os judeus (At 6:1-7), o que nos mostra que nem toda murmuração é maligna e diabólica. Outro exemplo clássico de divergência ocorreu ainda no primeiro século, quando os apóstolos e anciãos da igreja se reuniram em concílio para resolver um problema entre dois grupos, em relação à obrigatoriedade da observância da Lei pelos crentes gentios (At 15); mesmo em meio às discussões, foi possível se chegar a um acordo, e a decisão conduziu a igreja a uma unidade de fé. Observamos assim que até mesmo no seio da igreja pode (e deve!) existir a chamada “crítica construtiva”, que poderá ser usada para corrigir ou melhorar condutas e formas de governo. Ainda no AT, Moisés deu ouvidos a uma crítica de seu sogro, e com isso melhorou sua forma de administrar o sistema judiciário em Israel (Ex 18:13-27). Contudo, é inegável que quando o questionamento ou a murmuração têm por objetivo destituir a liderança ou minar-lhe a autoridade de forma covarde e sumária, a situação passa a ser rebelião, tomando uma dimensão totalmente condenável em todos os seus aspectos.


Podemos considerar algumas coisas básicas a respeito da "intocabilidade", à luz da Bíblia:

Primeiro, esta condição foi originariamente dada por Deus aos Patriarcas. Os textos da Escritura que relatam a ordem divina de “não toqueis os meus ungidos” estão inegavelmente contextualizados aos primeiros Pais de Israel (Abraão, Isaque e Jacó), que por sua pouca força e número necessitavam da proteção divina para a sua sobrevivência e para a criação de uma nação. Na vida de Abraão e Isaque vemos Deus guardando a cada um contra arbitrariedades de reis e tiranos da antiguidade. Até por sonhos o Senhor repreendia os perseguidores e protegia seus ungidos (Gn 20:1ss; 31:22-24). Jacó, após a traição de Simeão e Levi contra os filhos de Siquém, recém pactuados e circuncidados como sinal deste pacto, demonstrou preocupação com uma possível represália dos povos vizinhos (Gn 34:30), já que este tipo de quebra de aliança era imperdoável na antiguidade. Mas a proteção divina estava sobre ele e sobre os seus, o que lhes garantiu a sobrevivência.

Segundo, a intocabilidade bíblica aos ungidos, se aplicada aos dias de hoje, se limita à proteção contra mal físico (e nem sempre, já que muitos foram e serão martirizados por amor ao Evangelho!), mas em momento algum concede ao ungido qualquer imunidade em relação a críticas por suas atitudes e idéias equivocadas. Davi, nas duas ocasiões que poupou a vida de Saul, não ousou tocá-lo fisicamente, machucando-o ou matando-o, mas apontou seus erros diante de todos os presentes (1 Sm 24:8-15; 26:13-25). Um ungido de Deus (e na verdade nenhum cristão, independentemente de unção) jamais deve ser morto ou agredido, mas pode ser questionado, pode ter suas ações, idéias e atitudes analisadas à luz das Escrituras e condenadas, caso estejam incorrendo em erro. Sempre no campo das ideias e do debate, e nunca além disto.

Terceiro, em nenhum momento, quer no Antigo ou no Novo Testamento, a Escritura associa a condição de ungido de Deus a qualquer característica de infalível. Somente o dogma católico romano concede ao seu líder supremo, o Papa, a condição de infalibilidade. No meio protestante, não reconhecemos tal dogma, e nem o concedemos a nenhum dos nossos líderes, por mais privilegiados que sejam. Davi compreendia que o fato de Saul ser ungido de Deus não o impedia de cometer erros, e nem proibia ninguém de chamar a sua atenção e repreendê-lo, na tentativa de levá-lo a corrigir suas atitudes erradas. E o texto sagrado o mostra por duas vezes fazendo esta correção verbal a Saul. Nem mesmo a tentativa de Abner de impedir que ele erguesse sua voz surtiu efeito (1 Sm 26:14), mas Davi não deixou de proclamar os erros do ungido, evidentemente de forma respeitosa e educada, mas contundente, chamando-lhe a atenção para seus erros e chamando-o ao arrependimento e mudança de atitudes.

Quarto, questionem-se idéias e ações, e não pessoas. Não podemos em nenhum momento nos posicionar contra o “Pastor Fulano”, e sim contra suas idéias, doutrinas e ações erradas. O maior objetivo deverá ser a correção das atitudes erradas e doutrinas estranhas pregadas pelo “Pastor Fulano”, e não a execração pública da pessoa. Ademais, não é possível que TODAS as suas atitudes estejam completamente erradas: certamente, o “Pastor Fulano” está trabalhando no Reino de Deus, ganhando almas para Jesus, etc. Seu erro pode ser o ensino de uma doutrina errada. E é exatamente contra esta doutrina que devemos nos levantar, e não contra o pastor ou a obra que ele tem desempenhado. Ressaltemos e combatamos o erro, mas analisemos os acertos. Evidentemente, acertos não justificam erros, mas igualmente erros não desqualificam acertos. Todas as facetas devem ser levadas em conta para que não desprezemos ou excomunguemos pessoas, e sim ações erradas.

Quinto, aprendamos com João Batista que não importa a posição do homem; nossa obrigação para com Deus é defender a fé que uma vez nos foi entregue (Jd 2), não importa o que tenhamos que fazer, a quem tenhamos que questionar, o que venhamos a perder, inclusive a nossa própria cabeça (Mt 14:1-12). João não se intimidou diante da posição do rei Herodes, mas corajosamente apontou-lhe os erros, mesmo sabendo que isto poderia custar-lhe a liberdade e a vida. Paulo também não se calou diante dos erros de Pedro, apesar de este ser inegavelmente uma coluna da igreja; contudo, Pedro estava agindo de forma errada, e Paulo não se omitiu em relação a este erro, antes repreendeu a Pedro na presença dos demais (Gl 2:11-14). Em relação a isto, chamamos a atenção para a omissão dos crentes nos dias de hoje. Muitos, com receio de “tocar nos ungidos” omitem-se na defesa da fé genuína. Outros, assumem a posição de Abner, defendendo os “ungidos” com unhas e dentes sem ao menos confrontarem as suas doutrinas, práticas e condutas com a Escritura, como bem faziam os crentes de Beréia (At 17.11). Com estas atitudes, os omissos demonstram que valorizam muito mais as pessoas e suas posições que a Palavra de Deus e a sã doutrina. Graças a esta omissão e/ou a esta defesa cega, os “ungidos” insistem em proliferar falsas doutrinas e práticas erradas em nosso meio. Devemos ter a mesma postura diante da defesa da sã doutrina, nos indignando contra distorções do erro e reagindo diante das falsas doutrinárias e práticas espúrias inseridas no seio da igreja.

Finalmente, nenhum “ungido” está acima das Escrituras. O próprio Paulo, o apóstolo dos gentios, escritor de quase metade dos livros do Novo Testamento, deixou-nos uma orientação clara a respeito disto: “Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu, vos anuncie outro evangelho, além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gl 1:8-9). Ele ainda nos orientou categoricamente a não ultrapassarmos o que está escrito (1 Co 4.6). Ora, se nem mesmo Paulo poderia ensinar um Evangelho distorcido e autoriza uma maldição sobre si próprio, quem somos nós, ou quem são estes “ungidos” que se julgam no direito de distorcer as Escrituras e as regras por elas dispostas para a vida cristã, e ainda de usurpar uma intocabilidade quem nem os apóstolos buscaram para si?

Os questionamentos sempre existiram e devem continuar existindo em nosso meio, numa forma salutar e evolutiva. Os pastores devem incentivar as críticas construtivas, e não abafá-las, numa atitude ditatorial. Um dos maiores objetivos de um pastor deve ser desenvolver nas suas ovelhas a prática da liberdade de opinião e o senso crítico, e não uma postura de passividade e submissão cega. A igreja e sua liderança, afinal de contas, não são perfeitas, e qualquer crítica construtiva que sirva para melhorá-las é válida e aceitável. Moisés aceitou crítica do sogro, e por meio dela melhorou o sistema judiciário de Israel. Os apóstolos aceitaram críticas, e instituíram o diaconato.



Os críticos,por sua vez, devem criticar e julgar de conformidade com a Palavra de Deus, e também devem estar abertos às réplicas, e ambas as partes prontas para reconhecer quando estiverem equivocados, mudando sua conduta. Contudo, as rebeliões, tão comuns nos dias atuais, devem, sim, ser combatidas e extirpadas de nosso meio. E igualmente abolida esta nociva prática de tornar os pastores e líderes intocáveis e imunes a qualquer questionamento, para o bem do Corpo de Cristo.

Encerro transcrevendo as palavras do Pr. Ciro Sanches Zibordi, discorrendo sobre o mesmo tema em seu blog: “Quanto aos que, diante do exposto, preferirem continuar dizendo — presunçosamente e sem nenhuma reflexão — ‘Não toqueis nos meus ungidos’, dedico-lhes outro enunciado bíblico: ‘Não ultrapasseis o que está escrito’ (1 Co 4.6). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda!”.

quinta-feira, 29 de março de 2012

SOBRE PROFETAS, SACERDOTES E REIS

(NÃO TOQUEIS NOS MEUS UNGIDOS, PARTE 2)

No afã de se tornarem imunes a qualquer questionamento ou crítica, muitos “homens de Deus” dos nossos dias abrem suas bocas de forma presunçosa e antibíblica para reivindicar seus direitos de intocabilidade, admoestando seus opositores a que “não toquem nos ungidos do Senhor!” e vociferando pragas e maldições contra quem se atreve a desobedecer à orientação “bíblica”. Aqui em João Pessoa, aonde moro, a mais recente ocorrência foi a de um pastor que, segundo divulgado e corrido à boca miúda, abandonou a esposa e “casou-se” com uma jovem de 16 anos. Como está todo mundo “caindo em cima”, há poucos dias ele subiu ao púlpito de sua igreja para defender o indefensável e exigir o respeito e a imunidade de ungido que acredita possuir. 

Estes “neoungidos” são muito engraçados! Eles se enxergam como ungidos do Senhor, nos moldes da unção ministrada aos primeiros reis de Israel, e graças a esta suposta unção e ao fato de se acharem igualmente reis e sacerdotes da Igreja, julgam-se superiores aos profetas e intocáveis em tudo. Acham que podem pisar na Bíblia, deturpar a sã doutrina e fazer o que bem lhes der na telha. Além de tudo isso, ainda se recusam a ser admoestados ou questionados, como se uma unção do alto lhe concedesse esta prerrogativa de intocabilidade. Será??

Cada macaco no seu galho, certo? Então, é necessário conhecer as três funções ministeriais, que iniciaram no Antigo Testamento e perduram até os dias de hoje do ministério da Igreja na Nova Aliança: profetas, sacerdotes e reis.

OS PROFETAS ― O primeiro ministério criado por Deus em Seu reino foi o ministério profético. Muito antes do estabelecimento da Antiga Aliança Deus já tratava Abraão como profeta, divulgando isto entre as nações (Gn 20:7). Aliás, o texto “não toqueis nos meus ungidos e não maltrateis os meus profetas” trata exatamente dos patriarcas, que necessitavam da proteção de Deus para a sua sobrevivência e para a formação de um povo. Quando Deus fala a Moisés que ele, Moisés, seria diante de Faraó como Deus e Arão como seu profeta (Ex 7:1) mostra que o profeta é uma espécie de porta-voz de Deus. O porta-voz jamais fala suas próprias palavras, e sim repete as palavras de Deus em linguagem compreensível ao povo, muito diferente de muitos “profetas” de hoje, que falam coisas arrogantes, coisas que Deus não mandou falar e que contrariam frontalmente os princípios da Palavra de Deus. Some-se a isto os controversos "atos proféticos", onde o homem profetiza o que bem quer, segundo a sua própria vontade, como se a profecia fosse um ato humano sobre as quais Deus tem que concordar, e não um mero repetir das palavras ditas por Deus!

Na igreja, o ministério profético perdura como um dom do Espírito Santo (1 Co 12:8-11; 12:29) ou como um ministério de chamada da Igreja à observância da Palavra (Ef 4:11). Seu ministério se revela no âmbito espiritual, através da revelação do Espírito Santo acerca de coisas futuras (At 11:28; At 21:10-11), ou no âmbito ministerial, no aspecto de corrigir erros e distorções em relação às Escrituras (Gl 2:11; At 8:18-24). Há outros aspectos, mas que não trataremos neste artigo.

Se observarmos que os profetas do AT geralmente profetizavam o arrependimento do povo, sua volta à prática daquilo que Deus determinou em Sua Palavra com regra de vida, conduta e prática, podemos considerar que tal ministério na Igreja não perdeu a característica apologética. Assim, aqueles a quem Deus concedeu o conhecimento das Escrituras e a intrepidez para defender a sã doutrina é um profeta de Deus na defesa da Palavra.

OS SACERDOTES ― O ministério sacerdotal foi criado com o advento da Antiga Aliança. Arão e seus descendentes foram escolhidos por Deus para ministrarem todos os ofícios de mediação entre os homens e Deus. Com o advento de Jesus Cristo, que embora não fizesse parte do ministério levítico tornou-se sacerdote e mediador da Nova Aliança, Ele se tornou o ÚNICO mediador entre Deus e o homem (1 Tm 2:5), de sorte que nenhum sacerdócio, por melhor ou mais privilegiado que seja, pode exigir a prerrogativa que pertence unicamente ao Filho de Deus. Quando Deus, pelos méritos da Nova Aliança em Cristo Jesus, nos constituiu sacerdotes (Ap 1:6; 5:10), eliminou a necessidade de sacerdotes no meio da Igreja. Os pastores não são sacerdotes no sentido de mediação; são apenas guias do rebanho, aqueles que Deus designou para cuidar das ovelhas dEle e procurar desenvolver em cada uma delas o ministério sacerdotal que Deus deu a todos.

OS REIS ― O ministério real se aplica a pessoas especiais, escolhidas e ungidas por Deus para governar o Seu povo. Seria, a grosso modo, o pastor da Igreja, que é posto diante do povo para administrar, conduzir e ensinar o povo como devem viver, aos moldes da Palavra de Deus. É a pessoa que Deus colocou para zelar pela observância das Escrituras. Se observarmos a vida de muitos reis, vemos que Deus os ungiu e colocou em evidência para que pudessem preservar a observação da Palavra de Deus. Saul foi rejeitado após desobedecer à Palavra, mesmo que com a melhor das intenções (1 Sm 15:12-31). Logo, é fácil compreender o dito popular que afirma que “de boas intenções o inferno está cheio”. Não foi dado ao rei o direito de ter boas intenções, e sim o dever de zelar pelo cumprimento da Palavra do Senhor. Eis o grande problema. Nem todos querem se submeter aos reais propósitos ministeriais de ungido...

ENTENDENDO AS COISAS ― Com o advento da Nova Aliança, as coisas mudaram! A Escritura afirma que Deus constituiu os crentes como reis e sacerdotes (Ap 1:6; 5:10), e a alguns como profetas (Ef 4:11; 1 Co 12:28-31).

Num sentido mais contextualizado das coisas, comparando estes três ministérios aos poderes da República, Deus é o poder legislativo (o único que pode ditar leis e normas, e que já o fez através das Escrituras), o rei seria o presidente (poder executivo), os sacerdotes e os profetas seriam o poder legislativo no sentido de fiscalização dos atos do executivo, e nunca no âmbito de criar novas leis e normas para o povo de Deus. Só Ele tem esta prerrogativa!

Se analisarmos as funções no Antigo Testamento, vemos que cada ministério tem a sua abrangência, e se completam entre si. Além do mais, um não pode ministrar as obras dos outros, e ao mesmo tempo um depende dos outros, e aos outros deve estar submisso 

Vejamos: o rei Saul foi reprovado por ter apresentado sacrifícios a Deus, que era da exclusiva competência de Samuel, juiz (precursor dos reis), profeta e sacerdote naquele conturbado período de transição entre o ministério dos juízes e a implantação da monarquia (1 Sm 13:8-14). O rei Urias foi severamente repreendido porque queria fazer a ministração sacerdotal, e por causa desta desobediência foi ferido com lepra (2 Cr 26:16-21). 

É interessante observar que NENHUM rei em Judá ou Israel, exceto Saul (1 Sm 10), Davi (1 Sm 16) e Jeú (1 Rs 19:16), foram ungidos. Estes três e suas unções são razão de um outro artigo, mas posso adiantar que a unção de Saul e Davi se deu em função da transição entre o ministério de Samuel e a implantação do reino (inclua-se aí a rejeição de Saul e a eleição de Davi), e a de Jeú como quebra de uma dinastia em Israel e a aniquilação da casa de Acabe.

Também é bom entender que não é somente o rei que é ungido do Senhor. Tanto os profetas quanto os sacerdotes também detêm a mesma unção divina, e jamais podem ser considerados inferiores aos primeiros. Ou seja: reis, vocês não podem se considerar os únicos ungidos do pedaço! O primeiro passo para que a unção real seja aceita em vocês, é o reconhecimento da unção existente nos profetas e sacerdotes!

Analisando o ministério real em comparação com os ministérios sacerdotal e profético, vemos que o rei está sempre sujeito à repreensão destes dois representantes de Deus. Ele não é mais “ungido” que o profeta ou que o sacerdote, e nem a sua unção lhe concede qualquer prerrogativa de intocabilidade ou infalibilidade.

Vejamos a relação entre os reis e os profetas: Saul, embora intocável, foi repreendido diversas vezes por Samuel, foi ameaçado de perda do reino. Davi, homem segundo o coração de Deus, foi duramente repreendido por Natã quando cometeu adultério e homicídio.

E a relação entre sacerdotes e reis? Não é diferente. O sacerdote Aquimeleque ergueu sua voz e questionou o rei Saul (1 Sm 22). O rei Uzias foi repreendido pelo sumo sacerdote Azarias, e com ele mais oitenta sacerdotes do Senhor (2 Cr 26:16ss), que o repreenderam pelo fato de, engrandecendo-se, querer suplantar a Palavra de Deus.

Ou seja: de onde foi que os "reis da cocada preta do Século XXI" tiraram a ideia que profetas e sacerdotes não podem questioná-los, repreendê-los, confrontá-los, SEMPRE à luz das Escrituras, como faziam os profetas e sacerdotes antigos?

Assim, é possível compreender e contextualizar para nossos dias as palavras de Jesus Cristo: "Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios (teólogos, ou defensores da sã doutrina apostólica) e escribas (blogueiros?); e, a uns deles, matareis e crucificareis; e a outros deles, açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis, de cidade em cidade" (Mt 23:34 - parênteses meus). Os "reis da igreja" continuam a fazer hoje o mesmo que já faziam seus ancestrais do tempo do Mestre!

Dá para compreender claramente que o pastor (ou o rei, como queiram!), embora ungido de Deus, nem é o único ungido da igreja, nem detém a melhor ou mais importante unção e nem esta unção o torna imune às críticas, sempre que a sua conduta se afastar dos princípios da Palavra do Senhor. Portanto, amado pastor, submeta-se ao ministério profético e sacerdotal existente na igreja, antes que, como fez a Saul, o Senhor rasgue de ti o reino que tu PENSAS que é teu!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

NÃO EXISTE PASTOR UNGIDO

Atenção, Ungidos!! Atenção, seguidores de ungidos!! Vocês precisam assistir ao vídeo aí...




GENIZAH levantou a bola. Eu só cabeceei...