quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

GERAÇÃO DE DAVI? ORA, NÃO ME FAÇA RIR...

Geração de Davi? Geração de adoradores? Que nada! Estamos na geração Fast Food Gospel.... Como eu li em certo local da Web, que não me lembro qual: “Pedro, não querem mais o puro leite! Paulo, não querem mais o alimento sólido! Querem só um McLanche Feliz e um brinquedo!”.

O que quero dizer é que a geração de Davi existe. A geração de adoradores existe. Entretanto, como bem disse o nosso Mestre, pelos frutos se conhece a árvore. E os frutos que vemos na Igreja nos dias de hoje não são os encontrados em Davi, ou nos adoradores que Jesus disse à samaritana que Deus buscava. Confundimos "resultados" com "frutos", damos glória a Deus porque o IBGE aponta para o crescimento da "igreja evangélica", e confundimos inchaço com crescimento. Esquecemos que esta multidão nem sempre é aceita por Cristo. Foi Ele mesmo quem proferiu um discurso tão duro que a multidão foi embora. Ficou só a minoria. Só doze, e um deles era diabo!!

Temos uma geração que quer pôr Deus no canto da parede, vociferando arrogantemente: "- Restitui, eu quero de volta o que é meu!", como se tivesse direito a alguma coisa, senão condenação. Deus não é Senhor nesta geração, e sim servo. É a geração que não se contenta com a pura graça de Deus. Quer mais, e mais, e mais! Quer reinar!! Quer ser cabeça a todo custo!

Temos uma geração que afirma categoricamente que "o melhor de Deus ainda está por vir", esquecendo-se (ou desprezando o fato) de que Jesus Cristo, o Filho, o melhor que havia no céu ao lado do Pai, já veio. Queremos mais, pois Jesus não é suficiente!

Temos uma geração que fomenta no povo um terrível sentimento íntimo, que prefere estar no alto do palco, olhando arrogantemente para os seus inimigos boquiabertos na platéia e sentindo o sabor de mel da vingança na boca, do que observando o que Jesus disse a respeito dos nossos inimigos: "Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguemPara que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão havereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus" (Mt 5:43-48). Geração esquizofrênica, que se sente rodeada de inimigos, incapaz de orar por eles. Geração rancorosa, que não perdoa, que quer se sobressair e até ser adorada pelos supostos inimigos.

Temos uma geração aonde o caráter cristão é espezinhado, e se vive um "evangelho" de aparências, e não de conduta e princípios. A geração que ora pedindo um milagre: que apareça misteriosamente em sua conta bancária alguns milhares de reais, e que agradece a Deus quando isso acontece. Geração que não compreende o Deus justo, mas se alegra com a injustiça, achando que Deus foi o Autor deste "depósito" milagroso e salvador...

Temos uma geração que está sendo guiada por "pastores" e outros "títulos eclesiásticos", por homens e mulheres que preferem os títulos e as prebendas, que para satisfazerem-se primeiramente a si mesmos já rebaixaram a Bíblia e seus preceitos imutáveis à quarta ou quinta posição em suas vidas e em suas doutrinas e profissões de fé. Pastores que não se dão conta que prestarão contas um dia ao Sumo Pastor...

Geração de Davi uma ova!! Esta é, na verdade, a Geração Laodicéia, a geração da igreja rica, poderosa e diferenciada, mas cega, pobre, miserável e nua! É a Igreja que ocupa a grade da programação das principais emissoras de tevê, mas não usa esta programação para pregar o VERDADEIRO EVANGELHO. É a Igreja que avança triunfante no mercado fonográfico, mas que não canta para o louvor de Deus, e sim para enriquecer, usando MÚSICAS DE TRABALHO, e não músicas de evangelismo! É a Igreja que abraça o Ecumenismo... É a Igreja que é noiva do Cordeiro, mas amante do mundo. Quem quiser ter a DIMENSÃO EXATA desta frase, leia o capítulo 16 do livro do profeta Ezequiel. Não há melhor exemplo que este!

Sabem qual seria a geração de Davi? E qual é a geração de adoradores que Deus espera?  Uma geração que O adore pelo que Ele é, e não pelo que ele pode nos proporcionar. A geração que abraça a cruz para a morte, e não a que senta no trono para reinar! A geração de uma igreja pobre financeiramente, mas riquíssima em poder, em comunhão, em observação das Escrituras e em defesa da sã doutrina, contrária aos lobos vorazes que estão invadindo o aprisco e degolando o rebanho! Uma geração que olharia mais para Jesus, e menos para os homens, que aceitaria mais as palavras da Escritura do que as supostas "revelações" humanas, sem base bíblica. Que teria mais prazer nas Escrituras do que nas novidades!

Sinto-me enojado com a geração de hoje. Geração morna, que provoca ânsia de vômito no Senhor Jesus e em todo aquele que ama a Verdade do Evangelho puro e simples, que Ele e seus apóstolos pregaram e revolucionaram o mundo no 1º Século! É claro que não estou generalizando! Sete mil joelhos são sempre estrategicamente deixados por Deus para não se dobrarem a Baal, a Laodiceia e a Mamom! E estou lutando para fazer parte desta MINORIA, pois já observei que a maioria sempre prefere voltar ao Egito, e sempre escolhe Barrabás.

Se Jesus chamava a geração em que viveu de "geração má e perversa", de que estará chamando esta nossa??

Perdoem-me o desabafo. Mas se eu, pó e cinza, estou me sentindo assim, o que não sente o Senhor que deu Sua vida por esta Igreja?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

MENTIRAS SINCERAS TE INTERESSAM?


O cantor Cazuza, em sua música MAIOR ABANDONADO, afirmou que mentiras sinceras interessavam a ele... A música, analisada à óptica da Música Popular Brasileira é até boa, mas a sua mensagem, se levada ao pé da letra, é questionável. Espero que tais “mentiras sinceras!” não interessem a você, pois tais mentiras, mesmo as mais sinceras e bem intencionadas, não são tão saudáveis quanto se pensa.

Entendo como mentira sincera aquela mentira, ou meia verdade, que é contada para aliviar o peso da verdade, ou para dar um “ânimo através de chavões que não representam a verdade, mas sim aquilo que o povo quer ouvir, que lhe é agradável. Nem toda verdade é boa de ser ouvida, e muitas pessoas creem piamente que contando uma “mentirinha sincera” fará mais bem ao ouvinte, pois levantará seu ânimo e o poupará das dores e inconvenientes da verdade. Na maioria dos casos, são excelentes para quem as conta, pois lhes concede ares de espiritualidade ou inteligência que não possuem, e igualmente excelentes para quem as ouve, pois lhes servem como frases de efeito, chavões e mantras de auto-ajuda.

Não sei se algum de vocês já conheceu alguma pessoa realmente mentirosa... Eu já! Um conhecido meu era um mentiroso tão fino que contava histórias completas e mirabolantes sobre sua vida, emprego, posses, relacionamentos etc. Diante das “histórias” contadas, muitas pessoas crédulas acreditavam piamente se tratar de verdades, e creio que até ele mesmo passava a acreditar nas suas próprias mentiras, pois lutava e “rebolava” para mantê-las vivas. O problema é que sempre e inexoravelmente ele era desmascarado, a verdade vinha à tona e prevalecia sobre a mentira... Sem problemas! Poucos dias depois ele aparecia com nova mentira...

A igreja evangélica está cheia de “mentiras sinceras”. São mentiras tão bem criadas e tão bem disseminadas que até seus propagadores creem firmemente que estão divulgando uma informação verídica. Ouvem uma frase, expressão ou informação da boca de alguém, às vezes um pregador famoso, e repassam, crendo que tal pregador não passaria adiante uma inverdade. E ninguém se dá ao trabalho de verificar a fonte da informação e a veracidade do fato, antes se encarregam de passar a informação adiante...

É exatamente neste aspecto (e em outros!) que os cristãos de Bereia foram elogiados, e são dignos de serem imitados por todos nós: eles não acreditavam em tudo o que lhes diziam, mesmo quando seus interlocutores eram o próprio Paulo apóstolo e/ou seu companheiro missionário, Silas; antes, iam às Escrituras para ver se as coisas eram mesmo assim (At 17:10-11), ou seja, buscavam a veracidade das informações. Afinal, uma mentira pode ser terrivelmente perigosa, pois inexoravelmente, por mais inocentes e sinceras que sejam, nos afastam da verdade.

Muitas vezes tais mentiras são oriundas de pessoas boas, bem intencionadas e até zelosas da fé. É o caso, por exemplo, de uma divulgação muito comum em minha adolescência e juventude por parte de um famoso pastor, que em livro afirmava que a NASA havia descoberto alguns vestígios de “um dia que não existiu”, que justificava e explicava o dia quase completo onde o sol ficou parado por ordem de Josué (Js 10:12-15), mais a fração de tempo em que sombra retrocedeu no relógio de Acaz (2 Rs 20:11). Hoje, sabe-se que tal informação não procede da agência espacial americana, mas foi fruto do zelo deste pregador, com a melhor das intenções. Mas nem mesmo a melhor das intenções transforma esta mentira, e nenhuma outra, em verdade. Os fins não justificam os meios!

Há uma infinidade de “mentiras sinceras” sendo pregadas em nosso meio, e muitas vezes nós mesmos somos seus propagadores. Permitam-me citar cinco delas, correntes em nossas igrejas na atualidade, e provavelmente você irá reconhecê-las rapidamente, e quem sabe até se ver como propagador das mesmas:

1. ZAQUEU ERA LADRÃO - Esta mentira é quase uma unanimidade na igreja, e são poucas as pessoas que nunca a ouviram. A Bíblia, porém, ao nos relatar o encontro de Jesus com Zaqueu, não menciona tal coisa: “Tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um varão, chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus...” (Lc 19:1-3 – grifo meu). A Escritura apenas menciona que ele era chefe dos publicanos e rico, e as pessoas que leem o texto ENTENDEM e CONCLUEM que ele era um desonesto, pois “publicano” era sinônimo de ladrão. Ao término de seu encontro com o Mestre, encontro este que mudou a sua vida, ele afirma: “Senhor, eis que dou aos pobres metade dos meus bens; e, ‘SE’ nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado” (Lc 19:8 – grifo meu). Zaqueu não está confessando ser desonesto, mas está se comprometendo a rever suas anotações, seus registros de contabilidade, apurar denúncias e reclamações, verificar se houve em sua carreira fiscal qualquer indício de desonestidade; se comprovados tais indícios, ele se compromete a devolver quatro vezes mais, em obediência à Lei (Ex 22:1; 2 Sm 12:1-6).

2. MARIA MADALENA ERA UMA PROSTITUTA – Verdade?? Onde encontramos tal informação na Bíblia? Em nenhum lugar! Sobre Maria Madalena pouco se fala na Bíblia; diz-se apenas que ela fazia parte das mulheres que seguiam Jesus (Lc 8:1-3), e sobre sua vida só se afirma que Jesus tinha-lhe expulsado sete demônios (Mc 16:9; Lc 8:2), e nada mais. Sobre outros detalhes de sua vida, nada se fala, e tudo o mais que se diz sobre ela é pura especulação extra-bíblica! Uma explicação para o que se afirma sobre sua condição de prostituta é que a confundem erradamente com a mulher adúltera mencionada no capítulo 8 do Evangelho de João, e outros a confundem ainda com a mulher samaritana (Jo 4), mas as três são pessoas completamente diferentes.

3. NA PRESENÇA DO SENHOR, ATÉ A TRISTEZA SALTA DE ALEGRIA! – Esta frase tem se espalhado feito fogo em rastilho de pólvora no meio da Igreja. Ela é repetida em mensagens, e diversos hinos são compostos com esta expressão, que se encontra no livro de Jó: “No seu pescoço pousa a força; perante ele, até a tristeza salta de prazer” (Jó 41:22 ARC – grifo meu). Entretanto, sobre este texto e sua correlação a esta “mentira sincera” há duas considerações a se fazer:

Primeiro, o texto não se refere a Deus, e sim ao LEVIATÃ (Jó 41:1), que pode ser o crocodilo ou algum outro animal existente na época de Jó, quem sabe um remanescente dos dinossauros. Trata-se, portanto, de uma “verdade” baseada nos tão comuns versículos isolados que a Igreja toma e divulga fora de seu contexto. Basta, porém, uma lida sincera no capítulo todo para se ver que a tristeza salta de alegria (ou de prazer) na presença do Leviatã, e não na presença de Deus.

Segundo, o texto em si é obscuro e não pôde ser interpretado de forma clara para que o usemos desta forma. Observe suas traduções nas versões da Bíblia em língua portuguesa mais comuns em nossos dias:

No seu pescoço pousa a força; perante ele, até a tristeza salta de prazer” (ARC)
No seu pescoço reside a força; e diante dele salta o desespero” (ARA) 
A sua força está no pescoço, e a cara dele mete medo em todo mundo” (NTLH)
Tanta força reside em seu pescoço que o terror vai adiante dele” (NVI)
Em seu pescoço reside a força, diante dele salta o espanto” (Bíblia Católica)
No seu pescoço reside a força, e diante dele anda saltando o terror (AC Revisada)

Observem as diferenças encontradas de tradução para tradução... Como é possível tomar um versículo de tradução incerta e criarmos a partir dele uma “verdade absoluta” para a Igreja? Esta “mentira sincera” nada mais é que uma frase de efeito, um chavão neopentecostal ufano criado a partir de um texto fora de seu contexto!

4. A BÍBLIA MENCIONA A EXPRESSÃO “NÃO TEMAS” 365 VEZES ― UMA PARA CADA DIA DO ANO! – Esta é mais uma “verdade” que você já deve ter ouvido infinitas vezes, na igreja, em mensagens, conversas... Será mesmo?? Esta “verdade” até foi citada em uma cena do filme DESAFIANDO GIGANTES... Apesar de ser um belo filme, ele também difunde esta inverdade. Qualquer pessoa que tenha em seu computador uma bíblia eletrônica e fizer uma simples pesquisa verá que esta expressão não se repete no texto sagrado nem mesmo 100 vezes! Veja o resultado em uma pesquisa feita no software “Mundo Bíblico”, instalado em meu computador, que tem por base a versão ARC...


Faça você mesmo a sua pesquisa em sua Bíblia Eletrônica (sua versão pode ser diferente da que eu usei), e tire suas conclusões! A pergunta fica no ar: a que, ou a quem interessa passar adiante esta “desinformação”, senão para “levantar o moral” das ovelhas, em mais um chavão gospel de autoajuda? Parece-nos muito mais uma versão gospel para a frase de Dorival Caymmi, que afirmou em uma de suas músicas que a Bahia tem 365 igrejas... Só a título de informação inútil: tem muito mais! O Estado da Bahia tem mais de 400 municípios, e se considerarmos apenas UMA igreja por município...

5. O DIABO VEIO PARA MATAR, ROUBAR E DESTRUIR – Gostaria que os divulgadores desta verdade me dessem a referência bíblica para tal afirmação. Sim, pois na minha Bíblia Jesus afirmou que "O LADRÃO não vem senão a roubar, a matar e a destruir: eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância" (Jo 10:10). Analise o contexto. Jesus não fala do diabo, mas dos MAUS OBREIROS, dos MAUS PASTORES, e os compara ao ladrão. Simples. Basta ler!

Todas estas “mentiras sinceras” mencionadas ― e as dezenas de outras mais, que não citamos para não tornarmos este artigo gigantesco! ― são facilmente disseminadas no meio de uma igreja formada por pessoas crédulas e ingênuas, desprovidas do senso de crítica construtiva, despreparadas para suportar ventos de doutrina, que ouvem tudo o que lhe dizem, aceitam e absorvem imediatamente, sem qualquer resistência.

Vivemos tempos difíceis na Igreja dos nossos dias. Nela, os neófitos têm oportunidade de pregar aquilo que não entendem, nunca foram corretamente instruídos na Palavra e na doutrina e nunca se interessaram em aprender, pois se gloriam da própria ignorância. Nela, encontramos um povo que é estrategicamente ensinado por seus líderes a não questionar nada do que eles lhes ensinam, e sim abraçar a informação como se fora a mais sublime das verdades, sem se dar ao trabalho de pesquisar, perscrutar, inquirir, muitas vezes até duvidar e confrontar com o que realmente está escrito na Palavra de Deus ― afinal, os ungidos não podem ser questionados... O que se pode esperar de uma Igreja nestas condições, senão mentiras sendo ensinadas no lugar da verdade?

Meu apelo é que mudemos esta realidade. Esta mudança está em nossas mãos! A igreja do Senhor Jesus não tem compromisso com a disseminação da mentira, pois ela “...é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3:15). João apóstolo, afirma que “nenhuma mentira vem da verdade” (1 Jo 2:21). Precisamos, sim, disseminar a prática bereiana de ver nas Escrituras (ou em outras fontes, no caso de informações extrabíblicas) se as informações correspondem realmente aos fatos, para não sermos flagrados disseminando mentiras em meio à Igreja de Deus.

Antes de pregarmos qualquer coisa, ensinarmos qualquer doutrina ou divulgarmos qualquer informação é importante verificar as fontes com critério e cuidado! Entre nós, crentes, existem eruditos em grego bíblico que não sabem nem o alfabeto completo desta língua! O mesmo se aplica à língua hebraica! Há inúmeros teólogos em nosso meio que nem sequer leram um único livro de Teologia Sistemática! Temos hermeneutas e exegetas entre nós que nem mesmo sabem o significado destas palavras! Todos estes, remando contra suas próprias  ignorâncias, querem ensinar aquilo que não sabem em suas mensagens e discipulados, com ares de eruditos... Muita calma nesta hora!! Antes de divulgar “mentiras sinceras”, confira as informações! Nesta hora, o ensino de Jesus sobre mentiras e mentirosos deve ser considerado: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos do vosso pai: ele ... não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8:44).

Chega de mentiras sinceras! E viva a Verdade do Evangelho genuíno!

Não mintais uns aos outros...” (Cl 3:9)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

JESUS JANTOU NA MINHA CASA




Sim, Jesus jantou na minha casa. Roguei, pedi, supliquei, declarei e até determinei que ele entrasse na minha casa e na minha vida.

Queria ficar de bem com Deus chamando o seu filho para comer comigo. Imagine o privilégio de ter o filho do homem na minha mesa, já imaginou as bênçãos que eu obtive ao tê-lo no meu lar? Seria igual a ter a bíblia aberta no Salmo 23 ou 91...um amuleto.

Preparei a melhor iguaria, a melhor prataria, o melhor conjunto de mesa e coloquei minha melhor roupa até porque sou um adorador por excelência e quanto mais impressionar o “ome” melhor retorno terei dele. Com certeza alcançarei o seu favor!

Enfim o ilustre convidado chegou  meio acanhado ao ver toda opulência preparada para tal evento. Meus filhos pequenos não participaram da recepção até porque pra não constranger o convidado (acho que ele não tem paciência com crianças), minha esposa cuidou dos preparativos e assim como Marta esta ofegante a cansada para dar atenção a Jesus afinal tudo precisava estar perfeito.

Após aquele bate papo padrão nos sentamos à mesa e quando nos preparamos para as primeiras garfadas e o mestre já ia dar graças e partir o pão, adentrou ao recinto uma mulher. Minha esposa olhou em minha direção com uma expressão que dizia: “quem convidou essa mulher?” Quem seria essa mulher? Uma pecadora, claro! Uma adultera? Uma prostituta? Uma lésbica? Não importa... Ela conseguiu parar um grande evento.

Jesus olhou pra ela e apenas viu uma mulher (sem todos os adjetivos reportados por mim) e ela olhou para Jesus e viu apenas a redenção e nada mais!

Jogou-se aos seus pés, ela ousou entrar na casa de uma pessoa importante o suficiente para convidar o Rei dos Judeus para jantar. Deixou para trás todos os conceitos e preconceitos e humilhou-se para buscar apenas tão somente apenas redenção.

Enquanto os manjares a mesa esfriavam e susto passava eu esperava que ao menos meu milagre chegasse para ver o melhor de Deus, mas tive me contentar com a maior manifestação do poder de Jesus: o perdão dos pecados e como consequência a redenção e salvação!

Depois Jesus foi embora e nunca mais o vi... Acho que ele gostou mais da mulher do que de mim!

Em tempo:
Gosto do evangelho, do evangelho subversivo que usa uma mulher, uma pecadora para me mostrar o quanto eu sou um fariseu!

A Deus toda honra e toda glória!

Obs: quaisquer semelhanças com o fato descrito em Lucas 7:36-50 é mera coincidência.

Coletado em A JUMENTA DE BALAÃO

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O QUE O NOVO TESTAMENTO NOS ENSINA SOBRE O "GUARDAI-VOS" - 1/7


Recentemente, meu pastor abriu o culto dominical com a leitura do texto de Marcos 12:38, que relata que Jesus “ensinando [aos Seus discípulos], dizia-lhes: guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestidos compridos, e das saudações nas praças...”. Ele apenas leu o texto como leitura devocional para a abertura do culto, não discorreu acerca dele, mas estas palavras ficaram por alguns dias martelando em minha mente. Chamou-me muito a atenção o uso do imperativo pronominal GUARDAI-VOS, e passei a semana meditando no texto e em seu significado.

Em minhas meditações, fui então pesquisar quantas vezes a expressão “GUARDAI-VOS” consta na Bíblia, mais precisamente no Novo Testamento da versão Revista e Corrigida (a que costumo usar), e cheguei ao número de 7 ocorrências (na verdade oito, mas duas delas são idênticas). Tomei por meu “dever de casa” meditar nestes textos e procurar entender cada uma das admoestações, e por que Deus nos orienta, ou melhor, ordena que nos guardemos de tais coisas.

O sentido da expressão “GUARDAI-VOS” enquanto verbo pronominal (verbo acompanhado de pronome oblíquo), segundo o sr. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, o “pai dos burros”, é   [1] Acautelar-se, prevenir-se, precaver-se, precatar-se. [2] Abster-se, conter-se, refrear-se. [3] Reservar-se, esperar. [4] Defender-se, preservar-se, livrar-se. [5] Abrigar-se, desviar-se. Portanto, quando a Escritura usa tal expressão nos ordena (uma vez que o verbo está no imperativo) todas estas coisas, em relação ao tema tratado... É uma advertência expressa para que estejamos vigilantes e prontos a confrontá-las com o que está escrito, e com as instruções que nos são dadas contra tais coisas, de como evitá-las, como agirmos face a elas.

Vamos, portanto, discorrer sobre cada coisa que o Novo Testamento nos manda que nos guardemos...

1. “Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles: aliás não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus- (Mt 6:1)

Uma das grandes lutas do Senhor Jesus contra os religiosos de sua época foi a ostentação proposital de seus atos religiosos, com o objetivo de serem vistos pelas pessoas, reconhecidos como grandes homens de Deus e tratados de forma diferenciada por causa disto. Em várias ocasiões Ele mostra religiosos em exemplos e parábolas, sempre destacando sua jactância em sua própria religiosidade e o desprezo por aqueles que não possuíam o mesmo padrão de santidade por eles alcançados. João relata em seu Evangelho que os sacerdotes chegaram ao ponto de declarar: “esta multidão, que não sabe a lei, é maldita” (Jo 7:49), orgulhando-se de seus conhecimentos diferenciados da Lei e esquecendo-se que se a multidão não conhecia a Lei era exatamente por causa da sua omissão em ensiná-la, uma vez que era obrigação dos sacerdotes fazer isso!

Lamentavelmente, em nossos dias, esta prática persiste no meio cristão, e com a mesma força, senão com força maior. Embora a Bíblia afirme categoricamente a igualdade de todos os filhos de Deus diante do Pai, alguns insistem em se achar melhores que os outros por causa de suas próprias obras. Nada mudou. Se o fariseu da parábola se julgava superior ao publicano e aos demais homens porque não era nem ladrão, nem injusto, nem adúltero, antes jejuava duas vezes por semana e ainda dizimava fielmente (Lc 18:11-12), muitos se acham igualmente superiores pelos mesmos motivos, e também por  serem oficiais da Igreja, por orarem fielmente e de joelhos todas as madrugadas por pelo menos uma hora, por subirem aos montes para orar,  por não faltarem aos cultos da Igreja, por fazerem parte de determinados grupos dentro da Igreja, por serem batizados com o Espírito Santo etc... O que não faltam são motivos para alguém se julgar superior aos outros!

Felizmente, não há nada que façamos que nos torne superiores. O próprio Senhor nos disse que o que quer ser superior deve se tornar inferior, servo, escravo (diakonos) dos demais. Nada do que façamos nos torna melhores! Somos o que somos por causa da graça divina, do favor IMERECIDO do nosso Deus, e igualmente tudo o que Ele nos dá é pela mesma graça. Paulo apóstolo deixa claro que “pela graça sois salvos... isto não vem das obras, para que ninguém se glorie ... e se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça” (Ef 2:8-9, Rm 11:6). O problema é que estas pessoas consideram a graça insuficiente; eles TÊM QUE FAZER ALGUMA COISA para tornar a fé cristã mais coerente...

Chama-nos a atenção algumas coisas:

As pessoas que se gloriam de suas obras são profundamente injustas porque não consideram alguns princípios, como a medida de fé (Rm 12:3), a condição de cada crente como membro do corpo de Cristo (1 Co 12:27) e a impossibilidade de sermos exatamente iguais uns aos outros (1 Co 12:14ss). Paulo afirma sobre isto que “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada...” (Rm 12:3-6). Somos realmente diferentes, dependentes uns dos outros, e graças a Deus por isso, pois foi Ele mesmo quem quis assim! Vinicius de Moraes, autor da música SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ, falando certa vez acerca da letra que compôs afirmou que a letra em si era uma grande bobagem, pois um mundo de pessoas exatamente iguais seria chatíssimo...

Não somos iguais! A alguns, Deus deu a medida de levantar pelas madrugadas para interceder, e a outros não; a uns, Deus deu tal dom ministerial, e a outros não. E não cabe a nós, detentores de algum dom gracioso de Deus, querermos ser o aferidor da medida, o fiel da balança. Imagine eu, que tenho certa facilidade em escrever, querendo ser superior ao irmão que não tem a mesma fluência com as palavras... Imagine o maratonista querer exigir que eu corra os mesmos 42 kilômetros que ele! Aprendi, do alto dos meus quase quarenta anos de violonista, que não devo me considerar melhor queos novos, que estão aprendendo agora; ora, como vou saber se este que nem sabe os primeiros acordes daqui a quarenta anos não será um exímio instrumentista? E quem disse que eu, com toda a minha experiência no instrumento, não tenho nada a aprender com ele, não dependo dele ara algo?

O problema é exatamente que as pessoas que têm certos dons e serviços no Reino usam tais coisas como forma de autopromoção. Se fazem certa coisa, querem que seu serviço lhes dê status de diferenciação e santidade. Aliás, eles já fazem tais coisas, e divulgam aos quatro cantos, exatamente paraserem reconhecidos pelos homens que os rodeiam. Se nos identificamos com tal comportamento, podemos ter a certeza de duas coisas: [1] já recebemos a recompensa, e nada teremos a receber de Deus e [2] esta atitude é a primeira que o Senhor manda que nos guardemos dela!

A parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20:1-16) derruba por terra qualquer pretensão de alguém julgar-se melhor que os outros por causa de sua maior dedicação, maior santidade ou maior qualquer-outra-coisa. Várias levas de funcionários foram encaminhadas a trabalhar na vinha; algumas no começo do dia, outras no meio e outras faltando apenas uma hora para o término do expediente. Entretanto, todos os diaristas foram pagos com o mesmo salário, UM DENÁRIO, o que irritou os que mais trabalharam, pois se julgavam dignos de melhor pagamento por terem se esforçado mais. Reconheço que para os nossos padrões humanos, a reclamação dos trabalhadores que labutaram o dia inteiro é justa, mas para os padrões do Reino, não! Nosso salário será o mesmo no Reino de Deus: a vida eterna. Ninguém, por maior nível de santidade que alcance, terá salvação maior que outros! Da mesma forma, julgar-se superior aos demais irmãos por causa de nossas obras é ultrajante diante de Deus!

Há, entretanto, a questão do galardão. Todos seremos galardoados pelas nossas obras, considerando o que fizemos de bom, e neste aspecto haverá diferentes níveis de recompensa. Entretanto, qualquer tentativa de especulação do que venha a ser tal galardão é mera especulação. Isto é da alçada exclusiva de Deus!  Além disso, tal diferenciação só nos será feita na eternidade, e não na dispensação da Igreja.

Vez em quando eu vejo pessoas que, por causa de seu serviço, seus dons, seus talentos, seus esforços  ou até dos sinais que Deus faz por meio deles (será??), se julgam melhores, mais crentes, mais santas que as demais pessoas. Estas me servem de exemplo e estímulo à minha vida cristã. Primeiro, o exemplo daquilo que eu NÃO DEVO FAZER. Segundo, o estímulo para que eu me mantenha afastado delas a maior distância possível! Afinal, são muito santas, e a minha proximidade pode alterar-lhes a comunhão com seu deus! Com ‘d” minúsculo mesmo!

E dizem: Retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são um fumo no meu nariz, um fogo que arde todo o dia” (Is 65:5)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

COMO LER A BÍBLIA, INTERPRETÁ-LA E ENSINÁ-LA



Quando a Reforma Protestante instituiu como um dos seus pilares a autoridade do leigo em ler e interpretar as Escrituras, evidentemente esta leitura e interpretação deveriam seguir regras básicas, para que fossem feitas de forma coerente e responsável. A Bíblia não é livro filosófico, que pode ser interpretada ao bel prazer do filósofo. É livro de Deus, que deve ser interpretado de acordo com a óptica de Seu Escritor.

Quem quer ser pedreiro, deve aprender o básico desta arte. Já tentou fazer um serviço elétrico dentro de casa sem ter qualquer noção de eletricidade? O desastre será certo. Há muito tempo fui dar uma de eletricista em minha casa, e quase causei um incêndio com um curto-circuito! Mas não desisti. Aprendi noções de eletricidade, e hoje estou apto a fazer uma instalação monofásica. Na casa aonde moro atualmente e a casa de uma das minhas filhas, toda a instalação foi feita por mim...

Achar que podemos interpretar as Escrituras de acordo com nosso bel-prazer, com nossos achismos, é desastre certo, assim como tentar fazer reforma na casa sem conhecimentos do ofício de pedreiro, assim como fazer uma instalação elétrica sem conhecimentos na área. Ignorar os princípios da boa Teologia (que os Reformadores usaram) é muito mais que irresponsabilidade. É blasfêmia mesmo. É insultar o Autor da Bíblia.

REQUISITOS PARA LER A BÍBLIA -- PRIMEIRO LER, DEPOIS ENTENDER E FINALMENTE ENSINAR!

1. APRENDA A LER!

Você já assistiu algum episódio do CHAVES aonde ele está lendo alguma coisa? Vá ao Youtube e digite "Chaves lendo" e confira alguns... O coitadinho não sabe ler, e confunde todas as palavras e frases. É hilário! Acreditem: existe muita gente assim em relação à leitura da Bíblia! E o pior: não sabem ler, mas querem ensinar!!

É importante distinguir entre SABER LER e SABER JUNTAR LETRAS. Saber juntar letras, uma criança de cinco anos muitas vezes já sabe, mas saber ler muitas pessoas que frequentaram a escola e a Universidade nem sempre sabem! Saber ler é ENTENDER o que o texto quer dizer.

A leitura de um texto exige conhecimentos básicos de leitura, entre eles a compreensão do texto, a gramática, o vocabulário e o entendimento daquilo que o autor quis dizer. Se você não consegue ler um texto simples, entender o que a pessoa quis dizer com o que escreveu, inclusive nas entrelinhas, você pode não ser apto para uma leitura! Vai entender tudo errado! Encontramos MUITOS casos de pessoas que não sabem ler nas Redes Sociais, leem uma coisa e entendem outra completamente diferente...

A gramática é o básico. Já vi pessoas lendo o texto de Hebreus 11 que diz "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" e ensinando que a primeira coisa que precisamos para ter fé é ORAR, pois o texto começa dizendo "ORA". Sério! Juro que vi.

Vocabulário é fundamental. Quanto mais vocábulos fizerem parte do nosso, melhor! Muitas vezes lemos um texto cujas palavras não são de nosso conhecimento, e consequentemente jamais iremos entender o que está escrito. Muitos em nosso meio ainda tropeçam no texto de 1 Jo 2:15-17, que diz "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque, tudo o que há no mundo, aconcupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo; E o mundo passa, e a suaconcupiscência..." uma vez que não sabem o que é CONCUPISCÊNCIA e não se dão ao trabalho de ir ao dicionário para aprender...

Compreensão do texto também é fundamental, pois de uma má compreensão se deturpa a ideia transmitida. Não é o que EU QUERO que o texto signifique, mas o que O ESCRITOR QUIS que significasse. Um exemplo clássico disto está em Dt 22:5 que diz "Não haverá roupa de homem na mulher, e não vestirá o homem vestido de mulher; porque, qualquer que faz isto, abominação é ao Senhor, teu Deus", quando muita gente insiste que o texto está falando em CALÇA COMPRIDA...

Entendimento do que o autor quis dizer também é necessário. O que será que o autor quis dizer quando afirmou "Assim me faça o Senhor, e outro tanto...", expressão muito usada no Antigo Testamento? Compreender isto, ou seja, analisar o texto escrito de acordo com a CULTURA do escritor ajuda e muito! Lembre-se: um gaúcho dizendo "barbaridade" é uma coisa, e um paraibano dizendo a mesma palavra é outra...

Então, que tal aprender a ler primeiro, antes de sair por aí ensinando o que não sabe?

2. APRENDA A DISTINGUIR ENTRE O QUE É LITERAL, O QUE SIMBÓLICO, O QUE É POÉTICO...

Tenho uma pessoa na família que leva tudo a sério. Você não pode contar uma anedota, falar uma brincadeira, que ele leva TUDO para o lado da seriedade. Você conhece alguém assim?

No universo dos leitores da Bíblia existem pessoas parecidas, que querem levar (quase) tudo para a literalidade. Entretanto, a Bíblia transmite suas verdades em vários estilos de linguagem, e aqueles que aposentaram o cérebro compulsoriamente não conseguem entender a mensagem satisfatoriamente.

Grande parte da Bíblia foi escrita em linguagem simbólica. A maior parte dos livros proféticos é assim. O próprio Jesus se utilizou de parábolas, simbolismos que transmitiam uma verdade. Tentar literalizar tudo geralmente acaba mal... Há alguns anos uma revista de circulação nacional trouxe a história de um homem que, cansado de suas lutas e tentações na esfera sexual e com base no texto que diz que "se o teu olho te escandalizar, arranca-o..." cortou seu próprio órgão genital...

Jesus usou muito a linguagem simbólica. Ele disse que quem não comer Seu corpo e não beber Seu sangue não tem parte com Ele. A má interpretação disto levou-nos a doutrinas como a transubstanciação, que afirma que no pão e no vinho estão literalmente a carne e o sangue dEle. Muitos "evangélicos" creem que o pão e o vinho da ceia SÃO REALMENTE corpo e sangue...

Há linguagens poéticas na Bíblia, e muitas, que não podem ser interpretadas literalmente. Ou alguém aí acredita mesmo que "as nuvens são o pó dos passos de Deus" (Naum 1:3)? Isso é poesia. Há livros inteiros com linguagem poética, e que precisamos ter cuidado para não interpretarmos tais palavras como literais. Tem muita gente entendendo errado as muitas vezes que Deus nos chama como "a menina do Seu olho" e interpretando na literalidade. Isto, gente, é poesia! Transmite uma verdade não literal!

E como se aprende a diferença entre uma coisa e outra? Lendo. Estudando gramática. Ah... Esqueci que a maioria dos pregadores modernos acham o estudo desnecessário...

3. CONSIDERE O CONHECIMENTO DOS NOSSOS ANTEPASSADOS

Em todas as esferas da vida o conhecimento acumulado pelas gerações passadas é de suma importância para que o conhecimento se acumule de forma progressiva e seja transmitido para as novas gerações. Desde os primórdios da humanidade o homem ingressa em um ramo, aprende e passa o conhecimento para os novos. Se cada vez que um médico cirurgião morresse levasse suas técnicas de cirurgia para o túmulo, estaríamos na mais primitiva das medicinas. O mesmo se dá com o conhecimento bíblico. Antes de nós, homens e mulheres de Deus estudaram as Escrituras e deixaram o seu conhecimento para os mais novos, que por sua vez acrescentaram suas novas descobertas... E assim o conhecimento bíblico chegou ao Século XXI.

Desde os primeiros cristãos, Deus tem levantado homens para estudar as Escrituras e transmitir suas conclusões às gerações posteriores. Ao chegarmos aos Reformadores, é digno observar que eles aproveitaram o conhecimento destes pioneiros do primeiro Século. Evidentemente, nos dias de hoje este mesmo conhecimento é de grande utilidade. Obras do primeiro século ainda são profundamente úteis aos crentes de nossos dias. Desprezar os antigos, crendo e afirmando que somente nós temos a verdade do conhecimento de Deus por “revelação”, é muito mais que arrogância: é desprezo por aqueles que deram seu sangue por causa do saber bíblico. Nem você, e nem o seu pastor, nem seu líder e nem determinada pessoa de sua profunda admiração são os reis da cocada preta. O que você conhece nos dias de hoje, os primeiros apologistas da Igreja do primeiro Século  já estudavam e já deixavam escrito.

4. CONSIDERE A REVELAÇÃO PROGRESSIVA

Ao ler as Escrituras, nunca esqueça do princípio da REVELAÇÃO PROGRESSIVA. Deus foi dando ao homem a Sua revelação através dos Séculos, progredindo até o pleno conhecimento, que se deu com o fechamento das Escrituras do NT. Assim, vemos coisas que parecem contradições, mas são facilmente explicados pela progressão da revelação.

Um exemplo desta progressão é que no AT o casamento podia ser poligâmico, e no NT apenas monogâmico. A alimentação que Deus liberou a Adão foi a vegetariana, mas em Noé já liberou todos os animais, e em Moisés fez distinção entre animais imundos e limpos.

O que Deus revelou no AT, progrediu e alterou no NT. E até no NT há casos de revelaçãoprogressiva. Há coisas que Deus não havia revelado quando Mateus escreveu seu Evangelho, mas revelou a Paulo ou a Pedro mais adiante. Vivemos de conformidade com a mais recente revelação de Deus, lembrando que a revelação se encontra somente na Bíblia.

Os relatos do livro de Atos  ,por exemplo, contam como o Espírito Sando desceu naquele tempo e como ele agia no meio da Igreja. Paulo, falando pelo mesmo Espírito, deixou claro, em revelação progressiva, como o Espírito Santo agia no meio da Igreja, como o crente deveria se comportar no culto, em ordem e decência. Portanto, àqueles que se baseiam em Atos para justificar que o Espírito Santo faz como quer, devem ler 1 Co 12 e 14 para ver como o próprio Espírito Santo inspirou Paulo para colocar ordem no culto ena Igreja.

5. PROCURE APRENDER TEOLOGIA

Podemos chamar o conhecimento bíblico de nossos antepassados de Teologia. Desde os apóstolos (os verdadeiros) a preocupação com o estudo da Palavra é evidente e foi registrado nas Escrituras. Os diáconos foram instituídos exatamente para que os apóstolos não precisassem abandonar o estudo das Escrituras e fossem servir às mesas (At 6:2-4); Paulo, já velho, próximo ao seu martírio se preocupa com os estudos, rogando a Timóteo: “Quando vieres, traze ... os livros, principalmente os pergaminhos” (2 Tm 4:13). O resultado disto é que a DOUTRINA foi estabelecida. Esta doutrina nada mais é que o entendimento dos homens de Deus acerca da Bíblia, organizando as Escrituras em diferentes pontos de vista (estudo do pecado, estudo da salvação, estudo dos anjos etc). Ao relacionarem os temas da Bíblia, deu-se a isto o nome de TEOLOGIA. E embora muitos tenham verdadeira ojeriza por este nome, o fato é que a simples associação de dois ou mais versículos para se defender algum tema já é teologia... Odiar Teologia é odiar a própria Bíblia, pois a tradução da Bíbia com base nos textos mais antigos, a divisão em Antigo e Novo Testamentos, a organização sequencial de seus livros, a divisão em capítulos e versículos e até as divisões internas dos capítulos,  feitos por homens de Deus, é Teologia... Os comentários das Bíblias de Estudo que você possui é Teologia...

Não estamos dizendo que o leitor da Bíblia deve estudar as mais mirabolantes teologias existentes. Isto além de desnecessário é enfadonho. Mas o estudo de uma boa teologia, como a Teologia Sistemática, é O MÍNIMO que se espera de quem deseja bom entendimento das Escrituras. É evidente que Deus não está engessado à Teologia humana, entretanto o homem que a estuda e atenta para seus ensinamentos milenares estará menos propenso a falsos entendimentos e interpretações erradas dos textos bíblicos. Desde os primeiros pais da Igreja, a Teologia vem sendo desenvolvida no passar dos Séculos; evidentemente, dispensar o conhecimento deixado por estes homens de Deus não é uma atitude sábia.

Mas alguém pode dizer: “as principais doutrinas antibíblicas que temos hoje foram originadas por pessoas que estudaram teologia!”. E é verdade! Entretanto, a Teologia dá ao homem o prumo e o nível com que ele deve trabalhar; alguns, entretanto, abandonaram estes instrumentos e passam a trabalhar por conta própria, alegando que os instrumentos atrapalham... É como um eletricista que abandona as luvas de proteção e as ferramentas com cabos isolantes, porque eles atrapalham sua mobilidade... O desastre é certo!

A culpa de pessoas que fizeram teologia criarem heresias não é do ensino teológico, mas de quem abandonou os princípios! Não podemos culpar o curso de medicina se um médico passar a fazer bobagens por aí (como vemos de vez em quando nos noticiários), e sim entender que este médico em particular ABANDONOU os princípios da medicina, e resolveu trabalhar fora dos parâmetros que lhe foram ensinados. O mesmo ocorre com os introdutores de heresias. João chega a afirmar sobre os anticristos: “Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos; por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” (1 Jo 2:18-19). É um perfeito exemplo.

Aqueles que desprezam a boa teologia são exatamente os que querem ficar livres para introduzir “novas verdades” à fé, e principalmente o que lhes der na telha. A Teologia existe exatamente para evitar isso! O primeiro eletricista que escreveu um livro sobre a eletricidade básica não tinha a intenção de se tornar um chato, obrigando todo mundo a fazer somente o que ele ensina, mas ensinar que não devemos juntar os fios “fase” e “neutro”, pois isto dá errado, provoca curto circuito e pode destruir a casa inteira. O bom teólogo ensina as Escrituras de forma que não venhamos a provocar curtos circuitos na sã doutrina. Se você não quer se submeter às suas orientações, certamente você deseja liberdade, não a liberdade do Espírito Santo, mas a SUA LIBERDADE CARNAL, causando um curto circuito que pode trazer muita destruição para o Reino de Deus. Pense nisso!

6. CONSIDERE A HERMENÊUTICA BÍBLICA

A hermenêutica bíblica é o conjunto de normas que regulam a boa interpretação da Bíblia. Ou seja, ela não pode ser interpretada de qualquer maneira. Existem regras! E não é surpresa nenhuma que muita gente faça suas interpretações ignorando todas ou a maior parte delas!

As principais regras são:

A REGRA FUNDAMENTAL  - A Escritura é explicada pela Escritura, ou seja, a Bíblia interpreta a própria Bíblia. Ela não pode se contradizer, exceto quando analisada sob a óptica da REVELAÇÃO PROGRESSIVA. Exemplos da revelação progressiva podem ser vistos claramente no tocante à alimentação do homem (Em Adão e Eva, só legumes; em Noé, acrescenta-se a carne animal; em Moisés, as carnes são divididas em animais limpos e animais imundos; no NT, Deus retira novamente as divisões de imundos e limpos), divórcio (permitido no AT e proibido no NT com poucas exceções de permissão) e casamento (polígamo no AT, monogâmico no NT).

PRIMEIRA REGRA  - Quando for possível, tomar as palavras no seu sentido usual e ordinário.

SEGUNDA REGRA – O primeiro contexto a ser observado é o do sentido da frase.

TERCEIRA REGRA – O segundo contexto a ser observado é dos versos que antecedem e seguem o texto.

QUARTA REGRA - É preciso observar o objetivo do livro, os seus destinatários ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras. Os livros do AT, por exemplo, foram escritos para JUDEUS e sua cultura; muitos trechos podem não ser imediatamente aplicáveis em nossas culturas.

QUINTA REGRA É indispensável consultar as passagens paralelas, aplicando aqui o sentido da Revelação Progressiva.

SEXTA REGRA Um texto NÃO PODE significar aquilo que nunca poderia ter significado para seu autor ou seus leitores.

SÉTIMA REGRA - Sempre quando compartilhamos de circunstâncias comparáveis (isto é, situações de vida específicas semelhantes) com o âmbito do período quando foi escrita, a Palavra de Deus para nós é a mesma que Sua Palavra para eles.

Existem outras regras que destacamos: 

1. A boa hermenêutica afirma que não se pode criar doutrina baseados unicamente em livros históricos. Estes livros apenas relatam o ocorrido, sem compromisso absoluto com a doutrina. Um exemplo clássico disto é o "conselho de Gamaliel" em Atos: "Mas, levantando-se no conselho um certo fariseu, chamado Gamaliel, doutor da lei, venerado por todo o povo, mandou que, por um pouco, levassem para fora os apóstolos, E disse-lhes: ... Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará. Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus" (At 5:34-39). Estas são palavras de uma pessoa não cristã, Gamaliel. O escritor de Atos, Lucas, a cita apenas como dado histórico. Entretanto, muitos crentes a interpretam como doutrina para a Igreja. Na Bíblia, há o relato da fala de homens ímpios e até de Satanás. Deus inspirou os escritores para citarem tais palavras para que tomássemos conhecimento do ocorrido, e não para que usássemos tais palavras como base de doutrina.

2. O mesmo se aplica aos livros poéticos. A escrita dos mesmos tem mais compromisso com a poesia do que com a doutrina. Assim, aqueles que criam doutrinas e chavões baseados no texto que diz que "diante dele, até a tristeza salta de alegria" (Jó 41:22)  erram grosseiramente, pois "tristeza" não salta; é apenas uma expressão de poesia. Além disso, o contexto da frase não está se referindo a Deus, e sim ao leviatã...

3. As doutrinas devem ser criadas a partir de textos neotestamentários, usando os textos veterotestamentários como suporte. Nunca o oposto! Muitas "igrejas" judaizantes praticam a circuncisão, usam shophar e outros elementos e símbolos do AT porque fazem exatamente o oposto ao que ensina a boa hermenêutica...

4. Não se cria doutrina de versículos únicos e/ou isolados! É preciso que vários textos, um correlato ao outro, deem base para a doutrina. Assim, a doutrina de batismo pelos mortos, baseada em 1 Co 15:29, como não tem qualquer outro versículo que lhe dê apoio, não é salutar à Igreja.

Muitas pessoas, como já dissemos, esquecem completamente estas regras. Aplicam costumes judaicos do AT à nossa cultura. Interpretam um versículo como literal, e o versículo seguinte como simbólico.  Analisam versículos isolados, sem observar seu contexto imediato ou global. Interpretam textos inteiros sem considerar a unidade doutrinária da Bíblia ou a sua revelação progressiva... Todas estas violações às boas regras de interpretação comprometem os textos e as conclusões em suas leituras. Todo cuidado é pouco.

7. CONSIDERE A EXEGESE BÍBLICA

A exegese bíblica é a parte mais complexa da interpretação, pois exige o conhecimento da língua original em que o texto foi escrito. Não é para todos, infelizmente, pois no mínimo aquele que busca aplicá-la deve entender o grego bíblico (o grego koinê, língua morta na qual todo o NT foi escrito, e o AT foi traduzido, formando a versão dos LXX ou Septuaginta). 

Para se entender a importância da exegese do NT, destacamos um texto que, interpretado sem a exegese adequada, não traz a verdade do fato à tona Observem as palavras gregas usadas no texto, entre parênteses, e vejam que elas mudam completamente o seu sentido:

E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me (ágape) mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor; tu sabes que te amo (philéo). Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me (ágape)? Disse-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo (philéo). Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me (philéo)? Simão entristeceu-se, por lhe ter dito terceira vez: Amas-me(philéo)? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo (philéo). Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21:15-17).

Percebem a diferença, que só é possível quando conhecemos a língua original? Jesus por duas vezes pergunta se Pedro o ama usando a palavra ÁGAPE (amor profundo), e Pedro só consegue responder que o ama usando a palavra PHILÉO (amor de amigo) Na terceira vez, Jesus abaixa o nível de sua pergunta, usando a palavra PHILÉO, o que entristece Pedro. Pedro não se entristece porque Jesus perguntou TRÊS VEZES se ele O amava (a maioria das pessoas pensam assim), mas porque perguntou nas duas primeiras vezes usando apalavra ÁGAPE, e na terceira vez Jesus usou a palavra PHILÉO...

É importante fazer distinção entre EXEGESE EISEGESE. Nesta última, forçamos o texto a concordar com o que NÓS QUEREMOS que ele diga. Nem preciso dizer que é uma das mais  nojentas formas de se tratar o texto sagrado. Evitem a todo custo!! Aproximem da Bíblia para APRENDER com ela, e nunca para ENSINAR a ela!

Somente os que se aprofundam no estudo da língua original percebem estas nuances. Infelizmente, isto é para poucos. Mas incentivamos que você, que pretende se aprofundar no estudo das Escrituras, adquira livros, dicionários e léxicos, faça um curso, frequente Escolas Bíblicas e busque aprender noções de grego koinê. Vale a pena! Quanto mais nos aproximamos de Deus e da sublimidade das Escrituras, mais vislumbramos as maravilhas da obra e do Seu Autor!

8. USE O BOM SENSO

Jesus foi a pessoa que mais usou este requisito aí ao interpretar a Lei. Quando trouxeram uma adúltera, que teria que ser punida com a lapidação (apedrejamento), ele surpreendeu a todos e usou o bom senso, aplicando misericórdia e isonomia: se todos eram iguais no ambiente, por que só uma pessoa seria apedrejada?? Somente Ele podia se enquadrar no princípio do "quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra", e misericordiosamente decidiu não aplicar o princípio da punição, mas o do bom senso misericordioso: "nem eu tampouco te condeno... Vai e não peques mais!". Quando O criticaram por frequentar a casa de pecadores, de beber vinho e outras coisas mais que aparentemente feriam a Lei mosaica e os bons costumes da santidade, Ele sempre deixou claro que o bom senso deveria ser o fiel da balança na vida dos Seus seguidores. Ele, o Médico, veio para curar os doentes.

Lamentavelmente, este bom senso tão usado pelo Mestre foi quase que totalmente extinto do nosso meio! Mas precisa ser reaplicado no meio da Igreja, e com pressa! Para se ler e interpretar as Escrituras, faz-se necessário ao menos uma pitada deste ingrediente! 

Primeiro, a Igreja carece do bom senso de voltar urgentemente às Escrituras, mormente às neotestamentárias. Vivemos, afinal de contas, a Nova Aliança, e a Antiga, disposta no AT, foi cumprida por Jesus, que por sua vez instituiu a Nova com base em Sua carne e Seu sangue. Mas falta a muitos este senso inicial de que vivemos na Nova Aliança, aonde elementos judaicos (embora tenhamos respeito por esta religião, berço do Cristianismo) foram abolidos do culto e das normas de conduta, do corpo doutrinário e usos e costumes da Igreja. Portanto, precisamos do bom senso de compreender e absorver a verdade de que não precisamos interpretar o NT pelo AT, e sim o contrário. O Novo testamento é que deve ser a base de nossa fé equilibrada.

Segundo, a Igreja precisa utilizar o bom senso nos casos aonde a Bíblia, e principalmente o Novo Testamento, não deixa claro qual seja a conduta a ser aplicada à Igreja. Precisamos compreender que nas coisas aonde a Bíblia não é clara, o Senhor nos deixou o arbítrio de escolhermos qual a melhor conduta a ser aplicada, desde que usado o bom senso! Um exemplo: a Bíblia nada fala acerca de o crente praticar esportes. Deixa-lhe a liberdade de escolher se o fará, ou não. Entretanto, os Atletas de Cristo passaram por grandes perseguições nos anos de 1970 e 1980, quando surgiram no cenário brasileiro... Quem os perseguia, criticava e condenava, embora sem base bíblica para isso? Os não-crentes? Não... Os crentes, as igrejas...

Terceiro, a Igreja do Senhor Jesus é terrivelmente ridicularizada nos meios ímpios exatamente por sua falta de bom senso... Fora de qualquer parâmetro escriturário são criadas formas de extorsão financeira, em forma de dízimos, trízimos, ofertas, campanhas e outros expedientes; cargos, posições e títulos são criados, e líderes inescrupulosos e com sede de poder, autoridade e intocabilidade se apoderam deles; pastores, bispos, “apóstolos”, televangelistas e outros enriquecem a olhos vistos, aproveitando-se do caixa da Igreja; doutrinas esdrúxulas, costumes estranhos e bagunça generalizada têm sido a marca registrada de muitas “denominações”; sincretismos, ecumenismo, mundanismo e idolatria já fazem parte de nosso meio; cantores e “levitas” conduzem, estimulam e fomentam o erro através de seus “hinos” e práticas. E os que se levantam contra tais coisas, tentando reconduzir a Igreja à sã doutrina, são execrados e xingados, muitas vezes com palavras de baixo calão mesmo...

Quarto, tenha o bom senso de analisar a vida dos apóstolos e do próprio Senhor Jesus. Cuidado com doutrinas e práticas que não vemos na vidas destes. Ora, se Jesus e os apóstolos não praticavam tal doutrina, por que ela deveria ser praticada pela Igreja de nossos dias?

A maior parte dos problemas doutrinários de nossos dias se resolveria com uma coisa simples... BOM SENSO... O antigo e bom "Semancol", o medicamento fictício que, devidamente administrado, resolveria pelo menos 80% dos problemas da Igreja!

Você é convidado a ler a Bíblia, compreendê-la, interpretá-la corretamente e transmitir tudo o que você aprendeu, ensinando com responsabilidade, formando novos discípulos de Cristo nesta geração Laodicéia. Topas? Mas não deixe de seguir os conselhos acima. Deus te abençoe nesta empreitada!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ESQUIZOFRENIA GOSPEL


A esquizofrenia é um transtorno mental que ataca pelo menos 1% da população mundial. Dentre as suas muitas manifestações, uma das mais comuns se caracteriza por delírios paranóides, aonde a pessoa se sente perseguida, odiada, rodeada de inimigos. Entretanto, se observarmos o universo “gospel” de nossos dias, e sem querer generalizar, veremos que 1% de esquizofrênicos em nosso meio é uma porcentagem modesta ante o quadro que se nos apresenta. Os crentes de um modo geral se sentem eternos perseguidos por uma cifra enorme de inimigos, tanto dentre vizinhos incrédulos, patrões perseguidores, colegas de trabalho escarnecedores e maus, e até irmãos da fé, dentro de nossas Igrejas, sentados ao nosso redor e derredor nos cultos de adoração a Deus. O “esquizofrênico Gospel” se considera assim, odiado pelos de fora e até pelos próprios irmãos, ao melhor estilo de José, filho de Jacó, que anseiam e trabalham diuturnamente pela sua queda. Querem sua posição no coral, na equipe de louvor, na classe de EBD, no corpo de Obreiros, na direção do Círculo de Oração... Querem seu emprego, seu salário e sua posição empresarial ou profissional, querem seus dons e talentos e alguns mais afoitos querem até o seu casamento, seu marido ou sua esposa, os seus filhos obedientes, a harmonia de seu lar!

Infelizmente, somos ensinados e “treinados” a agirmos assim. Tanto as mensagens que são pregadas em nossos púlpitos como as músicas que infestam nosso cancioneiro gospel contribuem para que esta esquizofrenia se alastre entre nós. Interpretações equivocadas do AT levam muitos pregadores a julgar que somos rodeados uma grande nuvem de inimigos.

Os hits de nossa “Parada de Sucessos Gospel” contribuem também ― e muito!― para fomentar este mal. Grande parte dos “hinos” atuais falam que nossos inimigos estão constantemente tramando contra nós, mas serão destruídos, teremos vitória sobre eles, eles contemplarão de pé a nossa vitória etc. A canção “RESSUSCITA-ME” mostra que os nossos inimigos “estão tentando sepultar as nossas alegrias, e querem ver os nossos sonhos cancelados”. “SABOR DE MEL” segue o mesmo padrão, pois no dia de nossa vitória os nossos inimigos vão estar na plateia, enquanto nós estaremos no palco, devidamente honrados, e aqueles arrependidos.

Os crentes também são os maiores e mais fieis adeptos das teorias de conspiração que pululam nas redes sociais e sites, e que estão invadindo nossas igrejas e seus cada vez mais escassos e simplórios Cultos de Doutrina e EBD. Ao invés de aproveitarmos estes Cultos para ensinarmos as Escrituras e a sã doutrina, ensinamos as teorias loucas e as fábulas, tão combatidas no NT (1 Tm 1:4; 4:7; Tt 1:14; 2 Pe 1:16).

Existem os ímpios (e até crentes!) que usam até da feitiçaria em seu afã de nos destruir. Fazem “despachos” para nos matarem, para nos lançarem no leito, para que percamos o emprego, para que haja separação de meu casamento e coisas afins...

Mas ainda existe aqui aonde moro a famosa “macumba gospel”, chamada de “oração contrária”. Muitos crentes que eu conheço se dizem vítimas de irmãos-inimigos que, não suportando qualquer sinal de prosperidade em suas vidas, passam a orar contra eles, pedindo a Deus que não mais os abençoe, que seus negócios não prosperem etc. Sinceramente, não consigo imaginar um Deus cujo atributo eterno é a justiça ouvindo e atendendo qualquer tipo de oração que se enquadre nesta categoria! Se Deus me ouve somente nas petições que são da Sua vontade (1 Jo 5:14), para que temer qualquer oração que não se enquadre nesta condição?

E assim caminha a cristandade... Igrejas cheias de crentes que se recusam a conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os 6:3), que desconhecem e descumprem as Escrituras, que se julgam perseguidos e rodeados de inimigos Uma epidemia de esquizofrenia digna de algumas considerações à luz da Escritura:

1. Nosso inimigo não é a carne e nem o sangue (Ef 6:12). Neste aspecto, reside a certeza de que os que nos rodeiam não são nossos inimigos, e mesmo os que assim se declaram não são os nossos verdadeiros inimigos. O diabo é o inimigo, e é a este inimigo em particular a quem devemos combater, e não aos inimigos de carne e sangue. Erramos, pois, primordialmente por não sabermos reconhecer quem é nosso verdadeiro inimigo, e cometemos tal erro primário porque nos recusamos a dar ouvidos às Escrituras!

2. Cremos em um Deus protetor. Ele, dentro da Sua soberana vontade, protege aqueles que são Seus filhos por adoção em Cristo. Desde o AT ele já fazia isto, tratando Israel sob proteção. Quando Balaque alugou os “serviços proféticos” de Balaão para amaldiçoar o povo de Deus, o próprio Senhor lhe respondeu pela boca do profeta mercenário: “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa?” (Nm 23:8). Logo, não há NADA que os nossos “inimigos” façam contra nós que venha nos fazer qualquer efeito maléfico, se não for a vontade do Senhor.

3. Em nenhum lugar do Novo Testamento somos orientados a viver este tipo de paranoia, medo, fobia, ojeriza de nossos inimigos. O Evangelho nos ensina a não resistirmos às provocações deles. Quem nos ferir a face, demos a outra. Quem quiser nossa túnica, cedamos a capa. Quem quiser nos obrigar a caminhar uma milha, caminhemos duas. E tudo isso voluntariamente (Mt 5:38-42)! Paulo, escrevendo aos romanos, prescreveu com detalhes: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12:17-21).

4. Jesus deixou muito claro qual deve ser nossa relação com os que se posicionam abertamente como nossos inimigos: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céu...” (Mt 5:43-45). Nossa postura enquanto seguidores de Cristo não é desprezar, retaliar ou mesmo orar pedindo que eles sejam fulminados, julgados, desejar que eles assistam humilhados à nossa exaltação etc. Paulo reafirma esta mesma verdade quando ensina à igreja em Roma: “Abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis” (Rm 12:14).

Lamentavelmente, pregadores e suas “mensagens”, cantores e seus “hinos” têm-nos ensinado uma relação completamente antibíblica com os nossos inimigos. Eles estão fomentando em nosso meio não uma submissão ao que ensinam as Escrituras, mas um ensino mau e legalista de que devemos resistir aos nossos inimigos, odiá-los, orar pedindo a Deus justiça e juízo sobre eles. Somos chamados ao AMOR, e este amor não se resume aos nossos irmãos na fé, pois bem nos ensinou nosso Mestre: “se amardes os que vos amam, que galardão havereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5:46-48). Se insistimos nõ ouvir a Jesus, mas seguir falsas pregações e dar ouvidos a hinos espúrios, não estamos contribuindo para nossa própria esquizofrenia?

Voltemos à Palavra! Observemos aonde caímos, e tornemos para o caminho (Ap 2:4-5)! Desprezemos os ensinos errados! Roguemos ao Senhor que nos cure desta esquizofrenia louca! Mesmo que tenhamos inimigos declarados, que a inimizade não parta de nós. Oremos por eles! Falemos bem deles! Abençoemos! Estevão, o primeiro mártir de nossa fé, mesmo sendo apedrejado orou por seus inimigos na hora de sua morte (At 7:60); suas últimas palavras foram A FAVOR de seus algozes. Na época da Igreja Primitiva parece que não existiam esquizofrênicos no seio da Igreja. Pelo menos Estêvão e os primeiros mártires sabiam se portar varonilmente, mesmo rodeados de inimigos. Perdoavam e abençoavam. Que suas vidas nos sirvam de exemplo, e nos estimule a mudar nossa conduta, antes que esta “esquizofrenia gospel” vire uma epidemia real, incurável e incontrolável!