terça-feira, 8 de novembro de 2016

A IGREJA É UM HOSPITAL, E NÃO UM TRIBUNAL


"A igreja é um hospital, e não um tribunal!", muitos gritam a plenos pulmões. Isso mesmo! Grito junto com vocês, junto minha voz à de vocês, faço coro convosco! 

Você já foi a algum hospital na condição de paciente? Eu já fui! Há alguns anos contraí uma pneumonia e precisei ser internado. Passei 4 dias por lá... E posso descrever o que é um hospital!

Odeio agulhas, mas me enfiaram algumas no corpo. Pra começar, um "acesso" (agulha para soro), por onde seriam administrados os medicamentos intravenosos. Várias vezes coletaram meu sangue para exames, em local diferente do "acesso". Quando este "acesso", por duas vezes, saiu da veia, teve que ser recolocado, mesmo sob meus protestos! Na última vez, foi preciso que me aplicassem um sedativo! 

Odeio remédios, mas me deram vários, e alguns eram amargos e provocavam efeitos colaterais. 

Odeio injeções, mas me prescreveram uma que devia ser aplicada no músculo, de 12 em 12 horas, tratamento que se estendeu ainda por uma semana após a alta. 

Odeio dietas, mas me prescreveram uma, que durou todo o período de internação e ainda se estendeu por mais algum tempo. 

Odeio comida de hospital, mas não me deram a opção de pedir que me trouxessem, de casa ou de algum restaurante, uma comidinha melhor, mais bem temperada, mais apetitosa ao paladar. Tive que comer a comida sem sal, pouco tempero e de baixas calorias. Sem falar na quantidade reduzida de comida que me era servida! 

Odeio ficar parado, mas passei 4 dias de cama, de onde só saía para ir ao WC, e até a posição que eu deveria dormir foi o médico quem determinou (quase sentado, tronco a no mínimo 45 graus)! 

Odeio receber ordens e me submeter a proibições, mas na época eu era fumante, e não só me proibiram fumar no hospital, como me exigiram parar de fumar na convalescença, sob a pena de piorar e ter que me internar novamente! 

Concordo com você! A igreja é hospital. Lá você não faz o que quer, não come o que quer, não ouve o que quer! Lá você se submete a um tratamento, e este tratamento não é determinado por você! Lá, você é paciente e passivo! E se for preciso, vão abrir teu corpo, extirpar tumores, amputar membros e outras coisas mais, sempre para o seu bem! 

O problema não é a Igreja ser hospital, mas sim você, que é o paciente, não se submeter ao tratamento! É uma pena que a maioria das pessoas que se achegam à Igreja, acreditam estar entrando em um hotel 6 estrelas, no sistema "all inclusive"... O problema é que as pessoas que gritam "a Igreja é hospital!" geralmente não admitem que os médicos diagnostiquem suas doenças (pecado) nem se submetem ao tratamento!

Sim, a Igreja é hospital. E você? É um paciente? 

"... pastores que a si mesmos se apascentam... " (Jd 12).

quarta-feira, 15 de junho de 2016

O ALTAR DE ACAZ, E OS ALTARES DO GÓ$PEL

"Então o rei Acaz foi a Damasco encontrar-se com Tiglate-Pileser, rei da Assíria. Ele viu o altar que havia em Damasco e mandou ao sacerdote Urias um modelo do altar, com informações detalhadas para sua construção. O sacerdote Urias construiu um altar conforme as instruções que o rei Acaz tinha enviado de Damasco e o terminou antes do retorno do rei Acaz. Quando o rei voltou de Damasco e viu o altar, aproximou-se dele e apresentou ofertas sobre ele. Ofereceu seu holocausto e sua oferta de cereal, derramou sua oferta de bebidas e aspergiu sobre o altar o sangue dos seus sacrifícios de comunhão. Ele tirou da frente do templo, dentre o altar e o templo do Senhor, o altar de bronze que ficava diante do Senhor e o colocou no lado norte do altar. Então o rei Acaz deu estas ordens ao sacerdote Urias: "No altar grande, ofereça o holocausto da manhã e a oferta de cereal da tarde, o holocausto do rei e sua oferta de cereal, e o holocausto, a oferta de cereal e a oferta derramada de todo o povo. Espalhe sobre o altar todo o sangue dos holocaustos e dos sacrifícios. Mas utilizarei o altar de bronze para buscar orientação". E o sacerdote Urias fez como o rei Acaz tinha ordenado" (2 Rs 16:10-16).

Nada do que está escrito no Antigo Testamento está ali gratuitamente; antes, tem um significado, uma preciosa lição e um princípio a ser observado pela Igreja, nestes últimos dias (Rm 15:4)! Parece que o relato acima tem função apenas de informar o acontecido, já que o texto não emite parecer de juízo acerca do fato, não diz se isso foi ou não agradável ao Senhor. E nem precisava! Todo o Tabernáculo e suas peças e mobiliário foi dado por Deus, com a expressa admoestação de que nada fosse feito diferente do que fora mostrado a Moisés no monte (Ex 25:40)! Assim, qualquer alteração, qualquer troca de mobiliário, qualquer troca de altar, é obviamente desaprovada por Deus. Davi, quando trouxe a arca para Jerusalém décadas antes, inventou de trazê-la em um carro novo, guiado por bois. Isto custou a vida de Uzá!

Entretanto, o altar que Acaz viu em Damasco era belíssimo! Aliás, muito mais funcional que o altar de holocaustos que estava no Templo! Assim, em nome da modernidade, da praticidade e de outros argumentos lógicos, o que impedia que fosse adotado no Templo, no culto a Yahweh? Nada! Só o apego das pessoas ao antigo, e o preconceito em relação ao novo... Assim sendo, retiraram o altar dos holocaustos, deixando-o de lado, e adotaram o belo e suntuoso altar de Damasco, aonde passaram a ser feitos os holocaustos do culto em Judá!

O povo de Deus tem sede e fome de imitar as coisas que vê no mundo! Embora haja fortes e terríveis admoestações de que não devemos imitar o mundo (Tg 4:4; 1 Jo 2:15-17), e no Antigo Testamento haja fortíssimas admoestações para Israel não se mesclar aos seus vizinhos por causa de sua idolatria, práticas pagãs e costumes contrários aos princípios que Deus queria instituir no meio de Seu povo, a Igreja tornou-se especialista em mesclar as coisas de Deus com as mundanas. 

Falamos mal dos reis antigos, pois quase todos fizeram "o que era mau aos olhos do Senhor", e andamos pelos mesmos caminhos maus! Assim, quando vemos uma banda "Gó$pel" idêntica a uma banda "do mundo", quando vemos costumes dos crentes idênticos aos costumes do mundo, quando vemos os conceitos mundanos substituindo os conceitos da Palavra de Deus, nada mais vemos que o reflexo da depravação do homem, que existia nos reis antigos e existe nos crentes de hoje, que sempre buscam agradar o mundo, imitar o mundo, ser honrados pelo mundo, ser reconhecidos e elogiados por ele, mesmo que ao altíssimo custo de desagradar a Deus. 

Então, o homem usa de artifícios para justificar seu pecado e sua desobediência! Qualquer desculpa justifica! Assim como Acaz viu um lindo altar, e o trouxe ao templo, os Acazes de nossos dias acham lindas as festas juninas, e a trazem para a Igreja! Acham lindas as baladas, atrativas para os jovens, e a trazem à Igreja! O objetivo da Igreja é ser parecida com o mundo, a sua cara! Mas o que vale é que estão ganhando almas!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

UMA RESPOSTA AO ALEXANDRINO: Uma Réplica em Defesa de Sob os céus da Escócia

O tão anunciado artigo sobre o livro “Sob os céus da Escócia (2015)” da lavra do Rev. Alan Renê de Lima foi finalmente publicado. Em primeiro lugar, analisando particularmente seu conteúdo, tive a impressão (isso só percebe quem conhece o livro) que o articulista leu a obra, mas não entendeu sua proposta. Além do mais, que ele não tenha gostado do livro isso restou claramente evidenciado e é até um direito que lhe assiste. Por outro lado, e com máxima distinção, igualmente evidente que não o entendeu. Todavia, como ele se esforça para descredibilizar o livro, sobretudo no tocante às fontes, julgo ser interessante logo de início tecer algumas considerações a respeito. Portanto, afirmações equivocadas de menor gravidade, como minha qualificação como ministro da Igreja Episcopal Carismática, serão deixadas de lado.

O articulista parece estranhar não apenas as fontes, mas igualmente os eventos envolvendo profecia preditiva, curas inexplicáveis e ressurreições informados no livro. Com efeito, todos os relatos carreados em Sob os céus da Escócia, são registros históricos extraídos de fontes reformadas e calvinistas, escritas por autores igualmente reformados e calvinistas. Gente séria que angariou reputação ilibadíssima, tais como John Howie, Theodore Beza, Robert Fleming, London Gardner, Patrick Hamilton, Peter Hume Brown, Patryck Walker, Alexander Smellie, et al. Todavia o articulista manifesta seu inconformismo talvez porque tais relatos confrontem sua posição teológica. As fontes das quais me utilizo, foram utilizadas pelos Drs. Lloyd-Jones, bem como pelo Dr. Ian Murray em The Puritan Hope (Banner of Truth, 1971) e outros tantos escritores reformados. O uso de tais relatos não ficou restrito aos séculos 16, 17 e 18. Em um de seus livros, Lloyd-Jones diz que

houve um homem chamado John Welsh que era tão reformado e tão calvinista como seu sogro, John Knox. Foi dito dele - e há boa prova disso num livro escrito por um escritor igualmente reformado e calvinista - que, quando ele residia no sul da França, foi usado para ressuscitar uma mulher dentre os mortos. [...] Ou considerando o dom de profecia, façamos uso da ilustração. Tome de novo o caso de John Welsh, ou de outro grande ministro da Escócia, Alexandre Peden. Se vocês lerem as biografias desses homens, verão que eles puderam proferir profecias de eventos que aconteceriam na Escócia - e que de fato aconteceram.[1]

A diferença substancial entre os apontamentos do Dr. Lloyd-Jones e os apresentados em Sob os céus da Escócia é que dou nome aos protagonistas, enquanto Jones apenas menciona fatos. Ele fala da ressureição, enquanto eu, informo ao leitor outros dados históricos como detalhes que o envolvem, à semelhança da ressurreição do Lorde Ochiltree, pelas mãos de Welsh.[2] Dou vida e precisão histórica aos relatos citando profecias nos ministérios de John Welsh, John Knox, George Wishart, Alexander Peden, John Davidson, Richard Cameron, Robert Bruce e John Semple. São indubitavelmente oito respeitáveis ministros. Não há na minha lista nenhum louco ou fanático. Todos homens que amavam a Palavra e pregavam-na com todo ardor. Contudo, profetizaram coisas impressionantes, incluindo detalhes sobre as mortes de determinadas pessoas com aquela precisão cirúrgica que chega a causar assombro.

Além do mais, quando isso foi possível, fiz uso de mais de uma fonte. Tome como exemplo o relato sobre uma ocorrência de profecia com João Calvino registrada por Beza e que foi publicada na biografia do principal reformador de Genebra. Além de apontar o registro de Thomas Boys (1832), informo ao leitor que o mesmo relato se encontra na obra de London Gardner (1744), bem como numa tradução do latim para o inglês publicada em 1844 pela Calvin Translation Society. Foi a partir desse tipo de obra altamente qualificada que pesquisamos. Contudo, o articulista tem insistido “ad nauseam”, em atacar a credibilidade afirmando categoricamente que o livro é mal pesquisado. O que não é verdade.

O articulista teve dificuldade para localizar fontes e protesta logo de início que a confusão se dá por uma suposta imperícia minha em alocar as referências seguindo rigor das normas científicas:

“Um exemplo disso pode ser percebido no fato de que, ao tratar do alegado continuísmo do escocês George Gillespie nenhuma fonte primária é apresentada, com exceção da menção a dois tratados sobre o dom de profecia no Novo Testamento (p. 65, nota de rodapé nº 15). Não há nenhuma declaração do próprio Gillespie. Há apenas testemunhos oriundos de biografias. Na verdade, as únicas palavras de Gillespie documentadas (p. 64) são tomadas a partir de uma fonte secundária difícil de identificar, dada a maneira equivocada como as notas de rodapé estão organizadas do ponto de vista da metodologia da pesquisa científica.

Quanto ao protesto acima, explico. As referências de nº 13 e 15, estão jungidas à 33 que na página 58 menciona a obra sobre a qual eu extraio as citações de Gillespie. É verdade de fato que Gillespie faz um apanhado de trabalhos inclusive da Patrística tais como Crisóstomo, mas o faz afirmando claramente que tais testemunhos são tomados como sua posição particular e conclui dizendo que ele próprio testemunhara ocorrências proféticas em seus dias:

“E agora, tendo ocasião, eu tenho que dizer isto, para a glória de Deus, havia na Igreja da Escócia, antes do tempo da nossa primeira Reforma e depois da Reforma, em ambas as ocasiões tais homens extraordinários, superiores a simples pastores e mestres, nivelados aos santos profetas recebendo revelações extraordinárias de Deus e predizendo diversas coisas incomuns e acontecimentos notáveis, as quais aconteciam promovendo grande admiração em todos aqueles que os conheciam em particular.”( p. 64, nota 13).

A propósito, a nota de rodapé de número 15 na página 65, tão somente descreve o título dos ensaios sobre a matéria escritos por Gillespie em Treatise of Miscelany Questions, parte de Works of George Gillespie – One of the Commissioners from Scotland to the Westminster Assembly. Contudo, tais ensaios são mencionados apenas como informação complementar. Caso o leitor deseje averiguar e pesquisar mais acuradamente. Eu lançarei mão deles no volume 2. Sobre a obra mencionada acima, a edição que tenho é um reprint do original de 1644 e publicado pela Still Waters em 1991. A propósito, a citação acima é extraída da obra adrede mencionada especificamente da pág. 30 de Treatise of Miscelany Questions. Seria esta fonte marginal ou sem credibilidade? O esforço do articulista demonstra-se mais como o desejo de confundir a mente do leitor, do que propriamente auxiliá-lo.

Ele também me acusa de ter afirmado o viés continuísta da CFW, quando em nenhuma das páginas do livro o tenha feito. Nem tampouco afirmei categoricamente que qualquer dos puritanos citados fosse continuísta. Disse que a CFW é um documento redigido com caráter conciliatório. Segundo eu o Dr. Milne entendemos, sua concepção se presta à articulação com fins políticos de pacificação, necessária em um cenário religioso, civil e político bastante conturbado. Neste sentido, não importa o que cada puritano em particular escreveu em defesa de um cessacionismo específico ou de um continuísmo incipiente. Importa é que o enunciado da Confissão apenas se opõe tacitamente quanto à possibilidade de novas revelações com força de mandamentos universais para a Igreja. Este propósito da profecia, sustento no livro, cessou. A que permanece em nossos dias, também sustento no livro, é de caráter extraordinário. Assim sendo, eu não consigo entender que o articulista tenha interpretado como completo revisionismo histórico o simples apontamento através da história da mentalidades quanto ao surgimento do cessacionismo atual como uma excrescência teológica.

Por conseguinte, para quem alega possuir credenciais acadêmicas e treinamento teológico formal, o articulista se autodenuncia quando não compreende evidências muitos simples, que podem ser deduzidas facilmente com uma leitura cuidadosa. Tome o exemplo quando ele diz que eu não me preocupo em apresentar uma definição sobre qual seja o cessacionismo confrontado na obra, e me acusa de atacar tão somente o sistema quando lhe associo ao ateísmo bem como ao liberalismo de Bultmann. No entanto, eu apenas usei a mesma “régua” utilizada por MacArthur quando este mediu o continuísmo – sem conceitua-lo devidamente, diga-se de passagem. “Com a medida que medirdes, vos medirão também”, disse nosso Senhor. Pois bem, no livro Os Carismáticos (Fiel, 1995), MacArthur a certa altura na página 61 defende a ideia de que a teologia que “possa resultar de nossa experiência não é originária do movimento carismático. Ironicamente, diversos elementos, todos anti-cristãos, têm contribuído para que esse conceito de teologia experimental cresça: Existencialismo, Humanismo e Paganismo.”. Então o continuísmo pode ser acusado injustamente de possuir raízes no paganismo, enquanto o cessacionismo não pode sê-lo por irmanar-se a pressupostos anti-sobrenaturalistas ateístas ou liberais? Se MacArthur pode proceder como demonstrado em julgamento particular, seus opositores podem fazê-lo ao refutar o tipo de cessacionismo que ele abraça. Por outro lado, está tão claro que eu trabalho o cessacionismo mais vulgarmente conhecido e divulgado aqui no Brasil, que julguei desnecessário expor os detalhes das variações próprias do sistema. Ora, se na obra eu dialogo com as teses de cessacionistas tais como Richard Gaffin (p.175ss), Sinclair Ferguson (p. 196), Brian Schwertley (p.184), MacArthur (p. 157ss), Palmer Robertson (p.171), eu realmente necessito esclarecer contra qual cessacionismo me insurjo?

Ele também afirma que eu sustento alegação de que George Gillespie era continuísta. Por outro lado, há uma afirmação muito clara carreada no livro que não foi transcrita no artigo, onde digo:

Ainda que não seja provada sua aliança com o continuísmo, Gillespie se rendeu aos fatos e os explicou da única forma que poderia tê-los explicado: afirmando que, tendo sido encerrado o cânon bíblico, Deus falou extraordinariamente através de instrumentos humanos, revelando fatos impressionantes que se cumpriram para espanto de toda nação escocesa” (p.65). [grifo meu]

Onde estaria minha alegação de que Gillespie era continuísta? O articulista poderia ter transcrito algum trecho do livro com a dita alegação, o que não ocorreu. Não satisfeito, afirma que além de Gillespie, rotulei Calvino, Samuel Rutherford e Jonathan Edwards igualmente como continuístas. Ora, vejamos se procede a afirmação. Na página 57 após informar sobre determinada ocorrência profética com Calvino, digo o que segue: “Neste sentido, é possível admitir a possibilidade de clarividência sem ser necessariamente um carismático. E prossigo dizendo que “a despeito do que Calvino tenha escrito dentro de uma visão pessoal sobre pontos assumidamente controversos, ou sobre textos em particular, foi posto à prova, conforme demonstrado na narrativa há pouco citada e vista na sua biografia escrita por Beza, qual seja, que ocorrências miraculosas não foram completamente excluídas nem do seu credo nem da sua experiência” (p.58). Na página 94, analisando algumas ocorrências no ministério de George Wishart (1513-1546), assevero: “É preciso que se diga que tais reuniões não eram ajuntamentos em busca novas revelações proféticas. O povo juntava-se para ouvir atentamente a exposição bíblica”. E mais adiante, na página 96, ainda sobre ele, afirmo: “As profecias aqui registradas não eram o norte de seu ministério. Sua função como pregador da Palavra inspirada era a atividade em que se dedicava. Pregar as Escrituras com fidelidade de maneira a instruir o povo em todo desígnio de Deus era seu alicerce ministerial. Mas isto não o impediu de se dedicar à oração e de ser canal da vocalização profética em seu tempo.” Já no capítulo onde analiso as profecias de John Knox (1505-1572), na página 106, registro minha impressão acerca de um relato do próprio em que ele afirma que suas esperanças “não repousam em seu poder profético, porque este poder estava sujeito à cessação. Sua confiança está alicerçada na Palavra revelada, ainda que ele seja difusor da anunciação de fatos estranhos e incomuns em seus dias”. E desta forma, sigo no decorrer do livro inteiro fazendo afirmações semelhantes. Assim sendo, quem de fato usa textos de maneira dogmaticamente seletiva? O autor do artigo somente confirma que se utiliza da máxima de Lenin: “Acuse seus adversários daquilo que você faz; chame-os daquilo que você é.”

Quanto à minha interpretação acerca das linhas gerais da Confissão de Fé, bem como da Assembleia que a redigiu, o articulista omite expressões centrais de meu raciocínio e induz o leitor de sua crítica a erro. Ele pinça determinada afirmação particular para dizer que a linha de pesquisa empreendida no livro sugere que os delegados de Westminster combatiam tão somente o romanismo. E omite do contexto uma palavra crucial para o entendimento de meu raciocínio. Na transcrição abaixo, o uso da expressão “por exemplo” por si só explica que meu intento é dizer que a prática do comércio de indulgências promovida pela ICAR, era “um dos” problemas. Apontar “um dos problemas”, não é o mesmo que afirmar haver um “único”:

Os teólogos de Westminster estavam se opondo claramente à tradição romanista das indulgências, por exemplo. Neste sentido, ninguém poderia se apresentar como portador de nova revelação divina referente à salvação humana, tendo em vista o assentamento definitivo de doutrina a respeito. (p.36).

Diferente do afirmado, eu não situo a polêmica como direcionada única e exclusivamente à Igreja de Roma como sugerido. A propósito, mantenho a mesma percepção de Robert Letham e do Derek Thomas ao apontar a disputa como antiga. O conflito com os romanistas e anabatistas é denunciado por mim na página 49 Sob os céus da Escócia, da seguinte forma:

Ele também pronunciou-se contra o erro daqueles aos quais chamava de entusiastas, que relativizavam as Escrituras e a autoridade da Igreja ao apelarem para supostas revelações diretas e especiais de Deus. Não obstante, Calvino os combatia porque, em geral, os ensinos dos entusiastas referentes às reivindicadas manifestações de revelação eram contrários às Escrituras Sagradas. O conteúdo dos ensinos contrariava a Bíblia e, portanto, colocavam em xeque as revelações canônicas. [... Neste caso, para Calvino, seria um erro conceber que Deus entrasse em demanda contraditória contra si próprio. Em ligeira síntese, Calvino combate a pretensa autoridade do entusiasta de seu tempo, sobretudo porque seus ensinos contrariavam a Bíblia e isto era inconcebível para o reformador.

Antes, no entanto, ainda na página 26, trago ao conhecimento do leitor quais seriam tais ensinos e revelações, ao citar, como exemplo, o conteúdo das pregações apocalípticas de Melchor Hoffman.  E ainda quanto aos quakers, não merece prosperar a alegação do articulista de que os conflitos com eles se davam porque entenderam a CFW como cessacionista. A refrega era na busca pela apropriada definição sobre o aspecto ordinário/extraordinário da revelação imediata. O que eles não aceitavam era que as comunicações do Espírito com o espírito do crente fossem confinadas ao status de extraordinárias. Para os quakers, essa comunicação tinha caráter essencialmente ordinário. John Howe teceu considerações importantíssimas a este respeito em The Whole Works of John Howe, estabelecendo distinções entre revelação sobrenatural imediata, mediata, profecia, iluminação, premonições, etc.. Samuel Rutherford estabeleceu a revelação sobrenatural em quatro categorias distintas (p. 69), a saber: 1) Revelação profética; 2) Revelação especial somente ao eleito; 3) Revelação de alguns fatos estranhos a homens piedosos; 4) Revelação falsa e satânica.[3] Com isto, buscava-se preservar as revelações canônicas na formação da Escritura, de outras manifestações que se mostravam recorrentes no século 17. Eu avalio as conclusões de Rutherford com muita seriedade porque entendo como o Dr. Poythress que ele foi efetivamente o líder “na orientação teológica dos assuntos mais controvertidos discutidos na Assembleia” (p.68). Sua posição sobre o tema foi acatada, qual seja, que revelação sobrenatural, como evento extraordinário, pode acontecer mesmo com o encerramento do cânon. Além dos dois, William Bridge fez o mesmo especialmente no sermão Scripture light the most sure light. A ideia era separar o joio do trigo, visto que muitos grupos místicos reclamavam possuir revelações diretas da parte de Deus e causavam toda sorte de confusão com vários ensinos contrários à verdade revelada inclusive pelo próprio Cristo. Por isso o uso, por exemplo, do texto de Hebreus 1.1 na CFW.

Mas para entender melhor o conflito envolvendo os quakers, é de bom alvitre ouvi-los. Robert Barclay (1648-1690), importante teólogo do movimento, apelou para o texto de que “ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho, e aquele a quem o Filho o desejar revelar” (Mt 11.27. KJV). Para quakers proeminentes, esta revelação do Filho se dá “no” e “pelo” Espírito, portanto, o testemunho deste é o único meio pelo qual o cristão pode alcançar o verdadeiro conhecimento de Deus. A cizânia se desenrolava no sentido de que para estes a Escritura não poderia ser única regra de fé e prática, mas o Espírito Santo, revelando-se internamente ao crente. Responder a este padrão subjetivo foi o motriz dos esforços puritanos para assentar a cláusula de que a Bíblia, mediada pelo Espírito era de fato a fonte pela qual todas as demandas deveriam ser julgadas. Este ponto da disputa restou evidente na conhecida Confissão de Fé Quaker The Confession of the Society of Friends, Commonly Called Quakers (1675).

Barclay também sugere que a ferrenha oposição dos quakers em relação aos puritanos girava em torno de uma exacerbada busca por conhecimento acadêmico. Esta busca, segundo ele, não avalizava o verdadeiro conhecimento de Deus nem era garantia de espiritualidade profunda. Defende também que embora a Escritura fosse autoritativa, era um fundamento secundário e subordinado ao Espírito. Este é o guia e principal líder segundo o qual os santos são levados à verdade. Para os quakers, o Espírito é superior e não se subordina à Palavra. Por sua vez, George Fox (1624-1691) afirmou o Cristo como o Logos divino, o Verbo encarnado, e a Escritura como palavras de Deus. Fox sustentava a superioridade de Cristo em relação à Escritura.[4] Em síntese, a Escritura são palavras de Deus, mas não é Deus.

A discussão com os quakers e outros místicos não estava associada necessariamente quanto à possibilidade de revelação extra-bíblica, mas em definir este tipo de revelação como extraordinária, ao invés de ordinária como desejavam os quakers. Mas este detalhe foi expresso na Confissão de maneira subjacente.  

Os quakers também foram combatidos pelos puritanos por que algumas das conclusões eram flagrantemente contraditórias, não apenas em relação à Escritura mas às próprias teses que defendiam. Tome como exemplo uma declaração confusa de Barclay ao afirmar que “a revelação interna não contradiz as Escrituras e nem a correta e sã razão”, para logo em seguida afirmar que “a revelação não pode ser julgada pelas Escrituras, nem pela sã e correta razão.” Os puritanos disputavam a própria existência de revelações imediatas nos moldes quakeristas. Para eles, a ocorrência de profecias não era mais possível de acontecer ordinariamente como no NT. Extraordinariamente, talvez.

No entanto, o articulista alega que a interpretação dos quakers sobre o que se redigiu no capítulo primeiro da CFW é crucial para entender que os divines estavam de fato falando irrestritamente de cessação revelacional imediata. Parece-me claro que Richard Cameron e outros tantos puritanos nem se deram conta que a CFW era cessacionista nestes moldes, visto que em anos posteriores à publicação verificou-se atividade profética entre eles. Uma das profecias, pronunciada por Cameron, é citada na página 125 de Sob os céus da Escócia, muitos anos depois do encerramento de Westminster.

O articulista fez uso da obra de David Dickson, sob a premissa de que este possui autoridade para firmar entendimento definitivo sobre a CFW por ser dela contemporâneo, e, portanto, familiarizado com seu contexto religioso, bem como com as suas conclusões. Convém perguntar: Os quakers também não eram contemporâneos e também não estavam familiarizados com o contexto? Os anabatistas, seekers, et al., também não? No entanto, ele traz ao nosso conhecimento a obra intitulada Praelectiones in Confessionem Fidei relatando impressões sobre um tipo rigoroso de cessacionismo puritano esposado por Dickson. Valer-se de Êxodo 17.14 para afirmar categoricamente que quanto aos modos de revelação “[...] todos findaram com a escrita” (Êx 17:14), me parece um exagero típico. Onde tal “indício” escriturístico pode ser utilizado apropriadamente como prova de cessação revelacional ad eternum? Apenas por que o Senhor ordenou que se registrasse um fato e que este fato memorial fosse lido para Josué? Usar este tipo de exemplo para determinar a cessação revelacional definitiva é o mesmo que apresentar uma faca como evidência de um homicídio praticado com arma de fogo.

A teologia reformada não é tão melindrosa como a erudição cessacionista deseja nos fazer crer. Sobre a questão que envolve a natureza do NT, por exemplo, Calvino sobre o texto de 2Tm 3.17, disse:

Ao falar 'Escritura' significa que Paulo está falando simplesmente do que chamamos de Antigo Testamento; como ele pode dizer que pode fazer um homem perfeito? Se é assim, o que foi adicionado mais tarde através dos Apóstolos parece ser supérfluo. Minha resposta é que, tanto quanto a substância da Escritura está em causa, nada foi acrescentado. Os escritos dos apóstolos não contém nada além de uma simples e natural explicação da Lei e dos profetas, juntamente com uma descrição clara das coisas nele expressas.[5]

Por conseguinte, o articulista se socorre em Robert Letham, corroborando a tese de que “a questão da revelação especial não foi alvo de discórdia que demandasse uma acomodação de opiniões divergentes.” E prossegue argumentando que “houve acordo generalizado sobre o seu conteúdo”. Mas não me ocorre tenha eu afirmado no livro que havia dissensão no Concílio sobre o conteúdo da revelação especial conforme registrado na Bíblia. Sugere também que os debates na Assembleia de Westminster mantinham-se sob um “clima ameno”, sem maiores controvérsias e polêmicas. Ora, se John Milton, assim como erastianos e representantes do Parlamento (alguns descrentes?) estavam presentes, dizer que não houve polêmica é ignorar a natureza dos conflitos humanos. John Milton mesmo é conhecido por uma posição controvertida sobre o divórcio que foi duramente rechaçada pela Assembleia. Mas ouçamos o Dr. Milne, sobre o background daqueles delegados:

“Eles vieram para a Assembleia com um pano de fundo profundamente influenciado por um protestantismo polêmico que deve muito a esses estudiosos como Martinho Lutero, João Calvino, Zwinglio Huldrich, Henry Bullinger e Pedro Mártir Vermigly. Enquanto João Calvino foi sem dúvida a força dominante entre os puritanos e os escoceses ele não era de modo algum a única. Além disso, o “Calvinismo” foi representado por um espectro de opiniões teológicas dentro de parâmetros reconhecíveis. Isso ficou evidente na própria Assembleia, onde os debates sobre a doutrina da expiação foram expostos radicalmente com diferentes interpretações da sua extensão e aplicação. Não devemos supor que porque Calvino manteve certos pontos de vista sobre a cessação da revelação sobrenatural, estes foram necessariamente espelhados nos documentos da Assembleia de Westminster.”[6]

Quanto aos comentários sobre o termo “salvação” que uso para revisar a majoritária interpretação da Confissão, o articulista subscreve que entre os puritanos havia aplicação diversa. A tese do Dr. Milne está correta, no entanto o articulista revela que não apreendeu acertadamente seu escopo. Ou seja, ele busca provar que o termo “salvação” expresso no capítulo I da CFW, tem uma abrangência tal que se torna difícil saber qual tipo de salvação os delegados de Westminster tinham em mente. E que em relação a isto, tanto minha análise, quanto minha conclusão laboram em erro. A questão é que meu ponto trata especificamente do termo e seu uso no capítulo I; e mesmo este uso tem conexão direta com os demais ao longo do documento (2.1; 3.5,6). Não há conflito entre a minha tese e a do Dr. Garnet Milne. Ou seja, ainda que o termo “salvação” pudesse ter significado diverso na CFW, no capítulo primeiro ele se relaciona essencialmente com soteriologia e com uma teologia escatológica do Reino mais abrangente com referência ao seu aspecto primordialmente espiritual. Berkhof diz que o Reino de Deus é representado não como temporal, mas como um reino eterno (Is 9.7; Dn 7.14; Hb 1.8; 2Pe 1.11). Assim, entrar no Reino do futuro é entrar num eterno estado (Mt 7.21-22), é entrar na vida (Mt 18.8-9), é ser salvo (Mc 10.25-26)”.[7] [Grifo nosso].

É flagrante neste sentido que o articulista parece não haver compreendido a conclusão do Dr. Milne. Este, quando menciona os aspectos temporais da salvação, avaliados sob o crivo da teologia do Reino de Deus mantém entendimento próximo ao meu. Contudo, sobre isto, o articulista diz:

“Milne observa ainda que uma pesquisa nos Padrões de Westminster “revela que o substantivo, as formas verbais e o conceito de ‘salvação’ aparecem muitas vezes ao longo desses documentos, mas a definição do conceito não é uniforme”.[8] Como evidência dessa afirmação creio que alguns exemplos possam ser apresentados. No Capítulo 2.1, sobre Deus e a Santíssima Trindade, salvação é entendida como perdão dos pecados e libertação da justa retribuição da ira de Deus que não inocenta o culpado. Em 3.5, sobre o Eterno Decreto de Deus, salvação é conceituada como eleição em Cristo Jesus para a glória eterna. Já no parágrafo 6 desse mesmo capítulo os elementos dessa salvação são apresentados, a saber: “santificação, justificação, obediência, santidade, adoção como filhos e boas obras”.[9] No caso, salvação compreende toda a Ordo Salutis. Milne conclui a sua investigação sobre o sentido de “salvação” na CFW afirmando: “Dentro dos capítulos da CFW nós encontramos evidência interna para uma ampla definição de salvação que transcende redenção pessoal ou salvação escatológica e que oferece ao crente benefícios que incluem bênçãos temporais”.

Agora, pedindo licença ao articulista, indago: “Perdão dos pecados”, “libertação da justa retribuição da ira de Deus que não inocenta o culpado” (uso do termo salvação na CFW 2.1), “eleição em Cristo para a glória eterna” (uso em CFW 3.5), ou, “santificação”, “justificação”, “obediência”, “santidade”, “adoção como filhos e boas obras” não representam a mesma coisa? (CFW 3.6). Só quem é salvo, é justificado, obedece, santifica-se, tem o perdão dos pecados e fica livre da justa retribuição da ira de Deus que não inocenta o culpado. Ora, se dizemos que alguém foi eleito em Cristo para a glória eterna, certamente teremos dito que ele foi o quê, senão salvo? Ou, se afirmarmos que alguém foi liberto da justa retribuição da ira de Deus, estaremos afirmando o quê? Que este alguém foi salvo, óbvio. E se eu assevero que um pecador foi justificado, não concluo que tal justificação se dá para que a salvação (como benção temporal e eterna) se estabeleça (Rm 8.29-30)? Neste sentido é que o capítulo 14 da CFW diz que salvar-se é “aceitar e receber a Cristo e descansar só nele para a justificação, santificação e vida eterna, isso em virtude do pacto da graça”.

O que o Dr. Milne sugere é que o termo “salvação” para os puritanos pode ser abrangente em certo sentido, mas está ligado a uma única ideia central (ordo salutis). E, evidente que transcende o ponto de redenção pessoal (ou particular). Isto por que, na Escritura, salvação ora é mencionada a indivíduos, ora a povos, nações, etc. Ora se fala em redenção de povos, ora, de pessoas em particular. Basta uma lida em Romanos 8-9 para compreender isso. Além do mais, trata-se de redenção escatológica tanto quanto se trata de salvação do pecado estrutural que mantém influência neste mundo tenebroso. Salva-se também aquele que se opõe à esta estrutura e se rende ao padrão do Reino de Deus em confronto com o mundo que jaz no maligno. “Salvo” pode considerar-se aquele que não se conforma com este século (Rm 8), e é neste sentido que, ao meu ver, a redenção assume também aspecto de benção temporal apontado por Milne. Todavia, o articulista se esforça inutilmente no propósito de tentar nos fazer acreditar que existe diferença etimológica substancial entre “tire uma xerox” e “tire uma xérox”, quando “tenho sede de água” e “vou à sede da empresa” é que são realmente diferentes. A palavra “sede”, a depender do contexto e uso empreendido, assume conotação diametralmente distinta.

E quanto a este último ponto, ou seja, o fato do articulista não haver entendido o que o Dr. Milne escreveu, de certa forma revela uma dificuldade hermenêutica alimentada pela teologia dogmática. Em síntese, ele leu e não entendeu Sob os céus da Escócia, tanto quanto leu e não entendeu o livro do Dr. Milne.

Por derradeiro, cabe aqui uma pergunta, prezado leitor: Porque a Confissão de Fé de Westminster inicia com um capítulo sobre as Escrituras Sagradas? Você nunca parou para se perguntar a respeito? Natural seria que o primeiro capítulo reservasse espaço para tratar sobre ontologia divina. Sendo esta, a prática corriqueira, por que os teólogos de Westminster fizeram diferente? Penso que para registrar que estas tensões eram tão fortes e significativas que exigiram lugar de destaque e primazia nos debates. Mas este é um ponto que abordaremos no volume 2.





[1] Exposição sobre Capítulo 12 de Romanos. O comportamento Cristão. Editora PES. 2003, p. 283.
[2] A propósito, o relato de Lloyd-Jones combinado com o meu, aponta que fora, duas ressurreições operadas a partir do ministério de Welsh
[3] RUTHERFORD, Samuel. A Survey of Spiritual Antichrist. London: Printed by F.D. & R.I for Andrew Grookeand, 1648, chap. vii of revelation and inspiration, p.39.
[4] FOX, George. The Works of George Fox. Philadelphia: M.T.C Gould, Journal, vol. i, 1831, p; 171.
[5] CALVINO, João. The Second Epistle of Paul the Apostle to the Corinthians and Epistles to Timothy, Titus and Philemon, eds. D.W Torrance, T.F. Torrance, trans. T.A. Smail, Vol. 1, Calvin's Commentaries. Grand Rapids: W.m B. Eerdmans Publishing Co., 1964.
[6] MILNE. Garnet Howard, The Westminster Confession of Faith and Cessation of Special Revelation. A Thesis submitted for the degree of Doctor of Philosophy at University of Otago, Dunedin, New Zealand, 2004, pp 44-45. Como minhas consultas se deram na própria tese do Dr. Garnet, encaminhada gentilmente por ele, e não no livro como o articulista, transcrevo ipsis literis o trecho como está na tese: B. Theological inheritance: “They came to the Assembly with a background profoundly influenced by a polemical Protestantism which owed much to such scholars as Martin Luther, John Calvin, Huldrich Zwingli, Henry Bullinger and Peter Martyr Vermigli. While John Calvin was arguably the dominant theological force among the Puritans and the Scots, he was by no means the only one. Furthermore, “Calvinism” was represented by a spectrum of theological opinions within recognizable parameters. This was evident at the Assembly itself, where debates on the doctrine of the atonement exposed radically different interpretations of its extent and application. We should not assume that because Calvin held certain views on the cessation of supernatural revelation, these were necessarily mirrored in the Westminster Assembly documents.”
[7] BERKHOF. Louis, Systematic Theology. Grand Rapids: Eerdmans, 1959, p. 708.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

IGREJAS SEM MILAGRES

Na sua Igreja, acontecem milagres com frequência? Quantos doentes você já viu serem curados após a oração forte de seu pastor? Se não vê estas coisas maravilhosas acontecerem, será que esta é a Igreja certa para você continuar congregando nela?

Sim, esta nossa geração está se acostumando com as máximas "o seu milagre chega hoje", ou "venha e receba a cura", ou "Pare de Sofrer", ou quaisquer das variantes possíveis. Vai-se à igreja em nossos dias não mais para prestar culto e adoração a Deus e ser admoestado e ensinado pela Palavra pregada, mas para receber o milagre!! O fim (finalidade) do culto deixou de ser a adoração e o serviço a Deus, e passou a ser a satisfação das necessidades do adorador. Assim sendo, o culto aonde não se vê sinais e milagres é classificado como "um culto que não foi bom"!

É uma pena que o foco dos crentes de nossa geração deixou de ser a salvação e o aprendizado da sã doutrina, para que por meio dela possam caminhar com segurança no caminho estreito, e passou a ser os milagres. Igrejas aonde se prega a Palavra buscando a excelência no ensino, mas não se vê milagres, estão sendo sumariamente desprezadas, ao passo que as "igrejas" aonde ocorrem supostos milagres de forma constante são exaltadas, e seus líderes seguidos sem qualquer questionamento, não importa quais as aberrações que creiam e preguem! Há, por exemplo, um famoso "após-Tolo" curandeiro que afirma que Jesus foi CRIADO por Deus, um replay da heresia de Ário, bispo de Alexandria, nos primeiros Séculos da Igreja... Mas isso não interessa! O que interessa mesmo, é que as pessoas entram em sua igreja doentes e saem curados!!

Hoje, há uma multidão nas "igrejas" na expectativa de milagres, e já encontramos pessoas afirmando que a presença de milagres é o que valida um ministério ou uma igreja. Uma pena, pois milagres ocorrem em todos os arraiais, como catolicismo, espiritismo, e até mesmo em religiões animistas africanas...

Tenho um irmão que foi curado de glaucoma em uma cirurgia mediúnica, recuperando a visão que já havia perdido parcialmente. Aliás, se há um ambiente aonde sinais e maravilhas ocorrem e com grande intensidade é nos centros espíritas, aonde "cirurgias" são feitas usando facas de cozinha e agulhas de costura, com sucesso. 

Uma antiga colega de trabalho sofria de uma hemorragia constante em um grande sinal que tinha no rosto, e não conseguia a cura. Frequentava médicos sem solução para seu problema. Um toque de mão de Frei Damião (um antigo frade evangelista católico dos sertões nordestinos) fez com que sua hemorragia estancasse definitivamente.

Já ouvi relatos de curas entre Mórmons, Testemunhas de Jeová... Um conhecido meu foi curado de grave enfermidade após passes feitos por um babalorixá, em um terreiro de Umbanda! Fiquei sabendo que Irmã Dulce está para ser canonizada pela Igreja Católica, pois um paciente terminal de câncer foi completamente curado após seus familiares levaram sua imagem para a UTI e fazerem-lhe novena e promessas, buscando sua mediação...

Será que tais curas, seguidas dos falsos ensinos que levam as pessoas a invocar espíritos desencarnados, ou adorar imagens de escultura e buscar a mediação destes ídolos, conduz à vida eterna? Seria esse o critério divino para referendar uma doutrina, ou seria a doutrina quem referenda o milagre??

Outra questão: qual o critério para se dizer que isto é milagre, e aquilo não? Uma cura é um milagre, e uma palavra de conhecimento não, embora ambos sejam dons do Espírito Santo? Charles Spurgeon, em sua biografia, relata experiências aonde o Espírito Santo o fazia apontar para a multidão e revelar coisas que ele não sabia acerca de certas pessoas, levando-as a se arrepender dos males cometidos. Isto é um milagre, ou só pode ser caracterizado como milagre somente quando há curas e maravilhas? Ora, Paulo, doutrinando a Igreja em 1 Co 14, fala “se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, [...] os segredos do seu coração ficarão manifestos e, assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está, verdadeiramente, entre vós” (v 24-25)... 

Eu já vi coisas muito parecidas em nossa Congregação, embora não tenha visto curas e maravilhas. Se me permitem, relato uma experiência passada comigo, a meu ver um milagre que Deus operou na minha vida: certa vez o pregador repetiu na mensagem de domingo um pensamento maligno que me passou pela mente quando eu estava indo ao culto, maquinando intimamente certo pecado. As palavras que pronunciei em minha mente foram repetidas, quase que literalmente, com a orientação pastoral: "não faça essa bobagem!". Esta Palavra de Conhecimento dada ao pregador me bateu fundo na alma, admoestando-me, e me livrou de levar adiante um maligno pensamento que me ocorrera em um momento de fúria e desejo de vingança!! 

E este é só UM exemplo dos MUITOS que já presenciei em nossa Congregação!

O maior objetivo do Evangelho não é a cura. É a salvação dos perdidos! Estamos, entretanto, gerando uma multidão de curados, mas que marcha triunfante para o inferno, crendo que está salva porque recebeu um milagre!! Cristo, à beira do tanque de Betesda, curou apenas UM, embora houvesse uma multidão de doentes no local (maiores detalhes, leia ISTO)!

Esta geração sedenta por sinais e maravilhas será presa fácil para a "trindade satânica" formada pela Besta, pelo Anticristo e pelo Falso Profeta, narrados no Apocalipse, já que estes operarão milagres a ponto de fazerem cair fogo do céu, como fez Elias (Ap 13:13). Preferem, como os religiosos da época de Cristo, buscar sinais, ao invés de obedecer à "Lei e aos Profetas", como Cristo ordenava que se fizesse para obter a vida eterna... Aliás, nossa geração já está sendo presa fácil dos "servos de Cristo" descritos em Mateus 7:21-23, operadores de sinais, milagres e maravilhas, mas que serão rejeitados no Último Dia, exatamente porque Jesus não os conhece, embora tenham feitos tais sinais e maravilhas em Nome dEle!

Que geração!! Assim como nos tempos de Cristo, uma geração má e adúltera pede sinais!!

Ó tempora! Ó mores!!

(em tempo: não desprezo milagres, ou nego sua existência; apenas creio que o Evangelho é superior aos milagres, e estes estão inexoravelmente submissos a ele!).

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

SOBRE O PAULO CESAR BARUK E SUA NOTA DE ESCLARECIMENTO

Há alguns dias fui pego com uma terrível notícia: o cantor Paulo Cesar Baruk, por quem nutro especial admiração, aparecia no cartaz da “igreja plenitude do trono de satanás” como cantor participante de congresso promovido por esta “igreja”.

Sabemos que muitos cantores brasileiros já se renderam às igrejas apóstatas. O cachê vale a pena! Basta ver o cartaz, e veremos que nomes de cantores como Lauriete, Cassiane, Anderson Freire etc, já se renderam ao bom cachê, às boas vendagens de CDs e DVDs e à "vitrine" que o evento proporcionará aos participantes, que serão as consequências imediatas de terem se rendido ao Mamom adorado na “plenitude”. Em nossa geração go$pel, diante de um bom cachê, qualquer convicção teológica e doutrinária cai por terra! São poucas as exceções, dos que não se dobram ao sistema apóstata! Mas louvamos a Deus pelos sete mil jpelhos que permanecem indobráveis!

Mas me surpreendi com o Paulo Cesar Baruk! Nunca imaginei vê-lo em eventos apóstatas! Parecia-me um cantor sério, que não se rendia aos apelos da geração da apostasia!  O PCB é um bom cantor, com boa voz e interpretação, e com um repertório de hinos na grande maioria cristocêntricos e dignos de ser cantados e ouvidos pelos evangélicos que anseiam em adorar a Deus com cânticos condizentes com a sã doutrina.

Graças a Deus, ontem (14/01/2016) Baruk divulgou uma nota em seus perfis de redes sociais, na qual NEGA que participaria de tal evento. Isso me trouxe certo alívio... Até eu ler a nota na íntegra, e observar as entrelinhas da mesma...

Posso estar enganado... Não sou Deus para sondar corações, mas Ele me deu sabedoria para ler entrelinhas... Nada tenho contra o Baruk, pelo contrário o considero um bom nome da nova geração de cantores evangélicos brasileiros, mas achei a nota (não se se foi ele quem a redigiu ou sua assessoria) muito politicamente correta. O cancelamento não se deu por causa do “evangelho” que é pregado na citada “igreja”, ou por causa da conduta dos donos da citada “igreja”, ou por causa dos apóstatas que estarão presentes em tal congresso, e sim porque não foi “um evento local, realizado na própria ‘igreja’”. Dá-nos a entender que lá na “igreja”, tudo bem, ele iria sem problemas! 

O “tom de voz” usado na nota é bastante politicamente correto! Parece-nos um jeito bem educado de se desculpar, sem fechar portas para futuros convites, principalmente das “igrejas apóstatas co-irmãs”!!

Sinceramente, eu não participaria JAMAIS de eventos deste naipe, promovidos por quaisquer “igrejas” e “pastores” apóstatas. Não importa qual cachê, quais benesses. Eu não negocio o Evangelho que o Senhor me confiou! Quem o negocia para cantar ou pregar em "igrejas" apóstatas, um dia cantará e pregará até em eventos candomblecistas, budistas ou até ateus, em troca de um gordo cachê! Fazer-me presente nestes eventos, é emprestar minha imagem, meu nome e minha credibilidade para dar IBOPE à igreja apóstata, a seus líderes apóstatas e aos seus eventos blasfemos.

Repito: eu não aceitaria tal convite (e recomendo a todos que façam o mesmo!) nem sob a falsa piedade disfarçada na justificativa que muitos usam: “eu aceitava o convite, e chegando lá, microfone na mão, pregava o genuíno Evangelho e denunciava as heresias ao vivo!". Isso é balela, é bravata, conversa pra boi dormir! Toda mesa de som, para quem não sabe, tem um botãozinho chamado (dependendo do fabricante) “mute” ou “cut”, que corta instantaneamente a transmissão do microfone. Ninguém, nestes lugares, consegue pregar sequer um minuto do verdadeiro Evangelho! Os donos da "igreja" ou do "ministério", ou os promotores do evento, não deixam! Há vídeos no YouTube aonde pessoas tentaram fazer isto, denunciando falsos profetas e falsos ensinos, e não conseguiram voz nem por 15 segundos!

Logo, a melhor coisa a se fazer ao se receber um convite de uma igreja apóstata é perguntar, só por desencargo de consciência, aos que convidam: “Vou ter voz no evento? Posso falar o que quiser, pregar o que quiser na ocasião?”. Em caso positivo (o que duvido!), aceito o convite, mas exijo que tal exigência seja incluída no contrato, e em recebendo o microfone nas mãos, prego o Evangelho genuíno, custe o que custar! Em caso negativo, rejeito o convite e vou às mídias sociais dizer os porquês da recusa, pormenorizadamente.

Além de tudo isso, a Escritura diz: “Não tragam ao santuário do Senhor, do seu Deus, os ganhos de uma prostituta ou de um prostituto, a fim de pagar algum voto, pois o Senhor, o seu Deus, por ambos têm repugnância” (Dt 23:18), o que nos dá a entender que um cachê vindo de uma igreja e/ou evento apóstata é maldito!

Cabia ao Baruk, e à sua assessoria, deixar claro que não participa nem participará, nem no presente e nem no futuro, de eventos promovidos por igrejas apóstatas. Esta era a real postura que eu esperava dele. Esta é a postura que o Evangelho genuíno espera dos pastores e cantores.

Paulo Cesar Baruk, espelhe-se em cantores sérios de nosso país. Fale com o Paulo Cezar (Logos), ou com o grupo Vencedores por Cristo, por exemplo. Veja a postura deles. Veja se eles aceitam tais convites. E siga-lhes o exemplo e conselhos!

As únicas coisas positivas que li na sua nota: [1] a confirmação de que você NÃO VAI a tal evento apóstata, e [2] as palavras finais, aonde você afirma estar “feliz por ter gente que nos ama, nos admoestando, e [estar] sempre tirando lições preciosas para nossa vida...”. Sim, Baruk. Nós te amamos, e te admoestamos, humildemente. Agradeço de coração, principalmente a Deus, que você tenha ouvido as presentes admoestações, e desistido de apoiar, pelo menos por enquanto, esta igreja apóstata e seus eventos. Feliz também por você estar sempre buscando tirar lições preciosas para sua vida, carreira e ministério. Tire mais essa: não se associe a igrejas e pastores apóstatas. Isso pode até ter um custo financeiro, mas tem um ganho eterno!

...Façam para vocês bolsas que não se gastem com o tempo, um tesouro nos céus que não se acabe, onde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói. Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração ” (Lc 12:33-34).

sexta-feira, 31 de julho de 2015

AS CONTRADIÇÕES DOS DESIGREJADOS

Pr. Idauro Campos


Tenho estudado o tema dos desigrejados e procurado entender o fenômeno, suas causas e suas consequências dentro do cenário protestante brasileiro.  No que tange ao comportamento de muitos desigrejados e simpatizantes, percebi um padrão que está relacionado com o modus operandi de alguns grupos. Esse modus operandi que será exposto abaixo evidencia algumas fragilidades, inconsistências e incoerências do movimento, revelando que, por mais que se tente não se consegue despir completamente qualquer movimento restauracionista de traços institucionais, pois, tais, são inerentes e inseparáveis das experiências dos ajuntamentos. Podemos, portanto, apontar algumas expressões institucionais presentes no movimento dos desigrejados, revelando, com bom humor, algumas das contradições e das armadilhas que cometem e caem:

1 – Em uma reunião de desigrejados, há sempre alguém que dirige a mesma.  Geralmente, é o que detém, senão o monopólio, ao menos a primazia da palavra. É o mestre do grupo. Na prática é o pastor. Outros do grupo fazem algumas contribuições; contam algumas experiências; leem alguns versículos, trazem, uma vez ou outra, uma mensagem, mas a abordagem principal é daquele que tem a capacidade do ensino e da pregação. Igual nas igrejas convencionais. Compare os grupos; visite-os, assista-os na internet. O líder dos desigrejados são os que mais falam, ensinam e abordam. Há uma diferença: não são chamados de pastores, e sim de "irmão", "mentor" ou pelo nome mesmo, mas trata-se apenas de rejeição didática da nomenclatura "pastor", pois, na prática, e na dinâmica do trabalho, se comportam, agem e reagem como os pastores que conhecemos.

2 - Criticam a institucionalização da igreja, mas dão nomes aos seus projetos: EQUI (Eu Quero Uma Igreja), Caminho da Graça, Igreja Orgânica, Igreja nos Lares e etc (qual a diferença para outros nomes, como Nova Vida, Assembleia de Deus, Metodista e etc?). Tais projetos estão sistematizados (possuem encontros em dias, horários e locais marcados; estudos dirigidos que constroem o arcabouço teórico do movimento; publicam livros e artigos em sites), pois a institucionalização é inevitável aos ajuntamentos humanos.

3 -  Criticam as reuniões regulares nos templos religiosos, mas se reúnem via Skyp (hangouts), em sítios, cafeterias, salões, varandas e etc.

4 – Alguns desenvolvem espírito de Seita, pois alegam que as pessoas têm que "sair do sistema" (sair da igreja), para encontrar "o verdadeiro evangelho", ou, no melhor estilo da linguagem caiofabiana: "discernir o evangelho".  Tenho apenas uma pergunta a fazer: E se alguém não sair? O que acontecerá? Não será salvo? Quem salva é Cristo? Ou a desigrejação é o que salva? Tenho que sair da Comunidade de fé que congrego para ser salvo? Sabemos, obviamente, que a resposta é um sonoro não. Quem salva é JESUS CRISTO. Seja você Batista, Presbiteriano ou seja lá o que for. O importante é a experiência com Jesus Cristo!

5 - Criticam os compromissos institucionais, mas reclamam daqueles que não querem participar das reuniões que realizam. Chegam a dizer que na época que eram institucionalizados "iam aos cultos segunda, terça [...] sábado [...], mas agora que estão livres, não querem se reunir". Ou seja, a mesma cobrança das igrejas institucionalizadas. De uma forma mais branda, mas, ainda assim, cobrança a uma forma de compromisso.

6 - Alegam que não seguem a homens (somente a Jesus), mas escolheram Caio Fábio, Mario Persona, Pedroza, Rubens, Paulo Brabo, Frank Viola como seus gurus espirituais.

7 - Rejeitam Calvino, Lutero, Zwinglio, alegando que não precisam de mestres humanos, mas devoram o que Viola escreve. Trocam de mestres humanos por outros mestres humanos, portanto!

8 - Dizem que basta o ler o Novo Testamento para entender a irrelevância da igreja contemporânea, mas precisam do "Cristianismo Pagão" para formularem suas teses desconstrucionistas e construir o "trilho básico" do movimento.

9- Criticam o sectarismo das igrejas, mas também o são: Rubem critica Caio, que já Criticou o pessoal do EQUI, que criticam o Rubem e o Pedroza. Por aí vai!


 É Importante Entender Que

1 - Há gente de Deus dentro das comunidades chamadas Batistas, Metodistas e Presbiterianas e afins. Na verdade, a maioria das pessoas cristãos que congregam são maravilhosas e servem a Deus. Tornando desnecessária a deserção. O apóstolo Paulo ao escrever aos Coríntios (1. Co 1.2) se dirige aos mesmos como "A Igreja de Deus que está em Corinto", mesmo como todos os problemas da mesma (divisão, pecados sexuais, litígio, desordem litúrgica, heresia, discriminação social, e etc), nunca defendeu o abandono da comunidade como solução.

2 - O problema não é o sistema, CNPJ, isto é, não é a instituição (ela neutra). O que corrompe é o coração do homem. E pode se estar dentro de uma grande denominação ou reunido com pessoas em uma varanda. No Éden eram apenas dois (Adão e Eva) e deu no que deu.  Além disso, as igrejas neotestamentárias, mesmo insipientes, lideradas pelos apóstolos, pequenas e funcionando em casas, não deixaram de enfrentar seus muitíssimos e graves problemas e que levaram, inclusive, apóstolos como Paulo, a escrever cartas para tratar de suas seríssimas demandas. Heresia em Colossos, legalismo na Galácia, agitação escatológica em Tessalônica, carnalidade em Corinto e etc. A própria Igreja Primitiva não ficou sem seus dramas e crises, efeitos inevitáveis dos ajuntamentos e de nossa pecaminosidade.

3 - Conheço um grupo de irmãos que saiu de uma igreja, organizou um núcleo de desigrejados, não demorando muito para aparecer a primeira crise, pois um sujeito deu em cima da mulher do outro. Deu confusão. Não adianta ser reunir em casas, sítios ou praias. O problema não é o lugar! Não adianta se reunir em número de dois, três, de dez ou mil: o problema não é quantidade de pessoas! O problema é a PECAMINOSIDADE HUMANA que nos acompanhará sejam em uma singela reunião em uma varanda com 05 pessoas ou em uma grande comunidade com ministérios de louvor, coral, pastores e etc. É muita ingenuidade dos desigrejados acharem que saindo das quatro paredes de um templo e se enfiando dentro das quatro paredes da casa de alguém que irão revigorar a fé das pessoas. A Trindade não é claustrofóbica ou oclofóbica. Não tem, portanto, medo de lugares fechados (templos, por exemplo) ou de multidões. Quem desenvolve tais sintomas são os desigrejados, não a Trindade!

4- A reunião pode ser em varanda com 05 pessoas e ser uma bênção ou com 1000 pessoas em templo chamado "Batista" e também ser uma bênção. Qual o problema? Jesus disse que onde houver "dois ou três". Ora, se é isso, qual o problema de 200 pessoas se reunirem um lugar chamado templo presbiteriano para cultuar? As 200 pessoas da hipótese não estariam diante de Cristo? Para Cristo estar presente a reunião tem que ser com poucas pessoas em uma sala, varanda ou sítio? Sinceramente não entendo a Cruzada dos desigrejados! A igreja verdadeira é a universal / invisível, a que é constituída por todos os que se encontraram com o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus. Sendo assim, PROVEM -ME OS DESIGREJADOS QUE NÃO HÁ CRISTÃOS VERDADEIROS DENTRO DAS COMUNIDADES INSTITUCIONALIZADAS. OU SERÁ QUE OS DESIGREJADOS ACREDITAM QUE SOMENTE ELES ESTÃO SALVOS?

5 - Os Desigrejados dizem: "a verdadeira igreja não são as quatro paredes do templo, mas sim nós, os cristãos": Nossa! Que novidade extraordinária!!!  Disso sei há mais de 20 anos, quando me converti. Até as crianças aprendem isso na Escola Dominical! Não precisamos do panelaço dos desigrejados para saber o que o Novo Testamento há mais de 2000 anos ensina. Estou na mesma denominação há 21 anos. NUNCA, NUNCA, NUNCA e NUNCA ouvi meus pastores afirmarem que o verdadeiro templo do Espírito Santo são os quatro paredes. NUNCA! Sempre disseram que a verdadeira igreja somos nós. E que o templo é apenas o lugar onde os irmãos se encontram para adorar coletivamente. Sempre disseram que devemos viver o Evangelho em casa, na vizinhança, no trabalho, na faculdade e no seio da família. Que devemos adorar a Deus em casa, ler a Bíblia e orar em casa, assim como em todos os demais lugares. Os dias de reunião é a ocasião de Celebração coletiva. Apenas isso!

6 - O problema não é dos igrejados para com os desigrejados. E sim dos desigrejados para com os igrejados. Para mim, se não tomarem o cuidado, produzirão espírito de Seita, ao insistirem no esquema “saia da igreja para encontrar a Deus”. Há desigrejados dizendo isso. A história da igreja prova o quão estão errados.

Idauro Campos é autor do livro “DESIGREJADOS – TEORIA, HISTÓRIA E CONTRADIÇÕES DO NIILISMO ECLESIÁSTICO”, o primeiro livro acadêmico publicado no Brasil sobre o movimento dos desigrejados. Prefaciado pelo Dr. Augustus Nicodemus Lopes.