quarta-feira, 25 de setembro de 2013

LENÇOS E AVENTAIS

Levantou-se um questionamento provocado por um dos meus artigos, mais precisamente UNÇÃO COM ÓLEO, que trata sobre a prática de ungir não só enfermos, mas qualquer pessoa. Respeitosamente, fui perguntado (já que o texto pode dar a entender que não creio na unção com óleo) acerca de objetos "ungidos" citados pela Bíblia. O texto em questão é:

"E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia maravilhas extraordinárias, de sorte que até os lenços e aventais se levavam, do seu corpo, aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam" (At 19:11-12).

Um dos questionamentos levantados foi se estes lenços e aventais não seriam "ungidos"... E aí??

Primeiramente, quero deixar claro (mais uma vez!) que sou Pentecostal, não cessacionista, 100% adepto do SOLA SCRIPTURA. Creio na cura divina. Creio no dom espiritual de CURAS (1 Co 12:9b), mas 
creio que, a despeito de possuir ou não este dom espiritual, QUALQUER CRENTE pode orar pelos enfermos, e que Deus, por Sua misericórdia e de conformidade com a Sua vontade, pode curar qualquer doença, de uma simples dor na unha até um câncer em estado terminal (e isto até cessacionistas também creem)! Creio na unção com óleo, restrita AOS ENFERMOS e ministrada unicamente pelos PRESBÍTEROS, o que pode ser visto no artigo citado acima. Ou seja, creio naquilo que a Bíblia prescreve. Somente. E mais nada! Não creio nas invenções humanas de sair ungindo tudo, pessoas, animais e objetos, indiscriminadamente, fora do que a Escritura prescreve e orienta.

Segundo, quero parabenizar ao irmão (que não citarei seu nome, por questões éticas) pela educação com que se dirigiu a mim em seu justo questionamento, e pelo seu interesse bereiano de contestar, julgar, inquirir e prescrutar qualquer ensino à luz das Escrituras. Isto é bíblico, e louvável (At 17:11). Que o amado continue assim, e que outros se inspirem em sua conduta, e façam o mesmo!

Isto posto, voltemos ao caso!

O texto bíblico em questão retrata o poder do Espírito Santo na vida dos Apóstolos. Tal poder emanava de tal forma que lenços e aventais usados por Paulo ERAM LEVADOS AOS ENFERMOS, e a simples presença do tecido, ou o colocar do tecido sobre os enfermos e endemoninhados (suposição, visto que o texto não afirma tal at
itude), trazia-lhes a cura e a libertação. Isto é fato. Está narrado nas Escrituras, e não pode ser absolutamente questionado.

Entretanto, alguns detalhes devem ser apresentados, para que não haja dúvida sobre o ocorrido, e se o mesmo era prática comum na Igreja, se era tratado como norma de conduta na Igreja Primitiva.


Em primeiro lugar, o livro de Atos é um livro histórico, e não uma epístola doutrinária, de sorte que não vemos nestas práticas razão para doutrina. Muitos tomam certas passagens do livro de Atos e estabelecem doutrina, como por exemplo "o conselho de Gamaliel", relatado em Atos 5:34ss.
"Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que, por um pouco, levassem para fora os apóstolos, e disse-lhes: Varões israelitas, acautelai-vos a respeito do que haveis de fazer a estes homens, porque antes destes dias, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém: a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada. Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas, também, este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos. E agora, digo-vos: DAI DE MÃO A ESTES HOMENS, E DEIXAI-OS, porque, SE ESTE CONSELHO E ESTA OBRA É DE HOMENS, SE DESFARÁ, MAS SE É DE DEUS, NÃO PODEREIS DESFAZÊ-LA, PARA QUE NÃO ACONTEÇA SERDES TAMBÉM ACHADOS COMBATENDO CONTRA DEUS. E concordaram com ele" (At 5:34-40 - grifos meus).

De acordo com Gamaliel, douto fariseu, qualquer grupo que não pudesse ser detido era sinal da aprovação de Deus. Ora, Gamaliel não era nem crente! Assim, como levar uma palavra dita por um incrédulo como fonte de de doutrina? Como entender que alguém só poderia doutrinar se falasse pelo Espírito Santo, enquanto Gamaliel, não cristão, não tinha o Espírito? Trata-se, portanto, de uma NARRATIVA. Assim como a Bíblia relata até as palavras de satanás, ou de homens maus como Pilatos, Herodes e outros mais, também relatou as palavras de Gamaliel, JAMAIS dando a elas qualquer status de palavras divinas.

Ademais, o que dizer de falsas seitas que crescem a olhos vistos, até mais que o Evangelho verdadeiro, e que nunca puderam ser detidos, à luz do conselho de Gamaliel, como Espíritas. Mórmons, Testemunhas de Jeová, Budistas. Muçulmanos etc?
 Todas estas são campeãs de crescimento, nunca foram detidas, mas nem por isso têm a aprovação divina... Ou tem???

Outro exemplo de "doutrina" extraída de Atos é o "batismo em nome de Jesus". Algumas igrejas, mormente as Unicistas (que não creem na Trindade) não batizam de conformidade com a fórmula disposta em Mateus 28:19 por interpretarem erroneamente os textos de Atos que supostamente ensinam uma fórmula batismal "em nome de Jesus". Entretanto, os escritos dos pais da Igreja demonstram que a Igreja Primitiva NUNCA usou fórmula batismal diferente da que foi prescrita pelo próprio Senhor no evangelho de Mateus.

Repetimos: o livro de Atos NÃO É DOUTRINÁRIO, nas narrativo. Apenas conta a história da Igreja no 1º Século, sem se preocupar em prescrever doutrina.


Em segundo lugar, QUAL ERA O CONTEXTO SÓCIO-RELIGIOSO DA COMUNIDADE EM QUESTÃO? Analisemos o próprio texto bíblico, sem esquecermos de ANALISAR O CONTEXTO!!

Os fatos em questão se passaram em Éfeso, região extremamente mergulhada em misticismo e idolatria, adoradores da deusa Diana (ou Artemis). A continuação da leitura do capítulo deixa muito bem transparecer esta condição espiritual:

"E muitos dos que tinham crido vinham, confessando e publicando os seus feitos. Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos, e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinquenta mil peças de prata. Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia" (Atos 19:18-20). 
O que vemos no texto imediatamente posterior da narrativa acerca do uso dos lenços e aventais é que se tratava de uma comunidade imersa em feitiçarias e práticas ocultistas. Ou seja, a prática de levar tais lenços e aventais muito provavelmente adveio da sua cultura ocultista e animista. Não nos parece, absolutamente, uma boa ideia mesclar a doutrina cristã da cura com práticas pagãs!

Em terceiro lugar, observamos pelo texto em questão (At 19:11-12) que os enfermos não iam à Igreja BUSCAR tais lenços e aventais; era algo que as pessoas levavam até eles, a pedido do enfermo ou por sua própria iniciativa, já que almejavam a cura e libertação do amigo ou parente. O texto parece-me muito mais nos mostrar [1] pessoas doentes, impossibilitadas de ir à Igreja buscar cura ou [2] pessoas não cristãs, que deliberadamente não iam à Igreja, e por estes motivos seus parentes cristãos levavam tais peças de vestuário às suas casas.

Em quarto lugar, em momento algum, em lugar algum, a Escritura afirma que estes lenços e aventais passavam por qualquer "unção" com óleo, ou que os apóstolos oravam sobre eles, impunham-lhes as mãos ou promoviam qualquer ritual com o intuito de transferir-lhes poderes de cura. 

Em quinto lugar, tais lenços e aventais eram levados MAS NÃO ERAM VENDIDOS pelos apóstolos ou por qualquer outro representante da Igreja! Ou seja, não havia comércio dos lenços ou dos aventais ungidos, como acontece clara e abertamente nos dias de hoje. Os Apóstolos levavam a sério o princípio do "de graça recebestes, de graça dai" (Mt 10:8). Tomemos como exemplo o caso de Simão, o mágico, que tentou comprar o poder do Espírito Santo, e foi severamente repreendido por Pedro (At 8:18-24).

Não podemos jamais dizer que Deus não age através de um lenço ou avental. Mas também não podemos dizer que tais curas, ocorridas com a "ajuda" de objetos, seja algo divino. Conhecemos inúmeros casos de curas através deste expediente, mas tais curas NÃO SÃO privilégio das "igrejas evangélicas". Já vimos católicos, e até candomblecistas, serem curados através de objetos, o que nos mostra o poder curativo da sugestão. A cura não significa a aprovação divina!

Observemos alguns pontos importantes sobre o uso de aventais e lenços...

[1] Os lenços e aventais de Paulo não eram "ungidos". Eram peças de seu uso pessoal, que sem qualquer unção com óleo eram levados aos enfermos. Paulo não os usava com a intenção de enviá-los aos doentes (pelo menos, o texto bíblico nada afirma sobre isso), como muitos "curandeiros" fazem nos dias de hoje.

[2] Os lenços e aventais não eram vendidos! Não há nas Escrituras NENHUM relato de venda de qualquer objeto que emanasse poder! Se eu estiver errado, que me apresentem textos bíblicos relatando algum objeto sendo vendido, tendo da boca dos apóstolos qualquer indicação de que detinham poder.

[3] Não se fala na Escritura que os apóstolos ungiam, ou consagravam, ou transferiam poder para objetos ou peças de vestuário, para serem posteriormente usados em cura ou exorcismo. O texto apenas relata o que as pessoas comuns faziam, e não prescreve tal ato como prática recomendada.

[4] Tal ato não se transformou em DOUTRINA para a Igreja. Paulo ou qualquer apóstolo não INCENTIVAVA tal ato. Simplesmente as pessoas faziam, mas não havia ensino apostólico para que isso fosse feito, e o fato de "dar certo" não fez com que tal prática fosse recomendada em local nenhum das Escrituras. É pecado fazer? Não. É pecado considerar como doutrina e prática comum? Acredito que sim.

É importante ainda lembrar que, na ocasião em que tal costume era praticado, a Igreja estava "engatinhando", em seus primeiros anos de vida... Não havia ainda a Escritura, que se tornou no futuro a regra de fé e prática para a Igreja. A regra, antes do fechamento do cânon, era o ensino unificado dos Apóstolos, a Doutrina dos Apóstolos (At 2:42), e em momento algum vemos os apóstolos ensinando ou fomentando a prática de usar lenços e aventais como "auxiliares" na cura. É de se esperar que, num momento aonde a Escritura não existia para ensinar e prescrever doutrina, pessoas supersticiosas associassem suas superstições à fé cristã, o que mais adiante, nas Escrituras, é corrigido, com o ensino do certo a se fazer. Sobre o assunto, pessoas enfermas, mais tarde a Escritura prescreve: "Está alguém entre vós doente? chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite, em nome do Senhor; E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados" (Tg 5:14-15), deixando -- agora sim! -- DOUTRINA para toda a Igreja!

No Antigo Testamento, vemos uma história aonde um "objeto catalisador de poder" não funcionou, embora tenha sido enviado pelo próprio profeta Eliseu (2 Rs 4).  O texto relata:

"E ele [Eliseu] disse a Geazi: Cinge os teus lombos, e toma o meu bordão na tua mão, e vai; se encontrares alguém, não o saúdes, e se alguém te saudar, não lhe respondas: e põe o meu bordão sobre o rosto do menino ... E Geazi passou adiante deles, e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não havia nele voz nem sentido: e voltou a encontrar-se com ele, e lhe trouxe aviso, dizendo: Não despertou o menino" (2 Rs 4:29-31).
Devia-nos servir de exemplo para não confiarmos em "objetos de poder"...

A orientação de Tiago, observada no âmbito da REVELAÇÃO PROGRESSIVA, diz-nos o seguinte: "
Está alguém entre vós doente? [Ao invés de levar um lenço ou um avental até ele] chame os presbíteros da igreja...". Uma visita pastoral traz, além da cura, uma palavra de salvação, ao doente e aos seus familiares, que muitas vezes não vão à Igreja... Assim, transforma-se uma visita de cura em uma visita de pregação da Palavra e de salvação...

Acima de tudo, trata-se de MATURIDADE entender o que é um texto narrativo e um texto prescritivo na Escritura, e perceber quando um texto é literal ou simbólico. Ora, observemos:
  • Jesus disse claramente: "Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a, e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca, do que seja o teu corpo lançado no inferno" (Mt 5:29-30). Entretanto, não vejo mutilados nas Igrejas, e nem vejo ninguém incentivando estas automutilações, embora esteja escrito, tenham sido palavras do próprio Jesus!
  • Paulo mandou Timóteo beber um pouco de vinho para obter a cura para os seus problemas gástricos (1 Tm 5:23), e nem por isso tomou-se tal texto como doutrinário, e nem vemos nenhum "pastor" em nossos dias prescrevendo o uso de vinho para a cura, embora a Escritura mencione o conselho de Paulo!
  • Jesus cuspiu no chão, fez lodo, e com este lodo curou um cego (Jo 9:6), e nem por isso fazemos isso para curar cegos nas Igrejas!
  • Naamã foi ensinado, para ser curado de lepra, a mergulhar sete vezes no Jordão (2 Rs 5), e nem por isso se estabeleceu que para se obter cura para problemas dermatológicos são necessários sete mergulhos em um rio, mar, piscina ou açude! 

Assim, observamos que o bom senso continua sendo uma máxima oculta sempre presente no texto da Bíblia!

Não discordo do poder de Deus, e nem da multiforme operação do Senhor. Por Sua vontade, o milagre pode ocorrer por diversos meios, inclusive por meio de lenços, aventais e peças de roupa usados por homens e mulheres de Deus. Entretanto, essa NÃO É a prática prescrita nas Escrituras. E O CRENTE MADURO SEMPRE IRÁ PREFERIR A FORMA BÍBLICA, e desprezar a forma comum e sincrética! Funciona? Em muitos casos, sim. Mas não seguimos O QUE FUNCIONA, mas o que DEUS deixou escrito!

Finalmente, DISCORDO VEEMENTEMENTE de qualquer ofício religioso que seja praticado por dinheiro. Discordo do uso da unção com óleo fora dos propósitos da Escritura. Discordo que obreiros do Senhor estimulem o "animismo gospel", enxugando o suor com toalhinhas de forma proposital, para vendê-las como objetos de poder. Sigamos a Escritura e o bom senso! Voltemos ao Evangelho!!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

ENTREVISTAS E ENTREVISTADOS


A guerra está declarada! Mais uma guerra santa se deflagra entre as duas principais igrejas “evangélicas” neopentecostais brasileiras, e a maior estratégia de ataque tem sido a tentativa de desmoralizar uma a outra, uma atribuindo ao diabo e aos demônios o que acotece na outra e vice e versa. Esta guerra sem fim se trava entre igrejas que são idênticas em condutas e doutrinas, mas que uma insiste em dizer que é melhor que a outra, e pode ser presenciada pela tevê e pela internet, em embates quase diários.

A maior batalha desta guerra se dá no “campo espiritual”. Pessoas endemoninhadas são entrevistadas ao vivo, em exorcismos estranhos e questionáveis, aonde o demônio dá seu depoimento a respeito da outra igreja, sempre atribuindo a si a condução litúrgica, doutrinária e até a direção dos líderes da outra igreja...

O mundo espiritual existe desde os primórdios da humanidade, quando o próprio Satanás, utilizando-se da serpente, enganou o primeiro casal e levou-o à queda. No Antigo Testamento, pouco ou quase nada se fala acerca dos demônios, mas somente no advento de Cristo este mundo espiritual começou a ser desvendado, com sinais e maravilhas manifestos através de exorcismos feitos pelo Senhor Jesus e pelos seus discípulos (Mt 10:8; Mc 1:34; Lc 10:17).

O livro de Atos relata uma experiência vivida por Paulo, quando o mesmo se viu frente a frente com o demônio e precisou tomar uma atitude em relação ao ocorrido: E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se, e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu.” (At 16:16-18).

De acordo com o texto bíblico, Paulo passou por uma situação ímpar. Por mais que os demônios busquem afastar o homem perdido do caminho da salvação e desmoralizar a Palavra de Deus, o espírito que possuía e dominava aquela jovem dava testemunho de que Paulo e seus companheiros eram homens de Deus e pregavam a mensagem da salvação eterna. Mas o que mais chama a atenção no ocorrido é a reação do apóstolo diante do que a endemoninhada falava, já por vários dias a fio. Paulo não entrevistou o demônio. Paulo nem deu atenção ao que ele dizia pela boca da jovem possessa. Paulo não se utilizou da valiosa ajuda demoníaca à pregação do Evangelho. Ele simplesmente expulsou o demônio, conforme mandou o Senhor Jesus Cristo (Mt 10:8).

O apóstolo aos gentios age de forma completamente oposta aos “pastores”, “bispos” e “apóstolos” da atual igreja “evangélica” tupiniquim. Ele dispensa ao demônio um tratamento totalmente diferente do que é dispensado aos demônios em determinadas igrejas que alegam praticar exorcismos. Basta ligar a tevê nos programas patrocinados por estas igrejas para vermos exorcismos acompanhados de entrevistas com os demônios, aonde todo o tempo do mundo é dado a estes seres caídos para que falem o que bem entenderem, e suas declarações são recebidas como a mais pura expressão da verdade!

Imagino se o que aconteceu com Paulo em Filipos acontecesse em nossos dias, nestas citadas igrejas neopentecostais. Se um endemoninhado entrasse em uma destas igrejas e o demônio afirmasse que os pastores, líderes, bispos, apóstolos e semideuses que conduzem aquele ministério “...anunciam o caminho da salvação, e são servos do Deus Altíssimo”, qual seria a atitude em relação a este acontecimento? Não tenho dúvidas que o endemoninhado seria conduzido ao “palco” e o demônio seria extensamente sabatinado sob a luz dos holofotes e o foco das câmeras, entre gritos ufanos de “Está vendo, Igreja?? Ele está dando testemunho acerca de nossa Igreja e de nossa liderança!! Quero ver quem depois disso vai dizer ainda que Deus não está em nosso meio”, e outras frases do mesmo quilate...

O fato é que o diabo e seus demônios têm ganhado um grande e valioso espaço no suposto culto a Deus — muitas vezes um espaço muito maior que o espaço dado ao próprio Deus! Além de serem valorizados, suas palavras nas “entrevistas” concedidas a exorcistas inescrupulosos são acatadas no mesmo patamar de autoridade que a Bíblia. A voz dos demônios transformou-se na voz da verdade que se deseja propagar no meio da Igreja.

Em primeiro lugar, vemos que o ato de entrevistar o demônio em si é uma conduta não embasada pela Bíblia. Não vemos tais entrevistas serem conduzidas pelo Senhor Jesus ou pelos apóstolos. Jesus não mandou que entrevistássemos os demônios, mas que os expulsássemos! Além disso, observamos nas Escrituras que o Senhor Jesus pautava muito mais pela expulsão dos demônios sem que eles dissessem qualquer palavra, mandando muitas vezes que se calassem (Mc 1:25; 1:34).

Observamos ainda que estes tele-exorcistas se estribam no texto de Lucas 8:26-34, quando Jesus supostamente entrevista uma legião de demônios que dominavam o gadareno, julgando que a Escritura dá-lhes autoridade e liberdade para CONVERSAR com os demônios durante e expulsão dos mesmos. Entretanto, o texto não é permissivo para esta conduta, e sim instrutivo. Como já explanamos, o Antigo Testamento pouco ou quase nada ensina acerca de demônios, de sorte que os discípulos precisavam ser instruídos no assunto, tomar conhecimento de quantos demônios era possível de se alojar em um único ser humano. Na ocasião, Jesus faz UMA, somente uma pergunta aos demônios que possuíam o gadareno para que os presentes pudessem compreender que não há limites em uma possessão demoníaca em relação à quantidade de espíritos malignos. O Senhor Jesus limita-se a perguntar-lhe o nome; não há longas entrevistas, as palavras do demônio não são levadas em consideração para ensino, e sim o fato de serem muitos atormentando um único homem, assim como em Maria Madalena havia sete demônios (Lc 8:2), assim como após a expulsão de um demônio o mesmo pode retornar ao mesmo homem acompanhado de outros sete piores (Lc 11:24-26). Aqui temos ensino, e não o modus operandi de um exorcismo.

O fato de darmos atenção ao que os demônios afirmam e considerarmos suas falas como se fossem verdades absolutas é terrivelmente perigoso, e afasta o homem dos verdadeiros fins da Igreja: o louvor a Deus, a oração e a pregação da Palavra. Parece que os que praticam tais exorcismos pirotécnicos se esquecem que o diabo é o pai da mentira (Jo 8:44), e os demônios por conseqüência seguem o mesmo padrão do seu pai. Entretanto, ao se dar ouvidos à voz de espíritos enganadores e permitir que eles tenham voz e vez na Igreja, estamos subtraindo tempo que poderia e deveria estar sendo dedicado ao ensino da Palavra verdadeira.

Finalmente, o próprio diabo está sendo exposto na Igreja a ridículos que a Bíblia não autoriza que façamos. Judas, o irmão do Senhor, fala em sua curta epístola acerca de “homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo... estes, semelhantemente adormecidos, contaminam a sua carne, e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades. Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem” (Jd 1:4-10). Ora, se nem mesmo um arcanjo submeteu Satanás a entrevistas e expedientes humilhantes, qual a autoridade que possuímos para tal? Estamos, porventura, insatisfeitos com o poder de expulsar o demônio, e queremos fazer desta expulsão um espetáculo pirotécnico dentro da Igreja?

O exorcismo é tarefa da Igreja, ou de qualquer crente, que detém autoridade sobre os espíritos imundos. Entretanto, não podemos jamais levar o exorcismo para níveis não permitidos ou não dispostos nas Escrituras. Às Igrejas que o usam para promoverem-se a si mesmas, conduzindo os demônios mentirosos a vociferarem contra as suas igrejas desafetas e seus líderes, deveriam acima de tudo abandonar as práticas antibíblicas e voltar ao Evangelho de Jesus Cristo e dos apóstolos, que em nenhum momento davam espaço aos demônios, mas tão somente à Palavra de Deus!

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ELIAS, O TISBITA, E SILAS, O MALAFAIA


(Ou, minha resposta ao desafio do pr. Silas Malafaia, lançado aos "blogueiros filhos do diabo", para que provem que ele está errado em abraçar a "teologia" da prosperidade)

Primeiramente, antecipo: s
ou uma pessoa avessa aos desafios, mormente os religiosos. Eles não são fruto de pessoas inteligentes, pois os desafios são vias de mão dupla, e os desafiadores ignoram esta verdade. O prerrequisito de um bom desafio é que ambas as partes deveriam estar prontas e dispostas a ouvir, analisar os argumentos e refutações, e a parte errada deve estar disposta a mudar, retratar-se. Ou seja, uma espécie de aposta: quem perder, perde! Não parece ser o caso do ilustre televangelista, que descobriu uma mina de ouro na teologia da prosperidade e está muito mais disposto a enfrentar qualquer Zé Bobão que esteja firme no propósito de permanecer fiel às Escrituras e à Doutrina dos Apóstolos... Portanto, qualquer blogueiro que aceitar o desafio saiba de antemão: mesmo que sejam dadas TODAS AS REFUTAÇÕES BÍBLICAS, o desafiante demonstra que não está nem um pouco disposto a reconhecer a falácia desta “teologia”, e muito menos abandoná-la. Eu, entretanto, se me provarem nas Escrituras que a minha postura está equivocada, não vejo nenhum problema em me retratar. 

Nunca vi um destes desafios produzir qualquer mudança, pois o desafiante jamais admite estar errado, mesmo quando refutado à luz da Escritura e esclarecidas todas as dúvidas pertinentes. Perde o desafio, mas não se convence! É refutado, mas não se arrepende! Vê que está errado, mas não muda de atitudes e opiniões! Não tem como contra-argumentar ou replicar, mas não se entrega! Lembro-me de uma Testemunha de Jeová com quem debati na minha juventude. Mostrei na Bíblia dele, na "Tradução do Novo Mundo", que a Trindade existe e que não somente 144 mil iriam para o céu, mas todos os salvos. Ele, atônito, me disse ao fim do debate (quando não dispunha de mais argumentos): “Estou lendo na minha Bíblia, mas ainda não acredito!”. Mudar de direção quando confrontado com a verdade é para poucos, e para grandes.

A maioria dos desafios são burros em sua gênese! Lembro-me de alguns deles, lançados ao Senhor Jesus: “E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães [...] Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra [...] Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4:1-9). “E os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça  e dizendo: Tu, que destróis o santuário e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; SE ÉS FILHO DE DEUS, DESCE DA CRUZ.   De igual modo também os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: a outros salvou; a si mesmo não pode salvar. Se é Rei de Israel, DESÇA AGORA DA CRUZ, E CREREMOS NELE” (Mt 27:39-42 – grifos meus). Agradeço a Deus por Jesus não ter se perturbado com a ignorância dos desafiantes. O propósito de Deus em Cristo não era convencer o diabo ou os judeus de que Ele era Filho de Deus, e sim levar a cabo o propósito de sacrificar-Se a Si mesmo para salvar toda a humanidade.

O único desafio que julgo digno de menção e de atenção foi o lançado por Elias, descrito no primeiro livro dos Reis:

Então disse Elias ao povo: Eu, só, fiquei, por profeta do Senhor, e os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta homens. Dêem-se-nos, pois, dois bezerros, e eles escolham para si um dos bezerros, e o dividam em pedaços, e o ponham sobre a lenha, porém, não lhe metam fogo; e eu prepararei o outro bezerro, e o porei sobre a lenha, e não lhe meterei fogo. Então invocai o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor: e há de ser que, o deus que responder por fogo, esse será Deus. E todo o povo respondeu, e disseram; É boa esta palavra....” (1 Rs 18:22-24).

Elias representava a minoria. Só ele (pelo menos até então ele ainda não sabia da existência de outros sete mil homens fieis, que talvez representassem no máximo 1% da população do país) permanecera firme no propósito de servir ao Senhor, ao passo que todos os outros O deixaram e seguiram outros deuses, pois lhes era mais conveniente. Qualquer semelhança com a igreja de nossos dias não e mera coincidência, aonde a “teologia da prosperidade”, que nunca foi pregada por Cristo, pelos apóstolos ou pelos pais da Igreja, se alastra pelos quatro cantos da terra. Não há UMA ÚNICA RELIGIÃO do mundo que prega a riqueza material e a prosperidade financeira como bênção absoluta de Deus; somente os cristãos adeptos da teologia da prosperidade! E os que se levantam contra esta teologia antibíblica são a minoria, a escória, os incrédulos, os Manés e os Zé-Bobões. A Igreja se tornou uma multidão de profetas de Mamon, e contra esta multidão uns poucos fieis precisam lutar diuturnamente.

Elias condenou o coxear de toda uma nação, indecisa entre dois pensamentos: servir a Yahweh ou servir a Baal. Subentende-se que Elias era uma pessoa firme em um único pensamento! Quanto aos pregadores da atualidade, há tempos atrás pregavam CONTRA esta doutrina nefasta, mas ao usufruírem de suas benesses financeiras deram as mãos a ela. Negaram a fé original e primitiva, assim como os falsos profetas de Baal e Asera, que deixaram o Senhor, abraçaram outros deuses e não tinham o menor interesse de voltarem a servir ao Deus verdadeiro, pois dispunham do sustento e da proteção de Jezabel (1 Rs 18:19). São até piores que os sacerdotes de Baal e Asera, que abandonaram o Senhor e assumiram sua apostasia, enquanto que os modernos querem servir a Deus e a Mamom ao mesmo tempo, acender uma vela para Deus e outra para o diabo, conciliar o inconciliável (Mt 6:24; 1 Jo 2:15-17)! Se o Senhor é Deus, sigamo-nO; se Baal é deus, sigamo-no; se Mamon é deus, sigamo-no. Faz-se mister parar de coxear entre dois ou mais deuses, mas não dá para seguir a todos ao mesmo tempo, pois são antagônicos! Infelizmente, a teologia da prosperidade tenta unir os Yahweh e Mamon, que a Bíblia categorica e definitivamente afirma não se unirem...

Elias conclamava a nação inteira a servir a Deus, e somente a Ele.  Jesus deixou claro que não era possível servir a Deus e a Mamom, mas a teologia da prosperidade quer afirmar exatamente o contrário. O centro do culto, o fim das ofertas, dos louvores, das campanhas e de tudo mais se tornou o RECEBER, o GANHAR, o SER ABENÇOADO, o PROSPERAR. Ao se ofertar R$ 911 para um determinado Ministério, ganhamos não somente uma bela Bíblia, mas também a ABSOLUTA CERTEZA de que Deus irá nos abençoar financeiramente.

Elias não chamava ninguém a uma nova fé, uma nova visão de Deus, e sim à visão antiga.  Sua batalha contra os profetas falsos era mostrar ao povo que os seguia que só o Senhor é Deus, e reconduzi-los ao antigo, e não ao novo! Eis o grande problema dos predadores, digo, pregadores da teologia da prosperidade: trazer o novo, aquilo que nem Cristo e nem os seus imediatos trouxeram ao mundo. Não há registros históricos de que a Igreja primitiva e os pais da Igreja dos primeiros Séculos, ou mesmo os Reformadores, pregavam qualquer coisa sequer PARECIDA com o que se prega hoje através da teologia da prosperidade! Trata-se de uma nova visão, capitalista e consumista, que tem por objetivo ofuscar e eliminar a antiga, a visão bíblica. Desde a antiguidade Deus admoesta seu povo: “Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele, e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos” (Jr 6:16; 18:15). A teologia da prosperidade é a antítese do chamamento dos profetas, que sempre conclamaram o povo a retornar às veredas antigas e praticar as primeiras obras. É a negação da volta ao primeiro amor cobrado por Cristo à igreja de Éfeso (Ap 2:4) e da admoestação ao anjo da igreja de Laodiceia (Ap 3:17), que se gabava: “rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”, mas o Senhor deixou claro que na verdade ele era “desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”. Não existe comparação melhor a se fazer a muitos pastores e igrejas da atualidade, uma vez que seu maior objetivo é enriquecer, e muitas vezes sob o argumento de pregar o Evangelho com esta riqueza, mas as mansões, os jatinhos, os carrões e as fazendas mostram outra realidade!.

Elias restaurou o altar de Deus que estava quebrado. Em completo desuso, qualquer objeto tende a se deteriorar. Naquela época, ninguém o usava, e nos dias de hoje permanece sem usá-lo, pois os maiores altares são os gazofilácios, os boletos e os débitos bancários. Há muito se deixou de se servir a Deus para servir-se a si mesmos! Ninguém dá mais uma oferta; semeia-se, esperando de antemão receber cem vezes mais! Blasfema-se assim do Senhor, julgando que Ele se compra por dinheiro!!

Desculpa, pr. Silas. Não vou perder meu tempo assistindo seu programa para ver se a teologia da prosperidade que pregas é bíblica (as evidências, a Bíblia, a história da Igreja e o bom senso demonstram claramente que não é, embora te recuses a enxergar o óbvio que enxergavas perfeitamente há alguns anos). Não tenho o menor interesse de aceitar seu desafio. Ele é somente mais um desafio de tolos, como a grande maioria dos desafios, como os que foram lançados ao Senhor Jesus pelo diabo e pelos principais sacerdotes. Muitas pessoas boas dentre os “blogueiros endemoninhados e hereges”, como chamas os profetas que Deus levantou para te admoestar e conduzir ao caminho antigo, te darão a resposta que pedes e mereces, te mandarão refutação bíblica e histórica para esta execrável teologia que abraçastes. Lamento que, como é de teu costume, não darás ouvidos a eles, nem considerarás a misericórdia divina revelada através das admoestações que eles te fazem. Antes, darás ouvidos a falsos profetas (estrangeiros e nativos), à concupiscência pela riqueza e à soberba da vida. E por mais que esta concupiscência e esta soberba sejam cheias de boas intenções (pregar o evangelho — qual deles mesmo?), de boas intenções o inferno está cheio! Os fins não justificam os meios! Mateus 7:21-23 que o diga!!

Permaneço orando por ti e por teu Ministério, na esperança que te deixes alcançar pelas Escrituras, pelo bom senso e pelo arrependimento. Este é o meu desafio para ti.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SE É DE DEUS, VAI SE CUMPRIR!

Você já deve ter ouvido esta frase nos círculos pentecostais e neopentecostais... Embora soe precisamente como um versículo extraído da 2ª Epístola do profeta Erezias, torna-se pouco a pouco mais uma das verdades gospel de nossos dias, daquelas que não estão na Bíblia por uma falha de Deus, pois deveriam estar!

Você acaba de receber uma profecia vinda da boca de um dos muitos “profetas” que pululam por aí. Ainda um pouco cético acerca do que lhe foi entregue em nome do Senhor, você cria coragem e diz: “― Se é de Deus, vai se cumprir!”, e se sente como se tivesse dado uma tapa no rosto do “profeta” caso a mensagem entregue não tenha sido de Deus...

Não canso de repetir: sou Pentecostal bíblico (daqueles que creem firmemente que o Espírito que nos foi dado no Pentecostes não contradiz o que está escrito, daqueles que, à moda de Beréia, vão às Escrituras para ver se as coisas são mesmo assim!), creio em profecias e respeito os profetas. Já fui alvo de muitas mensagens vindas de Deus, as quais se cumpriram para a glória do Senhor. Mas já fui também “vítima” de outro tanto, que não se cumpriram. Perdi as contas das chaves de carro que já recebi “das mãos do Senhor”, e nenhuma me chegou às mãos até hoje... Certo “profeta” me mandou certa vez cavar um buraco de uns 3 metros de profundidade em minha sala de visitas, pois havia um tesouro enterrado lá! Será?? Pelo sim, pelo não, nem me dei ao trabalho de tal escavação!!

Não podemos fechar os nossos olhos para o FATO de que falsos profetas existem. Desde os tempos do Antigo Testamento eles são citados; Já nos tempos de Samuel, inquestionável profeta do Senhor, as Escrituras mostram que seus filhos e naturais sucessores no ofício sacerdotal e profético não andavam pelos mesmos caminhos que o pai (1 Sm 8:5). A Bíblia relata ainda que nos tempos do profeta Mica havia muitos falsos profetas, e nos dá inclusive seu número: quase quatrocentos (1 Rs 22:1-28), todos profetizando vitória, mas só Mica trouxe a verdadeira Palavra do Senhor, contrariando a todos. A palavra de um profeta do Senhor nem sempre é agradável...

Nos tempos de Jeremias também havia falsos profetas que profetizavam libertação do jugo da Babilônia, a ponto de ele precisar enfrentar um de nome Hananias (Jr 28). Após o relato deste confronto e a morte do falso profeta, o Senhor fala por sua boca, dizendo: “Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que sonhais: Porque eles vos profetizam falsamente em meu nome: não os enviei, diz o Senhor” (Jr 29:8-9).

No Novo Testamento não é diferente, e embora raramente sejam citados nomes, tanto o Senhor como os apóstolos alertaram que muitos falsos profetas já se espalhavam pelo mundo (Mt 24:3-11; 1 Jo 4:1; Ap 2:20), exortando-nos à vigilância constante.

A frase “se é de Deus, vai se cumprir” além de ser extrabíblica é antibíblica e extremamente perigosa! É da mesma origem herética de “se a cura vier, é de Deus”, ou “se cair e levantar transformado, foi Deus”, esta última defendida por um famoso telepastor tupiniquim no polêmico caso da “unção do cai-cai”. A coisa não é bem assim! Pode haver cura, e não ser de Deus! Pode haver transformação pós-cai-cai, e não ser Deus! Pode se cumprir a palavra profética, e não ser de Deus!

Um grande exemplo disso eu tenho no seio de minha família. Um irmão consanguíneo buscou em médicos e até mesmo em Igrejas a cura de um glaucoma sério, que o estava levando à perda da visão. Encontrou a cura em um centro espírita kardecista. Cura total, através de uma “cirurgia espiritual”! Conheço outros exemplos de curas em ambientes católicos romanos e até mesmo candomblecistas. Obviamente, estas curas não vieram de Deus, e ainda conseguiram a façanha de afastar os beneficiários das curas do Evangelho da Graça de Deus... E aí?? Se a cura vier, é de Deus mesmo??

Ainda nos tempos de Moisés, o Senhor já alertava Seu povo: “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e AO SUCEDER O TAL SINAL OU PRODÍGIO, de que te houver falado, lhe disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; NÃO OUVIRÁS AS PALAVRAS DESTE PROFETA ou sonhador de sonhos; porquanto O SENHOR, VOSSO DEUS, VOS PROVA, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma. Após o Senhor, vosso Deus, andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis. E AQUELE PROFETA ou sonhador de sonhos MORRERÁ, pois falou REBELDIA CONTRA O SENHOR vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, PARA TE AFASTAR DO CAMINHO que te ordenou o Senhor, teu Deus, para andares nele: assim TIRARÁS O MAL DO MEIO DE TI” (Dt 13:1-5 grifos meus).

A verdade é que se for de Deus se cumpre, mas nem tudo o que se cumpre prova que era de Deus! Principalmente quando:

1.     A PROFECIA VAI DE ENCONTRO ÀS ESCRITURAS, CONTRARIANDO-AS – Certa vez um profeta “profetizou” que eu e minha esposa iríamos viajar, mas para locais diferentes, para fazermos a obra de Deus, só que separados! Só nos reencontraríamos depois de um ano! Ora, conhecendo muito bem a minha natureza carnal e meu apetite sexual, e considerando mais ainda as Escrituras que prescrevem acerca do casamento que “Não vos afasteis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência” (1 Co 7:5), rejeitei rapidinho aquela “palavra profética”!

2.     A PROFECIA NOS LEVA A FAZER ALGO CONTRA A VONTADE DE DEUS – Conheço muitos casamentos fracassados, casais que moram debaixo do mesmo teto cheios de amargura porque deram ouvidos a “profetas” que profetizaram que um era o escolhido para o outro. Casaram com as pessoas erradas, sem ao menos se darem ao trabalho de namorar e noivar por um tempo suficiente para se conhecerem um ao outro... É bem possível que você, que lê este artigo, se enquadre nesta situação terrível...

3.     A PROFECIA NOS AFASTA DE DEUS – É o caso típico do “profeta” citado por Moisés... A profecia se cumpre e o “profeta” ganha fama e status... Com a autoridade que este status lhe confere, começa a ensinar doutrinas e práticas estranhas à Bíblia. Passamos a dar mais ouvidos à voz do “profeta” do que à voz do Senhor, principalmente a disposta nas Escrituras; afinal, o cara profetiza e se cumpre! É a prova de que Deus está com ele!! Ledo engano! Este é o caso mais comum em nosso meio. Um sinal dado por um falso profeta, quando se cumpre, concede a glória ao PROFETA, e não a Deus, e ele passa a ensinar e passar para a Igreja aquilo que as Escrituras não ensinam, ou exatamente aquilo que as Escrituras nos mandam evitar a todo custo! Não é exatamente isso que mais tem ocorrido em nossos dias?

A postura de um crente não é falar tal frase, e sim, ao menor sinal de quaisquer destas características confrontar o “profeta” com as Escrituras! Fazê-lo passar vergonha mesmo! Talvez assim, após pagar um mico-leão-dourado do tamanho do King Kong, os falsos profetas criem um pouco de temor de Deus, tomem vergonha na cara e deixem de falar bobagens e mentiras em nome do Senhor!

Os DETRANs de todo o Brasil já ensinam há muitos anos, em placas nos acostamentos das nossas rodovias: “NA DÚVIDA, NÃO ULTRAPASSE”. Isto nos remete inexoravelmente à orientação paulina de que “não ultrapasseis o que está escrito” (1 Co 4:6). A verdade é que SE É DE DEUS, PRIMEIRO VAI CONCORDAR COM AS ESCRITURAS;  DEPOIS, SE CUMPRIRÁ. Simples assim!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

MUITO CUIDADO COM A BÍBLIA!

E disse-lhe [o diabo]: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.” (Mt 4:6-7)

A Bíblia é o livro mais fantástico que conheço! Trata-se de uma coletânea de 66 livros, que começou a ser escrita aproximadamente em 1600 aC e foi concluída em meados de 100 dC. Ao contrário de uma infinidade de livros que foram o "pontapé inicial" de suas religiões, que foram escritos por uma única pessoa, a Bíblia foi escrita por aproximadamente 40 pessoas diferentes, de níveis acadêmico-culturais diferentes e em épocas diferentes da História, A despeito disso, preserva uma unidade doutrinária fabulosa e inexplicável.

Como o motor de um veículo, formado por várias e diferentes peças que funcionam em perfeito sincronismo, seus livros, inspirados por Deus em revelação progressiva (pena que os opositores do texto sagrado não entendem isto, principalmente o significado de revelação progressiva! E muitos que se dizem "crentes" o acompanham...), desvendam os mistérios divinos que são capazes de ser compreendidos pelo homem, revelando à humanidade o caminho que Deus espera que ela trilhe na tarefa de voltar-se para Ele. 

É o livro mais amado do mundo, e também o mais odiado. Por séculos tentaram exterminá-lo, em processos implacáveis de perseguição. Os próprios cristãos proibiram e impediam sua leitura. Foi queimado em praça pública, teve sua publicação proibida e seus editores perseguidos, presos e mortos. Tudo em vão! Mas não acabou: em nossos dias, existem vertentes que se dizem cristãs que, a despeito disto, procuram desmoralizá-la, considerando-a obsoleta e cheia de erros, elegendo livros superiores a ela. 

Independentemente de ser ou não um livro de origem divina, é o único que eu conheço que tem o poder de mudar a vida de seus leitores, e se mais algum livro tem este poder transformador, certamente é um subproduto da Bíblia, com mensagem principal extraída das suas idéias e doutrinas. Bandidos, assassinos, estupradores e homens da pior espécie tiveram suas vidas completamente transformadas quando passaram a viver de conformidade com seus ensinos (embora muitos opositores afirmem que tal coisa seja impossível). Só por este motivo, era para este Livro ser bem mais reconhecido pela humanidade. 

A franca maioria dos opositores da Bíblia, entretanto, jamais se deu ao trabalho de lê-la ou tentar compreendê-la de forma isenta e séria. Até mesmo entre os que depositam alguma credibilidade nela, não encontramos o devido respeito; ela é mais tratada como um amuleto do que como uma regra de conduta. Jamais é lida, mas é mantida aberta, geralmente no Salmo 23 ou 91, em lugar de destaque em salas de estar e escritórios. Uma minoria até lê suas palavras, mas procura apenas passagens que lhes são agradáveis e “fáceis de digerir”, e as usam como se fossem mantras ou palavras mágicas, que têm o poder de satisfazer as suas vontades e quereres. 

Uma das maiores benesses da Reforma Protestante foi colocar a Bíblia nas mãos do povo, em sua própria língua, e dar o direito ao crente de interpretá-la. Neste aspecto, até os não-protestantes hoje se beneficiam dos atos do Protestantismo, pois até o clero católico, que no início foi perseguidor implacável, hoje permite a seus fieis possuir e ler a Bíblia. 

Entretanto, a Bíblia para ser usufruída em sua plenitude precisa de alguns passos de seu leitor, que são o respeito, a leitura, a interpretação e a prática. Destas, fica difícil precisar a mais importante, embora a prática seja indispensável (Mt 7:24-27; Tg 1:22-25). Contudo, o ponto nevrálgico é a interpretação! Ela não pode ocorrer de qualquer maneira, ao bel prazer do leitor. A interpretação da Bíblia é regida por algumas diretrizes óbvias, dentre as quais merece destaque a chamada Regra de Ouro da Hermenêutica: A Bíblia é explicada pela própria Bíblia. Neste aspecto, é necessário que se tenha muito cuidado com ela! Sem a observação mínima desta regra, a Bíblia pode se tornar um livro perigoso! 

Recentemente, assisti ao filme O LIVRO DE ELI (recomendo a todos!), que trata de uma história fictícia que se passa após uma guerra nuclear de proporções mundiais que destrói quase que completamente o planeta e a humanidade. Eli (interpretado por Denzel Washington) atravessa os Estados Unidos trazendo consigo um livro misterioso, o último exemplar existente no planeta. Ao tomar conhecimento do fato e descobrir que o livro em questão era a Bíblia, o vilão da história decide matar Eli e se apoderar do seu livro, pois, segundo ele, através deste livro e de suas palavras seria possível controlar e dominar toda a humanidade. 

A vida real imita a arte, e a ficção toca a realidade. Em busca de poder eclesiástico, a coisa funciona mais ou menos como no filme. Embora existam milhões, bilhões de exemplares deste Livro e ninguém jamais pense em matar alguém para se apoderar de um único exemplar místico, a interpretação e ensino deste Livro feitas de forma incorreta e inescrupulosa proporciona a muitos líderes da atualidade dominar seus rebanhos, montar impérios e amealhar fortunas, ensinando princípios contrários ao espírito que permeia todo o Livro. Afinal, a Bíblia não é um amontoado de versículos para serem usados estrategicamente, de forma isolada, com o objetivo de concordar com o que queremos ou pensamos. Se fosse assim, seria possível provar biblicamente qualquer coisa, até contestar a existência de Deus! É exatamente assim que as seitas constroem suas doutrinas heréticas: provando com textos isolados aquilo que lhes interessa. Mas graças a Deus não é assim.

A Bíblia é uma unidade perfeita. O seu contexto é quem determina a sua interpretação. Usar as palavras da Bíblia fora de seu contexto foi um dos erros cometido pelo diabo por ocasião da tentação do Senhor Jesus no deserto, após 40 dias de jejum. Na ocasião, o tentador se aproveitou de versículos isolados (Sl 91:11-12) e interpretou-os a seu bel-prazer, para induzir o Senhor ao erro. Mas nosso Mestre demonstrou, ao diabo e a nós, que um versículo isolado não é o cerne da Bíblia, e sim a sua unidade, e que um texto isolado não pode contradizer nem destruir esta unidade. Deus não demonstra Sua vontade em textos isolados, mas na unidade bíblica. O importante não é o mero “está escrito”, mas o “também está escrito”! 

Portanto, é necessário tomar muito cuidado com a Bíblia! Não com a Bíblia per si, mas sim com a forma como ela é tratada e ensinada, com a forma satânica (largamente utilizada pelos homens) de usá-la fora de seu contexto, para tentarmos estabelecer as nossas verdades em detrimento da verdade divina disposta nas Escrituras! 

Cuidado com líderes que tentam manipular a verdade bíblica, como se ela pudesse ser manipulada pelas suas vontades pessoais, pelos seus “achismos” e conclusões.

Cuidado com quem quer estabelecer suas vontades, buscando aniquilar o querer divino disposto na unidade da Bíblia. 

Cuidado com versículos isolados, que são analisados e interpretados sem se considerar a unidade das Escrituras! Não se esqueça jamais da Regra de Ouro da interpretação. A Bíblia interpreta a Bíblia, e nesta tarefa ela jamais se contradiz! 

Cuidado com a falsa autoridade de quem afirma “Está escrito!” sem se dar ao trabalho de analisar o que TODA a Bíblia afirma sobre o assunto, principalmente o Novo Testamento, pois sob suas diretrizes a Igreja cristã se baseia como regra doutrinária e de conduta. 

Procuremos seguir o exemplo dos crentes de Beréia (At 17:11), que tudo o que ouviam de Paulo apóstolo, confrontavam com as Escrituras para comprovar se o ensino estava correto, ou se não se tratava de argumentação contrária à Palavra de Deus! Se Paulo, o grande apóstolo dos gentios, não estava imune a este crivo, também nenhum outro homem está, por mais privilegiado que seja! 

Quando alguém tentar te convencer de uma “verdade bíblica”, antes de se curvar diante de argumentos baseados no mero “está escrito”, lembre-se do Senhor Jesus e não despreze o “também está escrito”. Muito cuidado com a Bíblia! Ou melhor, muito cuidado com o que se diz sobre a Bíblia! 

Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu.” (Sl 119:59)


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

ENTENDEU, OU VAI DEIXAR PARA DEPOIS?


"Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço, não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois" (Jo 13:7)


Já ouvi muitas pessoas afirmando que os sinais, os ensinamentos, os milagres e maravilhas que não compreendemos, devemos ficar calados, e não "tocar nos ungidos", pois depois compreenderemos, no futuro. Hoje mesmo me citaram este texto da Escritura, na tentativa de justificar um "milagre" que não dá para entender qual o seu propósito. Assim como o diabo citou a escritura para Jesus em Sua tentação, e Jesus rebateu com um sonoro "Também está escrito", sinto-me no dever de esclarecer o assunto.

Lamento, mas esta não é uma interpretação coerente com a Escritura.

1. O contexto não ensina tal ideia do "entendimento posterior". Jesus, como Mestre e Senhor dos apóstolos, se preparava para lavar-lhes os pés, tarefa dos mais inúteis dos escravos, aqueles que não eram aptos para mais nada senão as tarefas mais indignas (limpar latrinas, jogar o lixo, lavar os pés dos senhores e suas vistas etc). Pedro, evidentemente, recusou-se a aceitar tal lavagem, e Jesus então lhe disse que ele não entendia O QUE ELE FAZIA AO LAVAR SEUS PÉS naquele momento, mas entenderia depois. O caso aplica-se ao fato de que Pedro não compreendia o fato de Jesus lavar seus pés, e não seus ensinos ou milagres. Ao lermos um texto e tentarmos usá-lo para justificar nossas crenças, nunca devemos esquecer do seu contexto.

2. Os milagres não são para serem discernidos depois, e sim imediatamente. Ora, se um cego passa a enxergar miraculosamente após uma oração de um servo de Deus, o que vamos entender depois? O mesmo se aplica à ressurreição de um morto, à transformação de água em vinho, à purificação de um leproso etc. Tais milagres precisam ter propósito, e serem coerentes com a Escritura e a sã doutrina. Estes sinais e milagres devem promover O REINO, e nunca a Igreja (denominação) ou o operador do milagre, nem deve ser usado para a obtenção de benefícios, como ofertas ou coisas semelhantes.

3. A ações e ensinamentos de um homem de Deus devem ser discernidas in loco, na hora, ao vivo e a cores! Paulo, doutrinando a Igreja acerca do uso dos dons espirituais na Igreja, orienta que "falem dois ou três profetas, e os outros julguem" (1 Co 14:29); este julgamento é na hora, e deve ser feito de acordo com a Escritura e com a sã doutrina. Nada a ser entendido depois.

4. Aplicando a milagres e ensinos, o "entenderás depois" só pode ser cogitado no sentido de "alguns não compreenderam o que viram, ou não entenderam o que foi-lhes ensinado, e este entenderá um dia"; afinal, alguns têm uma certa dificuldade de compreensão, e isto é normal. Mas quando Deus faz uma obra em nosso meio, milagre ou ensino, a Igreja compreende. Os mestres, os profetas, entendem, e esclarecem as ovelhas.Ou seja, a maioria compreende, e tem por tarefa levar toda a Igreja à compreensão.

5. Cuidado com profecias ininteligíveis! "Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim, também, vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar" (1 Co 14:8-9). Deus não é Deus de confusão, e não vai trazer à Igreja profecias ininteligíveis. Este negócio de "é mistério, irmão" é antibíblico, não tem apoio na sã doutrina. E o mesmo se aplica à ideia de "entenderás depois".

Que Deus nos ajude a compreender o óbvio!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

VOCÊ CRÊ PORQUE JÁ VIU, OU CRÊ PORQUE ESTÁ ESCRITO?

"Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram" (Jo 20:29).

"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Rm 10:17).

O experimentalismo tem se tornado uma praga em nosso meio. Desde os tempos de Tomé, é preciso que se VEJA antes de se crer em alguma coisa. Aquilo que VEMOS, TESTAMOS e EXPERIMENTAMOS torna-se assim a fonte, a origem de nossa fé.

Quando eu tinha meus oito a dez anos, não sei por que cargas d'água me interessei por culinária. Cheguei a tentar fazer alguns bolos, e evidentemente nenhum dava certo, embora eu seguisse a risca as receitas (hoje, eu sei que não seguia). Desisti, pois nada dava certo, e o mundo perdeu por causa do meu experimentalismo fracassado um promissor chef de cuisine

As receitas só podiam estar erradas! Ora, uma delas dizia que com 20 minutos de forno ficava pronto, mas eu retirava o bolo do forno nos exatos 20 minutos, e ele ainda estava cru ou murcho! Assim sendo, a minha EXPERIÊNCIA comprovava por A + B, e por C - D, que a receita estava errada! Nunca me passou pela cabeça que o FORNO poderia estar com defeito, ou que alguma das minhas medidas de ingredientes pudesse estar erradas. Ora, eu coloquei TRÊS XÍCARAS de farinha de trigo. Mas afinal, qual o tamanho destas xícaras??

O experimentalismo na fé não é diferente. Só acreditamos no que vemos. Se vemos, então está certo! Não importa o que diz a Bíblia. EU VI COM MEUS PRÓPRIOS OLHOS, e posso comprovar que é verdade! A Bíblia diz que tem que ser com ordem e decência, mas o "profeta" lá da esquina da minha casa faz sem nenhuma ordem e decência, e o milagre acontece!! Logo, a Bíblia está errada, e o "profeta" tá certo!

Lamento, mas entre os meus bolos murchos e crus, e a receita, FIQUE COM A RECEITA.

Vejo crentes defendendo o neopentecostalismo, o uso sem qualquer ordem ou decência dos "dons" porque, dizem eles, "FUNCIONA! Eu VEJO TODOS OS DIAS na minha Igreja"... Vejo cessacionistas defendendo o fim dos dons porque A HISTÓRIA E OS FATOS NOS ENSINAM que os dons cessaram por completo entre o 3º e o 4º Séculos... E O LIVRO DE RECEITAS, o que diz? E quem é mais experimentalista, o neopentecostal ou o cessacionista?


Queridos... Sigam o Livro! É mais seguro do que seguir a vista!! Paulo apóstolo afirma que "andamos por fé, e não por vista" (2 Co 5:7). Outra coisa: jamais julgue uma doutrina pelos seus seguidores, principalmente pelos mais fanáticos e arrogantes. Busque o equilíbrio! Desconfie de tudo o que você VÊ e COMPROVA, e creia no que ESTÁ ESCRITO. Afinal... Você já viu alguma pessoa que PROVE que, após sua morte, foi salva? Não?? E por que, então, você continua acreditando no CÉU e na VIDA ETERNA? Porque está na Bíblia??? Ah, você entendeu! Que bom!